sábado, 18 de junho de 2011

O HOMEM QUE MATOU O FACÍNORA (1962) - DEZ.2010, de JOHN FORD

Um filmaço, de John Ford, com James Stewart, John Wayne e Lee Marvin, este como o Liberty Valance (que dá  o título do filme - The Man who Shot Liberty Valance).
Este filme tem um título em português melhor do que o do original - O homem que matou Liberty Valance. A troca do nome por "facínora" deixa o título mais dramático.

A primeira vez que vi este filme, há uns 15 anos, já fiquei impressionadíssimo. Não foi diferente agora.
John Wayne - na qualidade do durão Tom Doniphon, e Jimmy Stewart, interpretando o Sen. Ransom (Ranse) Stoddard, e o próprio Lee Marvin estão todos muito bem.

O filme começa com a chegada de Ranse, um senador já de idade, à cidade (Shinbone) em que viveu os fatos que serão contados em retrospectiva, e sua chegada se dá para o velório de Tom Doniphon. Todos ficam intrigados do porquê de um senador vir a um velório de um zé ninguém, e ele passa a contar a história, até então desconhecida de todos, tendo como seu interlocutor algumas pessoas, dentre elas o jornalista do Shinbone Star, que ao final vai pronunciar uma das falas mais conhecidas do cinema americano (para mim, ao menos, embora não conste das 100 mais do AFI).

A história contada inicia quando Ranse migra para a cidade em que pretende se estabelecer como advogado, mas já na viagem de chegada ele é assaltado pelo bando de Valence.
Na cidade, pretende que se punam os culpados, mas todos têm medo de Valance, exceto Doniphon.
Valance ficar contrariado com Ranse, e promete matá-lo, e eles se encontram num duelo em que Ranse mata o bandido, e a partir daí cria sua fama, torna-se político, e vira um herói local.

Ao narrar a história, Ranse acaba enaltecendo o caráter de Doniphon, um durão representante do velho oeste - em vez desse novo, em que a lei (o advogado) vem para substituir as armas - e demonstrando exatamente essa evolução do Oeste.
Ao concluir a narrativa, ele revela que em verdade foi Doniphon o autor do disparo que matou Liberty Valance (Ranse mal sabia atirar, tentou ter aulas com Doniphon mas era péssimo), e que este abdicou de qualquer honra - e do amor da esposa de Ranse, que inicialmente parecia destinada a ficar com Tom - talvez vislumbrando que Ranse, o novo, fosse melhor do que o velho - Tom - oeste.
Terminada a narrativa, revelado o verdadeiro herói, o jornalista que a tudo acompanhara, rasga (ou queima) suas anotações, e diz a célebre frase a que me referi:  "This is the west. When the legend becomes the fact, print the legend".
Filmaço: IMDB 8,1. Para mim, até mais.

ROCKY, 1976, de JOHN G. AVILDSEN - 17.06.2011

Filme clássico de Supercine, Temperatura Máxima, Sessão da Tarde. Enfim, um filme que todo mundo já viu, mas eu, particularmente, não via há muito tempo.
O final "Adryan, Adryan", me irrita um pouco, razão pela qual evitava rever esse filme (mas tenho muita simpatia pela personagem, tanto que fui ver Rocky Balboa - acho que o sexto filme da série - no cinema). Mas vamos lá, enfim, a fita ganhou Oscar de melhor filme em 1976.

Rocky Balboa, já com 30 anos e tendo como emprego o de "cobrador" para um mafioso de meia-pataca, é um lutador fracassado, perdedor, que por uma cagada do destino, é escolhido para Lutar com Apollo Creed, o campeão mundial dos pesos pesados, após o adversário natural se machucar.
Faltando 5 semanas para a Luta, Rocky começa a se preparar, largando bebida e cigarro, se entende com Micky, que o havia abandonado, pois segundo este, Rocky era um lutador com talento, mas que lutava feito um macaco.
A sua preparação, pouco ortodoxa, incluí esmurrar cortes de gado no frigorífico em que Paulie, irmão de Adryan, trabalhava.

O romance entre losers numa cidade que aparentemente estava em decadência (só se mostram os bairros mais pobres da cidade, mas não sei se esta era a realidade nos anos 70 - sabemos que NY estava muito mal nesta época), tem o ponto fraco em Talia Shire, de quem não gosto muito. Mas o lutador fracassado e a atendente tímida de um pet shop tem a sua razão de ser no filme. É exatamente o encontro de perdedores que se encontram para, de início, somar seus problemas, e depois, juntos, encontrarem alguma redenção.

A personagem Paulie, interpretada por Burt Young também tem sua graça, igualmente um fracassado, bêbado, que atribui sua vida infeliza à irmã mais nova, de quem teve de cuidar. É um pedichão, vive de pedir favores, de pequenas migalhas que os que estão à sua volta podem lhe prover.

A luta - Apollo em princípio nem se preocupou com o adversário escolhido a dedo para apanhar - é bem construída, e ao contrário do que eu me lembrava, nesse filme, Rocky ainda não usa a "tática" de dar a cara a tapa até o adversário cansar de tanto bater. Ele derruba Apollo no primeiro round, e consegue levar a luta até o fim, onde perde por pontos (a contagem é ouvida em segundo plano, pois o importante na cena é ressaltar a sobrevivência de Rocky até o fim, feito que nenhum lutador obtivera contra Apollo.
Vale a pena rever o filme. Acho que o filme irritante será o segundo da série, em que Adryan ficará entre a vida e a morte, e a fita se torna um drama meloso. Este primeiro, com a música de abertura - espetacular - enquanto o nome ROCKY em letras garrafais passa pela tela, e a cena das escadarias do Museu de Arte da Filadélfia, estão na memória afetiva e fílmica de muita gente.

Nota no IMDB: 8,1 correta. Filme bom. Só para se ter noção, teve um orçamento de 1,1 milhão de dólares e arrecadou cerca de 225 milhões.

sexta-feira, 17 de junho de 2011

CORTINA RASGADA (1966), de ALFRED HITCHCOCK

Filme sobre guerra fria, espionagem, em que Paul Newman vive o Professor Armstrong, e sua noiva e assistente, Sarah, vivida por Julie Andrews, vão a um congresso de físicos na Dinamarca.
Lá chegando, Newman recebe um livro com mensagem para procurar por pi em caso de emergência, e diz a sua noiva que terá de ir a Estocolmo, naquela mesma tarde, e lá passar um tempo, e que ela não poderá lhe acompanhar.
Na verdade, seu vôo era pra Berlim Oriental, e tendo Sarah descoberto esse destino, segue seu noivo para além da Cortina de Ferro.
Tudo isso porque Armstrong teve seu projeto de um escudo anti bombas nucleares no EUA (Gama 5), e deserta para a Alemanha Oriental para continuar com seu projeto na Universidade de Leipzig, junto ao professor Lindt.
Logo se descobre que na verdade Newman finge deserção, pois para terminar o seu projeto americano ele precisa dos cálculos que só o professor Lindt conhece, então sua missão é descobrir essas informações e regressar ao Ocidente.
O físico Prof. Manfred esta sempre perto do casal, vigiando, desconfia quando o primeiro segurança de Armstrong, Gromek, desaparece (foi morto na casa do contato/agente americano, um fazendeiro disfarçado - o pi de que falei), e quando esse desaparecimento vem à tona, é no exato instante em que Lindt explica os cálculos a Armstrong, e inicia a fuga de Armstrong e Sarah, em cenas bastante interessantes e tensas, numa boa seqüências de fugas, de dentro da universidade até o centro de Leipzig, daí, de ônibus, até Berlim Oriental, aí, no teatro, e por fim, de navio até Estocolmo, sempre com a ajuda da resistência, de espiões, ou de outras pessoas que, ao fim, só queriam deixar a Alemanha Oriental. Gostei bastante. IMDB, nota 6,6. Merece mais, na minha opinião.

quarta-feira, 15 de junho de 2011

RIO VERMELHO (1948), de HOWARD HAWKS

Filme de Howark Hawks com John Wayne (Tom Dunson) e Montgomery Clift (grande ator, ou pelo menos um ator de grandes filmes - personagem Matt Garth).

Há um prólogo escrito, que apresenta o filme, dizendo que se trata de uma história dos primórdios do texas, e é uma história de um dos maiores rebanhos de gado (iniciado só com uma parelha de animais), de um homem e de um menino e a história do D do Red River.

D do Red River é a marca de ferro que Dunson faz em seu rebanho, um D e duas linhas sinuosas representando o rio. Quando, em 1851, ele migrava de St. Louis para a California, decide ir para o Sul, para o Texas, separando-se do comboio em que seguia. Ele, junto a seu escudeiro Groot, apropriam-se de terras para iniciar sua fazenda, não sem ter que resistir aos grandes rancheiros daquele lugar.
Ademais, logo descobrem que dias após a separação do comboio, este foi dizimado por índios (inclusive a namorada de Dunson), um menino sobrevivente, exatamente Matt, chega às terras de John Wayne, e vai se tornar o "filho" do desbravador. 
Após 14 anos cuidando de suas terras, ele cria um grande rebanho, mas não consegue negociá-lo no Texas, está falido, e decide levar o gado até o Missouri para vendê-lo. Matt esteve fora da fazenda por algum tempo, não se explica fazendo o quê.
Conduzindo o rebanho e os peões com mão de ferro, ele sofre um motim comandado exatamente por Matt, seu, digamos, filho adotivo, que resolve levar o Gado a Kansas, porque seria mais fácil chegar ao Kansas, evitando índios e ladrões de fronteira, e também porque no Kansas, em Abilene, haveria uma nova estação de trem.

Matt então passa a liderar, mas com dois receios - os perigos da jornada adiante, e Dunson no seu encalço, uma vez que este prometeu vir atrás de Matt e matá-lo, vingando-se da perda do rebanho. No caminho eles cruzam com um grupo de coristas, e Matt encontra Tess Melay. Por causa da chuva, Matt resolve prosseguir no seu caminho, e deixa Tess para trás.
No encalço, Dunson chega a essa parada 8 ou 9 dias depois do grupo de Matt, conversa com Tess, esta o convence a seguir junto a Dunson, pois está apaixonada por Matt.
Essa já é uma primeira chance de redenção de Dunson, que negou à sua amada que o acompanhasse ao Texas, 14 anos antes, dizendo que uma mulher não aguentaria, e agora permitiu que Tess o seguisse para encontrar Matt.
Logo o rebanho chega a Abilene, são recebidos com festa, acertam a venda de todo o gado, mas a esta altura Dunson está só 4 ou 5 horas atrás do primeiro grupo. Na manhã seguinte, então chega a hora do encontro entre Dunson e Matt, e com a interveniência de Tesse eles acabam se entendendo, e Matt ganha o direito de também por sua marca no gado, não sendo só mais o D de Red River e as curvas do rio, mas também havendo, dali por diante, um M no ferro de marcar.

É um western épico, praticamente com o filme todo em locação aberta, na condução de um rebanho numerosíssimo. As cenas que aparentemente se passam à noite são filmadas durante o dia com o filtro para fazer a "noite americana". Bom filme. Preciso estudar mais sobre Howard Hawks, com grande variedade de filmes e gêneros, do primeiro Scarface, passando por Rio Bravo, Levada da Breca, Sargento York, Os homens preferem as loiras, Hatari, entre outros.
Nota IMDB: 7,8.

A DAMA DO LAGO - 1947, de ROBERT MONTGOMERY, 15.06.2011

Este filme noir começa com o detetive Phillip Marlowe (vivido pelo próprio diretor Montgomery) contando que narrará um caso que investigou - "o caso da dama do lago". Ele desafia - olhando para a câmara -  o espectador a solucionar o caso, e que este poderá ser capaz de fazê-lo ou não. E dá uma dica: você deve vigiá-los, todo o tempo.

Ele é contratado inicialmente por Adriene Fromssett (Audrey Totter, desconhecida ao menos para mim) para investigar o desaparecimento de Cristal Kingsby, esposa de Derace Kinsby, o rico chefe de Adriene, um editor de livros baratos de terror e ou policiais.
Adriene tem um interesse arrivista, quer casar com um homem rico, e Kingsby é o mais próximo que ela conhece. Ela, ademais, é uma mulher astuciosa, se insinua para o detetive, não se sabe se de início, apenas para seduzi-lo ou para conquistar sua confiança.

A investigação se divide em Bay City, a cidade em que moram Adriene e Kingsby, e Little Fall Lake, onde fica o lago em que Cristal poderia estar refugiada.
Há suspeitas, inicialmente, sobre Chris Lavery, que teria se envolvido com Cristal. Logo ele é assassinado em sua própria casa, e nesse momento está na casa a senhora que se diz a locadora o imóvel (depois se saberá não ser verdade).
O policial DeGarmot esteve envolvido com Mildred Haveland - é o nome verdadeiro de Muriel Chess, a afogada. Seu esposo também está morto.
Deixando claro, Mildred era enfermeira de um médico (Almore), cuja esposa, Florence Almore, de solteira Florence Grayson, foi dada como suicida. DeGarmot investigou e deu veredicto de suicídio, embora os pais de Florence desconfiassem de assassinato. Mildred/Muriel teria auxiliado neste suicídio - ou cometido o assassinato, e depois sumiu, sendo encontrada morta um ano e meio depois disso.
Marlowe entra em contato com os Grayson (que mencionam que "ele" esteve aqui há uma hora, perguntando a Marlowe se ele não consegue sentir o cheiro do charuto) e menciona que já falou com todos os policiais, não querem mais falar com ninguém, estão cansados de sofrer.
DeGarmot causa um acidente de carro a Marlowe, e ainda tenta incriminá-lo por direção alcoolizada. Nesse ponto, Marlowe aproveita-se de um bêbado que passa pelo acidente, o nocauteia e põe seus documentos pessoais nas roupas do bêbado. Pede refúgio em casa de Adriene e aí começa um romance com ela.
Chega então a notícia de que Cristal está de volta a Bay City, precisando de dinheiro. Marlowe vai ao encontro dela e ali decifra o mistério.
A Cristal  que aparece, na verdade é Mildred Haveland, e a dama morta no lago não era Mildred/Muriel (que trocara de nome para Muriel para fugir de DeGarmot e se casou com um capiau de Little Fall Lake). Cristal estava afogada e desfigurada, e por isso a farsa não foi descoberta.
Mildred tomou o lugar desta, conheceu Chris Lavery, com quem também se envolveu e depois o matou.
Mildred já matara a sra. Almore (mas disse que foi uma asfixia acidental no carro), Cristal (se defende dizendo que trocaram as roupas certa noite, foram passear no lago e Cristal caiu na água), e fugiu para El Paso, onde conheceu Chris (o único que conhecia a identidade de Cristal), e por isso ela o matou.
Resolvido o mistério, DeGarmott - que seguira Marlowe -  mata Mildred (traído que foi por esta e ajudara a encobrir o primeiro assassinato - sra. Almore - e até então imaginava que aquela estava morta no fundo do lago), e resolve matar Marlowe para se safar deste crime, mas a polícia chega a tempo, mata DeGarmott e salva nosso herói.
Tudo se resolve (embora paire uma dúvida quanto ao comportamente de Adrienne), mas esta fica junto a seu amado, o detetive Marlowe. A frase-resumo do casal é "estou com medo, mas é maravilhoso".
O filme tem esse desfecho um pouco confuso, numa conclusão meio Agatha Christie, que em duas páginas se resolve um mistério de 500 páginas, mas o filme vale a pena.

Há uma questão de técnica cinematográfica que vale a pena ser notada e comentada: o filme é todo feito com câmera subjetiva, como se a câmera fosse o olhar de Marlowe, ou seja, praticamente não há planos de conversas entre Marlowe e os outros personagens, mas somente a/o interlocutor de Marlowe é mostrado. Diz-se por aí que essa foi a primeira vez, e única, que se fez algo assim, pelo menos nos estúdios majors.
Nota do IMDB: 6.6. Avaliação adequada.

terça-feira, 14 de junho de 2011

O BEM AMADO (GUEL ARRAES) - 30.05.2011

... e mal-filmado, e mal contado, e uma grande porcaria.
Não consigo entender como se chama um filmezinho deste de cinema. É um imenso videoclipe, num ritmo alucinanteTtalvez Guel Arraes quisesse resumir em uma hora e quarenta uma novela de 10 meses da TV Globo, na década de 70, e mais uma porção de episódios de seriado dali derivado. Não conseguiu.
Para mim, Marco Nanini está histriônico, e o som é ruim, algumas falas não se entende, quer pelo som ruim, quer pela má dicção do Nanini, ainda mais com sotaque nordestino.
Não sei exatamente aonde o diretor quis chegar, mas perdeu seu rumo. Assisti no youtube a algumas cenas de "O bem-amado" original, e a diferença beira o abissal.
Paulo Gracindo como Odorico Paraguaçu é um absurdo de bom - e quando vejo um papel mal feito, sempre me lembro de Paulo Francis, dizendo que se algum ator caísse de quatro, no Brasil, seria necessário um guindaste para botá-lo de pé. Não que Marco Nanini seja ruim, mas não achou o tom pra o papel.
Mateus Nachtergaele, um ótimo ator, igualmente errou na composição de seu Dirceu Borboleta, sem a gagueira genial de Emiliano Queiroz, tentou ser um secretário certinho, e não é nada mais do que isso - certinho.
As irmãs cajazeiras, vividas por Zezé Polessa, Andréa Beltrão e  Drica Moraes também ficaram meio chatas, e os encontros delas com o prefeito não tem a graça que se pretende fazer, além de o casamento de uma delas com Dirceu Borboleta não acrescentar nada à trama.
A fotografia do filme me pareceu meio amarelada demais, não sei se por uma opção do diretor para tentar recriar o sertão do Nordeste.

A história (de Dias Gomes) é conhecida - o político que quer fazer uma grande obra pública - no caso um cemitério, para marcar seu mandato, mas sofre o infortúnio de ninguém morrer e a obra se torna então uma elefante branco.
As tramas laterais - a contratação de um moribundo para que se tornasse o primeiro defunto (Bruno Garcia interpretando Bruno Garcia, pois seus papeis, cacoetes e sotaques são sempre iguais), e  o amor entre o jornalista de esquerda e a filha de Odorico, vividos pelos insípidos Caio Blat e Maria Flor são mal engendrados, nada acrescentam ao filme, são apenas sub-temas para se preencher o tempo do filme.
O início e o final do filme, com as mortes por Zeca Diabo (vivido por José Wilker, a única interpretação que pessoalmente me agradou) do antigo prefeito e também a de Odorico - enfim o primeiro defunto para o cemitério, dão a impressão de que estamos andando em círculos, e interior deste é vazio e opaco.
Nota no IMDB (internet movie data base) - 6,4. Merece menos.

segunda-feira, 13 de junho de 2011

FOME DE VIVER - TONY SCOTT, MEADOS DE 2010

The hunger, em inglês, ou o a fome, o faminto, em português, é um filme rococó de Toni Scott, com David Bowie, Catharine Deneuve, ainda lindíssima, e uma jovem e macérrima Susan Sarandon. O filme é cheio de sombras, cortinas de voal tremulando, para dar uma atmosfera fantasmagórica, eis que se trata de um filme de vampiros.
O filme é fraco. Salva-se pela linda presença de Deneuve, e pela curta porém marcante presença de Bowie, um artista de talento em qualquer coisa que faça. É um filme estranho de vampiros, meio cansativo, e este blog anda meio a passos lentos e estou tentando colocá-lo em dia, às vezes com resumos meio baratos como este, pois vi o filme há quase um ano, e não consegui concluir o post. O filme é um pouco esquecível, tanto que me lembro vagamente da história. O filme é do começo dos anos 80, então tem aquele visual de videoclipe barato da MTV - uma idéia na cabeça, uma câmera na mão, e muitos cabelos estranhos, roupas esvoaçantes e coloridas.

Deneuve e Bowie são vampiros e  Bowie é um vampiro que vai morrer, por isso começa a envelhecer numa velocidade espantosa (achei a maquiagem bastante ruim. Lady Mirian (Deneuve) tem amantes, e estes tem vida eterna enquanto ela não se cansa deles, que é o caso do vampiro John, interpretado por Bowie.

John busca ajuda de uma médica interpretada por Susan Sarandon, que interessada no caso,  logo é também atraída pela vampira-mestre, Deneuve.

Na verdade, os vampiros que foram os amantes de Lady Mirian, não morrem, e ficam eternamente em caixões padecendo da fome eterna, não se sabe se porque Lady Miriam não quer perder seu contato com seus antigos amores ou porque não pode permitir que os ex-vampiros sejam descobertos. Não me agradei da película. Só assisti ao filme porque sou fã do David Bowie músico.

O filme a que eu assisti, ademais, foi muito prejudicado pela péssima imagem do TCM. Não sei porque um canal de filmes tão bons fica relegado a um oitavo plano quando se trata de prover uma boa imagem aos espectadores de TV a cabo. Antes de TC Action ou Pipoca em HD, acho que seria mais importante prover imagens em HD para o TC Cult e o TCM, com o que, certamente, os filmes antigos ganhariam outro impulso. Ver filme velho, e com imagem ruim, é dose pra cinéfilo - não que eu o seja.  Boa sessão - se for possível.

BLOW OUT - BRIAN DE PALMA - 14 e 15.05.2011

Se Brian de Palma emula Hitchcock - e o faz - imita bem. Seus filmes costumam ser um primor de montagem, de enquadramento, embora, por vezes, o roteiro seja um pouco chato. Gosto muito de Femme Fatale, de Vestida para Matar, Olhos de Serpente (a primeira metade do filme), e o óbvio Os Intocáveis.

Esse "Um Tiro na Noite" é um filme muito bom, que leva a reflexões sobre a imprensa, sobre a imagem (o que é mostrado é realmente a verdade?), sobre o próprio cinema - como é montada uma história, qual a importância do som, da imagem, da junção dessas duas variáveis para construir uma imagem, e por conseqüência, um filme.

Acho que o filme tem algum semelhança com "A Conversação" do Copolla, outro filmaço que está comentado aqui neste blog.

Nancy Allen - atriz de sucesso nos anos 70 e início dos 80, depois disso praticamente desapareceu, e hoje tem seus 60 anos de idade -  é uma "programadora" ou uma arrivista que, em conluio com seu namorado ou cafetão, protagoniza farsas para extorquir homens importantes. Nancy os leva a um motel e seu namorado faz fotos comprometedoras, para ganhar alguma bufunfa.

Nesse metièr, são contratados para chantagear o governador da Filadélfia, ao que tudo indica, mas alguém tem um outro plano, e faz um atentado contra o carro em que o governador e a menina-moça estavam, e este cai no rio.

Quando do acidente, John Travolta (Jack), um técnico de som para efeitos sonoros de filmes B, está captando sons e captura os do acidente. Tão logo o carro cai na água, Travolta mergulha e salva a Nancy Allen, mas o Governador candidato a presidente passa desta para melhor.

No hospital ele passa por interrogatórios estranhos, o pressionam para dizer que o senador estava sozinho, Nancy Allen escusa-se de explicar qualquer coisa, e ele começa a desconfiar de algo, e repassa os sons do momento de acidente, e chega à conclusão de que há dois sons diversos, primeiro um de um tiro e outro do estouro do pneu, configurando não um "acidente", mas um assassinato.
A conjunção destes sons com as imagens do acidente, com os frames fotográficos, demonstra belamente o acidente, e demonstra, ao mesmo tempo, o que é o cinema, a junção de som e imagem.

Sua investigação - com a ajuda de um jornalista -  passa a sofrer percalços, seus arquivos de sons são apagados na espectativa de que a fita com os sons do acidente também fossem apagados - o que não dá certo.

Os conspiradores passam a perseguir Nancy Allen, que seria a testemunha que poderia contar a história, e ao fim conseguem eliminá-la, malgrado John Travolta tente salvá-la, sem sucesso. O grito de pavor de Allen, quando em poder dos conspiradores, no entanto - num toque de humor negro -  serve para ser usado num filme de terror do estúdio para o qual trabalhava Travolta (deprimidíssimo ao final do filme),  que não era concluído porque não se conseguia achar o grito adequado. Belíssimo filme que há tempos não via. Assista!

ETERNAMENTE JOVEM - 11.06.2011, de STEVE MINER

Um filme com uma premissa interessante - como todos os que envolvem alguma viagem temporal, criogenia, ou qualquer pessoa fora de seu tempo ou lugar, mas de realização bem mediana, pra não dizer ruim.

Mel Gibson vive um piloto da aeronáutica - Daniel Mccormick, que dá uma amarelada no momento em que deveria pedir sua namorada em casamento numa lanchonete, e quando ela sai do lugar, é atropelada e entra em coma - isso em 1939.

Nesse ínterim, um militar cientista amigo do piloto está desevolvendo - e obteve êxito - um processo de criogenia. Como a moça não sai do coma, o protagonista pede para ser congelado até que ela acorde. Obviamente dá tudo errado, o cientista morre logo, antes mesmo de a moça sair do estado comatoso, e em virtude da guerra, Gibson é esquecido dentro de sua geladeira, de onde é libertado em 1992, por dois guris que conseguem entrar numa instalação militar e desligar a máquina.

Então, Daniel passa a buscar suas referências do passado (pouco estranha o mundo atual), e especial o cientista. O filme, no seu desenrolar tem essas licõezinhas de que você não deve perder oportunidades, uma ou outra cena buscando emocionar.

Quando ele passa a ter crises de dor, logo se descobre que o processo de envelhecimento é irreversível, e ele passa a envelhecer em velocidade da luz, em três ou quatro dias já é um velho. Quando consegue descobrir a filha do cientista, descobre que aquele antigo amor, que acreditava já falecida, ainda está viva. Daí, facilmente rouba um avião militar de dentro de uma base, vai até o lugar onde ela está - e viveram felizes para sempre - e nesse para sempre, dado o processo de envelhecimento acelerado por que estava passando, acredito que fossem mais umas duas horas. É isso. Se tiveres outra coisa a fazer, faça.

quinta-feira, 2 de junho de 2011

A MARCA DO VAMPIRO - 1935, de TOD BROWNING - 02.06.2011

Filme com Bela Lugosi, não é o Dracula original, também por ele estrelado, porém em 1931. Este filme, de quatro mais tarde, fala sobre vampirismo também, e o personagem de Lugosi é o Conde Mora.

O filme começa com a população de um lugarejo não identificado na Europa rezando, cantando e se protegendo com "bat thorns" - espinhos para vampiros/morcegos e um casal de forasteiros zombando das crenças locais sobre vampirismo - e desconfiança aos habitantes do castelo Conde Mora e sua filha.

Sir Karrell foi assassinado, e na investigação médica, o Dr Doskill conclui que foi morto por um vampiro, com o que não consegue concordar o policial, Inspetor Neumann. Um ano depois, a filha de Karrell, prestes a casar-se, é também atacada - assim como seu noivo já fora.

É então chamado o Professor Zelen, encarnado por Lionel Barrymore - que seria mais ou menos o Van Helsing da obra original de Bram Stoker. Este concorda com o diagnóstico do médico, e ao descobrir que o castelo foi locado exatamente ao Sir Karrell, "morto" há um ano. Quando vão ao caixão de Karrell, este está vazio.

Mais adiante, tudo se revela uma puta de uma farsa, e Karrell Borotin tem fingido que foi atacada, assim, como o seu suposto pai morto-vivo em verdade é um sósia do pai morto, e todos eles, junto com o policial Neumann, na verdade estão tentando demonstrar a culpa do Barão Otto, que ficou como tutor de Irina, e portanto, administrador da herança de Sir Karrell. Além disso, com a notícia de que ela se casaria, Barão Otto perderia a administração da herança, bem como Otto não teria como desposá-la, como parecia ser seu plano.

Como complemento desse plano, o Pofessor Zelen hipnotiza Otto e o faz recriar a cena do assassinato tal como há um ano, desmascarando-o. O filme encerra com Luna e Mora, na verdade atores circenses, se desfazendo de seus disfarces vampirescos, e combinando que dali pra frente Lugosi será o vampiro nas esquetes protagonizadas por Mora.

As primeiras cenas são muito bem filmadas, com bela fotografia, e há um clima com trilha sonoroa bem interessante para manter um clima de terror, evidentemente, com recursos técnicos muito parcos - que podem cansar a guriada acostumada ao playstation - a se considerar que estávamos em 1935. Acho que o Bela Lugosi tem duas ou três falas, mas mesmo assim impõe sua figura reconhecidíssima como o Drácula cinematográfico. Vale a pena, é um filme curto, em uma hora se consegue boa diversão.

segunda-feira, 18 de abril de 2011

VÍCIO FRENÉTICO - WERNER HERZOG - 15.04.11

Nicolas Cage está muito bom no papel de um tira corrupto - embora muito dos críticos tenham dito que ele está over, com tiques, falando de si mesmo, aplaudindo a si mesmo, conversando com si mesmo no filme - viciado em crack, cocaína, heroína, que trabalha em Nova Orleans.
O filme ocorre logo após o Katrina, e inicia com Cage salvando um preso que iria morrer afogado dentro da delegacia após as enchentes (meio a contragosto, até chega a apostar em quanto tempo o cara iria morrer), e por isso, sendo promovido a Tenente - mas já vivendo com dores excruciantes e viciado em Vicodin (não é possível saber, e me parece que não, se o tal salvamento teve a ver com as dores nas costas).
No exercício do cargo de tenente, lhe é dada a condução de uma investigação sobre a morte de 5 africanos que teriam invadido o território e mercado de um traficante da região.
Em seu caminho, comete extorsões - principalmente para conseguir droga, furtos, alia-se ao traficante Big Fate (vivido por Xzibit) para dar-lhe proteção policial.
Está endividado com o seu bookmaker (que obviamente só representa o real apostador, aquele que paga e principalmente cobra as apostas), enrola-se ao proteger sua namorada (a prostituta vivida por Eva Mendes) de um filho de um político da região.
Então, todas os problemas em que está metido dão errado de uma só vez, perde no jogo e não tem mais dinheiro para apostar - tanto que extorque um jogador do time para que perdessem (e quando começa a ver o jogo, eles estão ganhando por larga diferença), a confusão da puta com o filhinho-do-papai-político o leva à ser vítima de uma extorsão de bandidos italianos que querem 50 mil dólares para resolver a situação.
Num lance que a mim me pareceu mais de sorte de que planejamento, a situação que tinha saído de controle se resolve com a morte dos italianos (e o filho do político vem lhe pedir arrego) pelos traficantes negros de New Orleans, a virada no jogo de futebol e uma grana para pagar suas dívidas de jogo, e por fim, a prisão desses mesmos traficantes por uma prova plantada pelo policial vivido por Cage - que os incrimina no caso da chacina dos africanos.
Em decorrência dessa "perfeita" atuação na descoberta dos assassinos, ele é promovido a capitão, e na solenidade de sua promoção, passado um tempo, tudo está na mais perfeita ordem. Ele não se droga, sua mulher/puta está grávida e limpa, seu pai e madrasta (que até então não tinham entrado na minha história, e realmente são bastante secundário) também largaram a bebida.
Tudo vai bem, mas Cage tenta uma recaída, numa cena praticamente reprisada de extorsão a jovens que saem de boates com drogas, mas quando vai chapar o coco, aparece aquele semi-afogado da primeira cena, que ajuda Cage (esse final é meio fraco, mas vá lá). De qualquer forma, a frase de Cage para o seu "anjo" é boa: "Às vezes eu tenho um dia ruim". E quem não tem?

O PRISIONEIRO DA ILHA DOS TUBARÕES - JOHN FORD, 1936, 17.04.11

O filme começa em 9.4.1865, naquele que acredito ser o dia do término da Guerra Civil, pelo que depreendi do filme (e foi mesmo, com a capitulação dos Confederados frente à União, Gal. Lee rendeu-se perante Gal. Grant), embora ainda tenha havido rendições posteriores, este ato foi significativo.
Em 14 de abril, no teatro Ford, Lincoln é assassinado, porque Booth acreditava que a morte do presidente poderia manter na guerra as divisões que ainda não haviam se rendido.
Dr. Samuel Mudd, o médico que tratou do assassino do Presidente americano Abraham Lincoln - John Wilkes Booth, enquanto esse fugia, foi acusado de conspiração para o assassinato, e condenado à prisão perpetua em Tortugas Island, ao uma ilha ao Sul da Flórida, por um tribunal militar, em que, segundo o filme, foram claras as instruções para condenação, sem dar ouvidos à defesa, direitos civis, etc.
Ele, na prisão, tem uma primeira tentativa de fuga - frustrada, e somente quando há uma epidemia de febre amarela - que vitimou o médico oficial da penitenciária, tendo Samuel que tomar o lugar do médico, controlando a epidemia - Samuel é valorizado e salva aquela gente (cerca de 3000 pessoas, entre prisioneiros e guardas). Por causa dessa sua atuação, e com base em petição feita pelos guardas do presídio (e segundo a wikipedia porque seu advogado, um general, tinha contato no gabinete do presidente Johnson), Samuel recebe um pedido de clemência e pode voltar a sua casa - quando se encerra o filme.
Pelo que li na "grandessísima" wikipedia, há várias imprecisões no filme sobre a vida de Samuel Mudd, e até mesmo dúvidas sobre a participação ou não de Mudd na conspiração, bem como do tratamento que recebeu na prisão, que só teria sido agravado após sua infrutífera tentativa de fuga. Samuel, aparentemente, era escravocrada, do estado do Wisconsin. O filme traz, na verdade, curiosidades sobre o assassinato de Lincoln e, principalmente, sobre a guerra civil. O filme vale a pena.

segunda-feira, 11 de abril de 2011

1984 - abr.2011

Não há como sentir as sutilezas do livro neste filme. O livro é das melhores coisas que já li. Uma crítica devastadora ao socialismo soviético.
John Hurt faz o papel de Winston Smith. Suzanna Hamilton (a quem não conhecia) faz o papel de Julia.
Não há como captar os monólogos internos de Winston Smith, as suas dúvidas, o seu inconformismo com o INGSOC - o socialismo inglês. O gim intragável, o cigarro vagabundo, a comida sempre a mesma.
A nostalgia do que não conheceu também não pode ser sentida em toda a intensidade no filme.
Acho que o trabalho de John Hurt está bem feito no papel do proletário Smith.
A discussão sobre o que o Estado consegue fazer com o indivíduo, mesmo com a fraqueza do filme, ainda consegue ser bonita. Pode o Estado destruir até o que há de mais íntimo, de mais pessoal do indivíduo.
O encadeamento da impotência perante o Estado, o incoformismo, a revolta (e o relacionamento com Julia), a passagem à resistência, a captura, a rendição e a capitulação não é tão bem demonstrada.
A parte mais longa do filme é a tortura infligida por Richard Burton - O'Brien - a Winston Smith, para destroçá-lo psicologicamente, até o clímax com o ratos, em que Winston pede que se faça tudo a Julia, sendo este momento aquele em que aquilo de mais íntimo foi roubado pelo Estado.
A conversa final entre Winston e Julia não tem o mesmo drama, e a declaração de amor ao "grande irmão" também não tem o mesmo impacto.
Como li por aí, sem ler o livro, o filme tem pouco impacto. Para quem leu, fica um pouco melhor.
Um livro nota 10, um filme nota 6, pois praticamente não se sente a opressão estatal como ela efetivamente devia ser. FADE OUT. THE END.

sexta-feira, 8 de abril de 2011

OS 39 DEGRAUS (1935) - HITCHCOCK, MAR.2011 e 15.09.2011

É um prazer assistir a este filme.
Uma espiã - Annabela Smith - seduz um inocente útil (Richard Hannay). Este, mesmerizado pela facilidade da conquista e pela beleza da desconhecida, a leva a sua casa.
A espiã é assassinada dentro de sua residência, e ele passa a fugir, por dois motivos: é o suspeito do assassinato, e passa a ser perseguido pelos espiões que a perseguiam - presumindo que Hannay saiba o que a espiã sabia.

Ela conta parte do que sabe, especialmente que um segredo industrial está prestes a ser levado (roubado) da Inglaterra - mas não explica o que são os 39 degraus, e em teoria, o protagonista saberia de que forma isso se daria, porque a organização terrorista imagina que Annabela contou tudo a Richar. Ele, em sua fuga, vai em busca de saber o porque de ter se metido nessa enrascada. Annabela ainda conta que o espião tem diversos nomes, e aparece sob diversas formas, mas o que permite identificá-lo é a falta de parte do dedo mínimo.

Nessa viagem - em que ele realmente se desloca para a descoberta, ele dá de frente com seus inimigos, que tentam matá-lo e, quando este consegue fugir, passam a persegui-lo.
Há uma cena interessante de Hannay na casa de um homem do campo casado com uma mulher que viveu na cidade e vive o tédio do interior, e há um flerte entre os dois, não consumado, mas a atração mútua e a reação do camponês são muito interessantes, e na hora da saída Richard recebe um sobretudo escuro para dificultar que o vejam durante a noite.
Hannay vai dar exatamente na casa do espião inimigo, e lá quase é morto - mas salvo por um livro de cânticos religiosos que estava dentro do casaco que lhe foi dado na casa de campo.
Durante todo o filme Richard cruza com Pamela (Madeleine Carroll), que nunca acredita em sua história e constantemente o faz ser perseguido ou mesmo preso. Somente quando ela mesmo ouve pessoas mandadas pelo Professor Jordan falarem sobre o caso e combinarem o roubo do segredo industrial no teatro em Londres ela passa a acreditar em Hannay.

"Os 39 degraus" fazem referência a algo que, durante quase todo o filme, não se sabe o que é (nosso "herói", inclusive). Somente ao final vai se saber que é uma organização secreta, e que seria a responsável pelo roubo do segredo industrial.
No filme, há uma personagem de teatro de variedades - Mr. Memory, que tem como característica uma memória prodigiosa, que anuncia que a cada dia toma conhecimento de cinqüenta novos fatos e não mais os esquece. O filme abre com o protagonista vivido por Robert Donat, assistindo a este show.

No final,  em desespero e em fuga, ele entra no teatro onde tal personagem - o prodígio de lembranças - se apresenta, e ele pergunta ao memorioso o que são "Os 39 degraus", e quando este começa a explicar o que são os tais degraus - uma organização secreta para ..., recebe um disparo do chefe da espionagem - Professor Jordan.
No backstage do teatro, perguntam-lhe, moribundo, qual o segredo. Ele dispara o segredo (uma fórmula química, se bem me lembro) e reclama, extenuado, que não aguentava mais guardar o segredo, que lhe consumira tanto tempo para decorar e tanto espaço de sua memória.
Desmaio (ou morte) do memorioso e Pamela entrelaça suas mãos com as de Hannay. The end.
Lendo as entrevistas de Hitchcock com Truffaut, eles fazem um interessante comentário, sobre o dever profissional do memorioso, dizem que este faz de sua profissão algo maior do que a obrigação de guardar o segredo, e conta o que sabe.
Vale a pena.
Nota IMDB - 8,0. É daí para mais. Grande filme. O ápice de Hitchcock em sua fase inglesa.

ROBIN HOOD

Eu gostei. O filme termina onde começam os outros Robinhoods que vi. Na verdade, eu só vi o do Kevin Costner, que é uma bomba. Admito a falha de não ter visto o filme com o Errol Flynn.
O Russell Crowe, contudo, tem aquele cacoete de Gladiador que ele incorporou definitivamente. O fortão com cérebro.
Mas o filme é bem divertido. A assunção de uma falsa identidade - Robin de Loxley, assumindo-se filho do lorde Loxley (vivido pelo ótimo Max Von Sydow, de quem sou fã desde O Sétimo Selo), e neste papel, toma assento (preponderante) ao lado dos outros lordes ingleses na rebelião contra o trono.
O ator que faz o assessor real e traidor da coroa em favor da França (Godfrey) me parece muito bom - Mark Strong. ele é o inteligente jordaniano Hani em Rede de Mentiras, Lord Blackwood em Sherlock Holmes;
O rei João, é o Rei João sem Terra, que em 1215 vai promulgar a Magna Carta, primeiro documento legal de grande importância para limitação dos poderes reais. Até hoje as quando se fala na Constituição de um país usa-se a "magna carta" como sinônimo para o diploma legislativo máximo de uma nação.
Enfim, o filme descreve a trajetória de Robin desde um simples arqueiro do Exército cruzado do Rei Ricardo Coração de Leão (com quem se dá mal após ser honesto e lhe dizer a sua opinião sobre um determinado massacre durante a campanha), sua deserção no momento da morte do Rei, em batalha, a assunção de um falso papel de emissário da notícia da morte do Rei (em vez do real Robert Loxley), e nessa condição, um dos negociadores das concessões reais (a tal Magna Charta), e objeto da ira do Rei João, que renega a carta, num primeiro momento (muito depois esta terá seus efeitos revigorados, mas essa é uma outra história não contada aqui e nem no filme), impondo sanções aos lordes e seus burgos ou vilas, levando a comunidade de Loxley a viver na selva. Aqui o filme acaba.
Como se sabe, essa vivência no meio da floresta de Sherwood é que é contada nos outros filmes.

domingo, 5 de dezembro de 2010

ENCONTRO DE CASAIS

Perdi os primeiros minutos do filme, mas na verdade, não perdi nada. O filme é uma bomba. Uma comédia com pouquíssimos momentos engraçados.
Como não havia visto o começo da tragédia, no dia seguinte, porque todo sofrimento é pouco pra gente teimosa, resolvi assistir o início do filme no Telecine Pipoca, e confirmei a premissa idiota do filme - e a idiotice que se seguiu nos longos minutos que se seguiram.
Um casal tem problemas, e convence - por meio de uma apresentação em powerpoint - três casais amigos para ir a um resort em algum lugar do Caribe - acho - paradisíaco, para tentar consertar a relação - em princípio somente daquele casal.

Pois os outros três casais inacreditavelmente aceitam o convite, e viajam achando que estão indo ao paraíso, quando em verdade estão indo para um tour de force para consertar o casamento, e aquela diversão do hotel se torna um suplício, com rotinas xaropes, de ioga, terapia de casal, dinâmicas de grupo, etc...

Não posso deixar de notar o papel ridículo de Jean Reno, que passou a fazer personagens cômicos com sotaque francês, o que, convenhamos, é uma palhaçada que vem da Pantera-cor-de-rosa e chega ao paroxismo nesse filme pseudoengraçado. Acabou-se o ator, apareceu um paspalho. Nesse filme ele aparentemente é o dono do hotel além do guia espiritual que tentar recuperar os casamentos com lições idiotas.

Apenas Vince Vaughn parece ter algum timing da comédia, e o ator que interpreta o recém divorciado com uma namoradinha 20 anos mais nova, que sempre está cansado para qualquer coisa, também tem algumas linhas com alguma graça.
Jason Bateman, engraçado na série Arrested Development, bem em Juno, aqui faz um papel chatíssimo, de um marido controlador - ou alguma coisa assim. Nem entendi. Muito, mas muito sem graça.

No final, após algumas confusões, desencontros, sessões de terapia de casal, de todo mundo querer se separar de seus cônjuges, voltam todos às boas, pois descobrem os seus próprios problemas, e tem a chance de repará-los e consertar o casamento.

Quem fez Swingers - Favreau (escritor) e Vaughn, como ator - se meter numa roubada desta, e mais, terem escrito essa bomba realmente impressiona. Fuja.

sábado, 4 de dezembro de 2010

A CONVERSAÇÃO - 26-28.11.2010

Um Coppola, de 1974, ao que sei, realizado entre o primeiro e o segundo "Poderoso Chefão", com Gene Hackmann em grande papel, como o "araponga" Harry Caul  especializado em grampos, gravações e filmagens - clandestinas, por óbvio.
A primeira cena do filme, que se definirá como fio estruturante de toda a história, é um grampo feito em uma praça, em que se flagra a conversa de um casal que tem um caso, sendo que a mulher está traindo seu marido. Eles conversam sobre seu relacionamento, sobre a possível reação do marido. Tudo está sendo gravado por Harry Caul e seus asseclas.
Ao se dar conta do conteúdo da conversa, Harry Caul conclui que os amantes correm risco de morte, eis que a gravação está sendo feita, presume ele, pelo marido traído.
Caul, além disso, é atormentado por um trabalho anterior, que causou a morte de alguém, e esse fantasma o assombra, fazendo com que ele queira evitar que sua ocpação redunde em nova morte. Paranóico, metódico, desconfiado, perfeccionista são alguns dos característicos da personagem de Hackmann.
No conteúdo da fita, a gravação demonstra que os amantes marcam um encontro - e Caul presume, mais uma vez, que tendo entregado a fita ao marido traído - uma ponta de Robert Duvall - quando desse encontro os amantes serão assassinados. Harry, então, hospeda-se no quarto ao lado de onde o encontro vai se dar, a princípio - parece - para evitar o crime.
Evidentemente, ele não consegue evitar o crime, mas não o exatamente esperado.
Normalmente, eu fico puto quando há uma virada no filme, me irrita pois brinca com o espectador. Para se criar um twist crível, é preciso saber o que se faz, e não há dúvidas de que Coppolla sempre soube o que fazer com a câmera.
No dia seguinte, ao sair do hotel, imaginando que o casal - ou pelo menos a mulher, pelo que pode presenciar da sacada de seu quarto - foi morto, ele vê a mulher em uma limousine em frente ao hotel, e descobre que, em verdade, quem foi morto foi o marido traído - era o dono e ricaço dono de uma empresa.
Então, ele se dá conta que o casal estava arquitetando a morte do corno. O amante trabalhava na empresa do morto; seu assessor - um papel secundário de Harrison Ford, também, e parecia parte do plano.
Harry Caul fica estupefato, reinterpreta tudo que gravou, e se dá conta que na gravação estava o planejamento do que ia ser feito - o homicídio - e não o registro dos medos do casal.
Harry tenta tomar satisfação - mas logo recebe um aviso: nós sabemos que você sabe, mas você vai ficar quieto; nós estamos gravando você.
Caul fica absolutamente paranóico, e sente sua profissão se voltar contra si.
A cena final, em que Gene Hackmann, paranóico, desmonta/depena todo seu apartamento, retirando todos os quadros, tomadas, lustres, papel de parede, aberturas e até o piso, para ver se não está sendo grampeado é muito boa. Com a casa toda fudida, ele, prostrado, senta-se e toca saxofone - um hobby seu.
O filme expressa a dificuldade em compreender uma mensagem, ou quando menos, compreênde-la adequadamente. Todo mundo só ouve ou escuta o que bem entende. O julgamento do receptor da mensagem por vezes, independente do que realmente é falado. O filme também é um retrato dos anos 70, espionagens, desconfianças - lembremo-nos que dois anos antes do filme Nixon perdera seus cargo por intromissões indevidas. Um filme muito bom.

segunda-feira, 29 de novembro de 2010

SABOTAGEM, de HITCHCOCK - 28.nov.2010

Esses filmes do Hitchcock, da fase inglesa, são ótimos. Simples, poucos recursoso, contados rapidamente - de regra os filmes eram mais curtos. Esse tem pouco mais de 70 minutos, foi feito em 1937.
O filme começa mostrando a definição de sabotagem no dicionário. Corte. As luzes tremulam e então há um blecaute. Começada a investigação, logo se descobre o que houve, quando encontra areia no gerador, talvez. O policial decreta: sabotagem!
Bom, já se sabe mais ou menos o que houve.
Verloc, um imigrante, passa a ser o suspeito -provavelmente já o era - e um policial da Scotland Yard, disfarçado de feirante em frente ao cinema explorado por Verloc e sua esposa Sylvia.
A primeira medida de sabotagem não atinge a repercussão esperada - é noticiado no jornal que a população londrina se divertiu durante o apagão, e um novo ataque, mais impressionante - ou seja, explodir uma bomba em Piccadilly Circus - chamado no filme de "o centro do mundo".
Como a desconfiança contra Verloc aumenta, ele fica impedido de levar a bomba ao destino, dando-a para o irmão de sua esposa - Stevie, que vive junto ao casal. Ele se atrasa a ver a parada do dia do prefeito - objetivo da explosão, e a bomba explode no ônibus, matando o menor e outras pessoas.
Sylvia, inconformada com a perda do irmão, mata Verloc com uma facada - e está prestes a se entregar, quando o acaso intervém em seu favor, pois enquanto ela está fora falando com o sargento da S. Yard, um dos comparsas vai a casa de Verloc buscar uma gaiola para aves, que seria um sério indício contra tal comparsa - dono de uma loja de pássaros.
A polícia chega nesse ínterim e Sylvia provavelmente já escaparia por causa disso. Mas, então, o tal "passarinheiro" explode uma bomba, matando a ele, a Verloc já morto, e inocentando Sylvia, que no decorrer do filme tinha um flerte com o detetive interpretado por John Loder, e que, após a morte, transforma-se num relacionamento.
Numa conversa entre policiais, o chefe da polícia diz algo interessante: não adianta ir atrás das pessoas que estão por trás disso, estamos atrás daqueles que trabalham para eles. Muitas vezes é assim, na vida.

BRÜNO - 28.11.2010

Do mesmo ator que fez o ótimo BORAT, o inglês Sacha Baron Cohen, esse novo filme é com um de seus personagem - Brüno - um repórter fashionista austríaco, ao lado do repórter cazaque Borat, e do rapper inglês Ali G. Havia até um seriado Ali G Indahouse, em que as três personagens tinha seus esquetes. Muito bom.
Esse filme vai numa linha parecida com a de Borat, com humor escrachado e ofensivo - o melhor que há, a meu sentir - e também com uma viagem do estrangeiro aos Estados Unidos, assim como fizera Borat.
Após Brüno perder seu programa de televisão na Áustria,


Cenas escatológicas - a relação sexual entre Brüno e seu assistente - um asiático baixinho, Diesel - com traquitanas e com um garrafa de champanhe introduzida no ânus do baixinho; piadas com Adolf Hitler - Borat se diz a segunda pessoa mais importante da história da Áustria (ou alguma coisa assim) e que ele é a pessoa mais contestada da Austria desde o ditador da Alemanha; pegadinha com um pastor evangélico que cura viadagem; com as celebridades que adotam crianças africanas; com o interior americano homofóbico, com concurso de beleza mirim e a exposição das crianças a qualquer coisa pelo sucesso, com o judaísmo (Sacha é judeu, a propósito): nada escapa. O filme é para quem consegue achar graças nessas situações.


Nesses tempos de "politicamente correto", muita gente irá desgostar. Que bom - esses chatos tem é que os filmes do Moacyr Góes, ou da Xuxa, ou Nosso Lar.

SE BEBER, NÃO CASE (THE HANGOVER)

Uma comédia a que assisti pela segunda vez, a primeira no cinema, a segunda, em casa. Algumas piadas são muito boas, há cenas engraçadíssimas.
O filme chama "A RESSACA", o título brasileiro é bastante idiota, mas vamos lá.
Quatro amigos - em verdade três amigos e o irmão da noiva Alan, o ótimo Zach Galiafianakis - que andou fumando maconha ao vivo, na TV americana, por estes dias - vão a Las Vegas para a despedida de solteiro de Doug.
Chegam ao hotel, alugam a melhor suíte e se preparam para a noitada. Vão ao terraço, fazem brindes, bebem e tomam alguma droga. Fade out. Fade in, e já estamos na manhã seguinte, com três dos festeiros (o noivo sumiu) no quarto que está numa zona. Há um galinha, um tigre no banheiro (furtado de Mike Tyson, que faz uma boa ponta), e um bebê.
Quando se dão conta do sumiço do noivo, e não lembrando nada do que houve na noite passada, passam a reconstituir seus passos, e as cenas engraçadas se sucedem, com um casamento com uma stripper - mãe do bebê, furto do tigre do Tyson, uma ida ao hospital, um dente auto-extraído, um carro de polícia igualmente furtado, etc.
Não há muito enredo, só piadas visuais - por exemplo fazer o bebê simular masturbação - e de texto muito boas. Vale a pena.  

sexta-feira, 26 de novembro de 2010

UMA RAJADA DE BALAS

Clyde Barrow e Bonnie Parker eram nada mais do que dois jovens que dos 20 a 24 anos fizeram dos assaltos a bancos seu modo de vida no Sul e Meio-Oeste dos Estados Unidos, acho que entre 1930 e 1934 - ou seja, bem na grande depressão americana. Um, ex-presidiário, outra, casa com um presidiário, se conhecem e iniciam a empreitada criminosa.

Diz-se que este filme teve grande importância histórica fílmica, apropriando-se de elementos da nouvelle vague francesa, uma mistura de violência, sexualidade (ou falta dela - Clyde é impotente e com sua arma sempre consegue se desvencilhar dos policiais, e como bem assinalou Merten, quando ele finalmente faz sexo com Bonnie, logo depois a polícia os encontra, alcança e mata), e uma narrativa da história dos assaltantes sem moralismo ou pré-julgamentos. Os críticos dizem que sem esse filme, Coppola, Scorsese, Hopper, não conseguiriam fazer alguns de seus filmes. Que essa época um pouco mais liberal e autoral  foi extinta com o surgimento dos blockbusters - era iniciada com Tubarão, de Spielberg.

Nesse périplo de três ou quatro anos das personagens, com diversos assaltos, seqüestros, invasões, assassinatos de civis e policiais, e com o auxílio de um bando variável, fizeram-se conhecidos e, algumas vezes, admirados pela população. Talvez o fato de assaltarem bancos, logo após a grande depressão - até há uma cena em que pessoas que perderam a casa para um banco reclamam desse fato - fizesse com que fossem vistos como "ro bins hood" daquele tempo.
Há uma cena em que eles, em fuga, chegam a um "acampamento", que parece era comum entre os pobres na depressão (ao menos do que lembro de cenas de Vinhas da Ira - filme a que ainda não assisti), e são idolatrados (melhor, admirados) pelas pessoas do povo.
Os assaltos são menos mostrados do que a fuga em si, e a relação entre Bonnie e Clyde bem como entre estes e o restante do bando. Não tenho o conhecimento fílmico para compreender as novidades que o filme representou, mas o filme é bastante agradável de ser visto.

quinta-feira, 25 de novembro de 2010

GATTACA: EXPERIÊNCIA GENÉTICA

Parece que, no Brasil, sempre há a necessidade, ao traduzir o título do filme para o Português, de tentar explicar alguma coisa a mais do que o título original traz ínsito.
GATTACA é o nome do filme. Descobri, pesquisando, que o nome é uma representação da cadeia de moléculas C, G, T, A que formam a cadeia de DNA. Daí, vendo-se o filme, vai-se descobrindo que Ethan Hawke (Vincent) é um filho comum, de um casal comum, quando a "moda" já era extirpar os rebentos de quaisquer defeitos genéticos. Seu irmão mais novo (Anton) é o "filho perfeito", ao menos geneticamente. Por causa dessas diferenças, certa feita Vincent abandona a casa paterna.
Na vida comum, esses defeitos o impedem de assumir lugares mais desejados na sociedade, pois a sua genética já o predispõe a lugares mais altos ou Eugenia, controle social, predisposição na hierarquia social, são alguns dos problemas mencionados no filme. Vincent passará a ser faxineiro na estação espacial - seu sonho desde sempre fora ser astronauta.
Vincente, então, prejudicado por seus problemas genéticos, só vê um caminho para ascender e poder cumprir seus sonhos - disfarça-se de um ser superior geneticamente - Jude Law (Jerome)- que sofreu um acidente, e ficou paraplégico.
Com amostras de urina, de sangue, restos de pele e cabelo, Vincente consegue o emprego de "astronauta" em Gattaca - um centro aeroespacial - e até ser incluído em uma missão espacial a uma das luas de Jupiter (ou Saturno - sei lá).

Paralelamente, há um assassinato dentro de Gattaca, e material genético de Vincente (e não de Jerome) é encontrado - ainda que não se consiga localizá-lo, pois vive como se Jerome fosse. O policial que investiga o caso, saber-se-á ao final, é o irmão de Vincente - Anton, numa sub-trama muito mal explicada, ao menos segundo minha pouca inteligência.

No final - feliz, por supuesto - Ethan Hawke (Vincent) consegue decolar em sua missão espacial, não sem antes ter ganho a condescendência do médico que fazia os exames de sangue e urina, regularmente, que por ter um filho também "defeituoso", digamos, admira a obstinação de Jerome; ter ganho a Uma Thurmann para si (e mesmo esta sabendo da "condição inferior" do mocinho do filme). 

real Jerome provê um estoque infinito de sangue e outros fluidos corporais e restos de pele e fios para que Hawke possa viver eternamente como um privilegiado que na verdade não é. Jude Law suicida-se - não sem antes agradecer ao Vincent por ter-lhe dado uma esperança, uma perspectiva.

É um filme agradável, essas questões eugênicas, de determinismo social são interessantes de serem discutidas, malgrado, como sempre, tivesse de haver uma mensagem de esperança, de que contra tudo e contra todos, com força de vontade, disciplina, entrega, é possível derrotar esse estado de coisas pré-determinadas. Acredita quem quer.  

quinta-feira, 18 de novembro de 2010

PET SEMATARY - CEMITÉRIO MALDITO

Revi ontem o filme, a que já assistira há dois ou três anos. O filme perdeu um pouco do encanto do inédito, mas ainda tem passagens incríveis, algumas boas atuações, uma ótima idéia - a morte, o ressuscitamento de um falecido como um avatar maldoso de si mesmo.

O início do filme, com os caminhões passando em alta velocidade diante de residências, já prenunciam que dali coisa boa não sairá. É daquelas "dicas" que indicam um rumo mas não estragam as surpresas do filme.

O velho Jud (Fred Gwynne)- o Herman Munster, de Os Monstros, está muito bem no papel do velho local, vizinho da família Creed - que chega ao interior do Maine vinda de Chicago, e que conhece os segredos do Pet Sematary - na verdade, do Cemitério indígena além do Cemitério de animais, criado em razão dos diversos atropelamentos de animais naquela rodovia infestada de caminhões.

O ator principal é fraco, mas com a boa história passa-se por cima deste problema.
Exibe-se um quadro geral até que os problemas surjam. Jud mostra o cemitério e explica o que ocorreu. Missy, a empregada, queixa-se constantemente de suas dores estomacais. Pascow, um estudante, morre atropelado na estrada e, no primeiro dia de trabalho na Universidade - em que é médico - recebe o cadáver que mesmo morto, acorda e fala com médico, chamando-o pelo nome e advertindo-o em relação a não passar certas barreiras - "não vá ao lugar onde os mortos caminham" (isso porque passa a assombrá-lo e o conduz ao Cemitério, onde faz a advertência). A filha do casal, ao deparar-se com o assunto "morte" - dos animais - diz que não quer nunca perder seu gato Church (Winston Churchill).

Pois bem, quando a família vai a Chicago para o Dia de Ação de Graças, Louis - que não se dá bem com os sogros - fica no Maine, e aí o FDP do gato é atropelado. Com medo da reação da filha (Ellie), e em conversa com Jud, este mostra um modo de 'ressuscitar' o gato no Cemitério (indígena, o lugar em que os mortos caminham, segundo Pascow). O gato fica estranho, malcheiroso, "malvado", até.

Missy, a empregada se mata, dizendo-se com câncer - não se sabe se realmente ela tem a doença ou não.

Tudo corre bem até a hora em que a merda acontece - o caçula da famíla (Gage) Creed é atropelado por um caminhão. Enterro, briga familiar, a família vai pra Chicago e mais uma vez Louis leva um morto ao Cemitério.
Elliot, a filha, tem várias premonições divinatórias - ou mensagens do fantasma de Pascow - durante os sonhos: sobre o que houve com o gato, o que houve com Gage, com o risco que sua mãe correrá.
Quando Gage volta, ele é um capeta em forma de guri. Mata o velho Jud, mata a mãe (Rachel Creed - que voltou de Chicago de avião, de carro, e por fim de carona em um caminhão da Orinco, n. 666),
até que o pai dá-lhe uma injeção letal: o guri percebendo que irá morrer diz duas vezes para o pai, ternamente: It's not fair. It´s not fair.

Pra terminar, Louis ainda ressuscita sua mulher - para o desfecho já esperado, mas há de se assistir ao filme.

O que é a morte; como suportá-la, como enfrentá-la; tudo isso são discussões que este filme levanta. Fala-se sobre a morte nos Cemitério dos Animais; fala-se após a morte de Missy; após a morte de Gage; sobre a morte da irmã de Rachel, anos atrás - de meningite - e quais as possíveis reações a este futuro e certo evento na vida de cada vivente. Bom filme. E ainda dá pra curtir duas músicas do Ramones - Sheena is a Punk Rocker e Pet Sematery. "Sometimes, dead is better".

terça-feira, 16 de novembro de 2010

JFK: A PERGUNTA QUE NÃO QUER CALAR

Oliver Stone, como quase sempre ao filmar, primeiro fixa seu norte, sua convicção, e então faz um filme que plasme na tela as suas convicções. Quase sempre, igualmente, tem uma maneira interessante de contar a história - sim, muitas vezes trata da História não sendo um mero contador de estórias - do jeito que a entende.
Nesse JFK, analisando o assassinato do então presidente americano John Fitzgerald Kennedy- que só no Brasil teve como subtítulo "a pergunta que não quer calar" -, traz uma série de dados interessantes que, contudo, não tenho como avaliar se realmente retratam fatos não investigados - ou investigados mas não relatados ou sonegados ao final da investigação pela Comissão Warren - presidida pelo Chief of Justice Earl Warren (Presidente da US Supreme Court) , sobre o assassinato do Kennedy, ou se nada mais são do que hipóteses e maquinações elucubratórias do cineasta ou do District Attorney Jim Garrison (eu conheço os promotores um pouco, e às vezes, eles têm imaginação bastante fértil).

No filme, dá-se por certo que Kennedy, atravancando interreses variados - os mais explícitos o do complexo industrial-militar que se opunha à retirada das tropas americanas do Vietnã, e que com isso causaria grandes prejuízos econômicos e de poder àquela turma - deveria ser eliminado, com a assunção do poder pelo vice Lyndon Johnson, um presidente mais receptivo às idéias dos conspiradores,  tanto que logo após assumir o ofício, edita atos legais que aprofundam severamente a Guerra do Vietnã. Se considerarmos que Kennedy pretendia iniciar a retirada das tropas já no ano de sua morte, em 1964, a evidência de que a guerra seguiu até 1970 dá alguma substância à tese conspiratória.
Nesse bololô, entrariam a CIA, o FBI, a Máfia, a Presidência da República, os lobbies da indústria.

São apontadas também razões para o assassinato  decorrentes da conflituosa relação entre EUA e Fidel Castro, em Cuba, aliado da URSS. Que o fracaso da tentativa de invasão americana na Baía dos Porcos não deveria ser repetido, razão pela qual Kennedy desbaratou todo um aparato paramilitar de anti-castristas, que planejava nova invasão e destituição de Fidel do Poder.
Nesse grupo anti-castrista é que se localizariam os principais personagens operacionais do plano, dentre eles Clay Shaw, David Ferrie, Lee H. Oswald, entre outros. Os arquitetos do plano ficam apenas subentendidos.

Refuta-se por completo a teoria do "alone man", dando-se por impossível que Lee Oswald tivesse agido sozinho, quer pela impossibilidade de de disparar três tiros em tão pouco tempo, quer pela possível origem dos tiros não apenas do prédio em que Oswald estava, mas também por detrás da cerca. Igualmente a análise cronológica do atentado, a hora dos tiros, a movimentação de Oswald, o tempo (rapidíssimo) da notícia culpando o nosso atirador solitário, tudo levaria a crer, segundo Stone, que o rapaz foi um bode expiatório - logo sacrificado pelo tiro de Jack Ruby - que tinha ligações com a Máfia.
É um bom thriller político, que mistura elementos de filme policial, de filme de espionagem, e de filme de tribunal - a parte final é o julgamento do caso Clay Shaw (Clay Bertrand), acusado pelo D.A. Jim Garrison de conspiração para o assassinato do Presidente.
No julgamento - e é bem razoável a conclusão dos convocados - os jurados acreditam na tese da conspiração, mas não conseguem ver responsabilidade de Shaw.

As teorias da conspiração encontram, em mim, um cético, mas vai lá que o filme seja a realidade: como se alerta no final do filme, os vários documentos sonegados à investigação, à imprensa, e não constantes do relatório da Comissão Warren, só serão levados ao conhecimento público daqui a uns 20 anos (quando o filme foi feito, tal prazo era de uns 40 anos).
É um filme bastante longo, mas que vale a pena ser assistido. FADE OUT. END.

quinta-feira, 16 de setembro de 2010

WAR, INC. - GUERRA S/A

Mais uma bombinha daquelas.
John Cusack, um matador profissional, começa o filme em algum lugar frio e a imagem é granulada - bah, que novidade na história do cinema. Ele caminha na rua. Entra num bar, bate um papo com um cliente, e depois mata todo mundo. Toma um copo de pimenta e sai dali.
Pilotando seu avião ele recebe a nova missão - matar um milionário do Petróleo de um país fictício - qualquercoisajiquistão - e para lá vai, sob disfarce de um produtor de eventos que terá de produzir o casamento de uma Britney Spears do Oriente Médio e a feira de material bélico e reconstrução da empresa para a qual trabalha (Tamerlane) - que aliás foi quem destruiu o país, na primeira guerra inteiramente tocada por uma empresa privada.
Chegando lá, conhece uma jornalista idealista - Marisa Tomei, a única coisa boa do filme, e não exatamente pela interpretação, e a Britney, digo Yonica - que a final saberá ser sua filha, raptada muitos anos antes, quando sua esposa também fora morta em razão de ele ter conquistado muito inimigos.
O principal inimigo era um outro matador - Ben Kingsley também embarcou nesta bomba, que ao final se revelou o raptor da filha do Cusack.
O rapaz tem ums surtos moralistas (mas é muito bem pago por cada um de seus serviços), mata uns desgraçados, não consegue - ou melhor deixa-o viver - matar o bilionário do petróleo - de nome Omar Sharif [quase me mato de tanto rir com a citação - ha], se apaixona pela reporter escrupulosa a quem salva de ser morta por uns cineastas que filmam qualquer coisa, de video pornô de lua de mel a homicídios de reféns por grupos extremistas, impede sua filha de casar com o filho de um ricaço árabe, metido a rapper, chefe de uma ganguezinha violenta.
Fogem de avião e o plano final mostra um míssil indo em direção ao aeroplano. Fim.
Filme ruim, resenha ruim.

terça-feira, 24 de agosto de 2010

DUPLICIDADE... RAIOS DUPLOS

O filme realmente deveria chamar raios, raios duplos. Pois, por que raios fui eu assistir a essa bomba?
O filme inicia com um bla bla bla entre Júlia Roberts e Clive Owen, em um encontro em uma embaixada qualquer, e depois da conversa mole, a próxima cena dá entender que já treparam no hotel, ambos eram espiões, e que Julia Roberts deu para o rapaz só para roubar uns documentos secretos que ele trazia consigo.
Daí pra frente, o filme perde uma boa parte de seu tempo explicando que em verdade eles já se conheciam, eram um casal, e que naquele episódio, embora amantes, a Júlia enganou seu par, o que criou eterna desconfiança entre eles.
Afora isso, a história do filme trata de os espiões darem um golpe em duas empresas concorrentes da indústria farmacêutica, ambos agindo como reciprocamente como espiões duplos - ou seja, empregados na inteligência de uma mas trabalhando como espiões da outra.
Tudo gira em torno de uma nova descoberta de uma das empresas, que anuncia um novo lançamento de produto que mudaria para sempre o mercado cosmético.
Lá pelas tantas descobre-se que tal produto seria a solução definitiva pra calvície, e aí fica-se numa busca louca pela fórmula, a ser roubada da empresa que a descobriu antes do lançamento, para assim a empresa que rouba o segredo lançar antes o produto e quebrar a concorrente.
Faço parênteses: há uma cena medonha com dois bons atores - Tom Wilkinson e Paul Giamatti - se atracando no chão. Um senhor como Tom, já entrado nos seus sessenta anos, engalfinhado e rolando no chão deve envergonhá-lo terrivelmente, se forçado a assisti-la.
Pois bemm, depois de várias idas e vindas, os espiões conseguem roubar a fórmula, conseguem ludibriar a empresa que queria o tal segredo, e tentam vender a fórmula a uma terceira interessada, que tal como J. Pinto Fernandes, ainda não havia entrado na história.
Quando parecia que tudo se encaminhava para o final feliz dos espiões, que venderiam a formula a uns europeus por sessenta milhões de alguma coisa, vem uma daquelas reviravoltas que, em qualquer filme, me enojam. A fórmula secreta para a calvície não existia. Tudo era um plano da empresa que dizia tê-la para estimular a espiongagem, fazer a concorrente gastar energia em obtê-la, anunciar a descoberta do produto inexistente e assim dar uma falsa notícia ao mercado e a seus acionistas. Ha, ha, ha, que legal.
Ah, a fórmula era de um creme hidratante qualquer, assim como o filme, uma historinha qualquer.