sábado, 24 de setembro de 2011

A CEIA DOS ACUSADOS (THE THIN MAN - 1934), de W.S. Van DYKE - 20.09.2011

Essa filme de comédia-investigação com William Powell (Nick Charles) e Mirna Loy (Nora Charles) tem um ritmo ágil impressionante, diálogos ótimos, uma ótima interpretação do casal protagonista. Pena a cópia dublada apresentada no quase sempre bom TCM - que por exemplo torna quase impossível o reconhecimento do nome de Nunheim, personagem que se mostrará importante para o desenlace da história.
Tudo começa quando um inventor - Clyde Winant - tem um projeto secreto e diz ir a algum lugar que não pode revelar. Aparentemente fica por lá uns 3 meses, e no dia de natal, em que entra em contato com sua secretária, sua namorada/amante é morta.
Há vários complicadores. Sua amante morta Júlia o tinha roubado - 50 mil dólares. Sua ex-exposa e seu novo marido/gigolô Jorgensen vivem pedindo dinheiro a Clyde, e não gostavam de saber que ele gastava dinheiro com a amante. Há, por óbvio, a possível invenção que fosse objeto de cobiça de alguém.
Nick é detetive particular mas casou-se com Nora, herdeira de um rico industrial, e abandonou a profissão de investigador, devotando-se, a como ele mesmo disse, ironicamente, a cuidar para sua esposa não gastar o dinheiro que o levou a casar com ela. Bebidas e festas fazem o cotidiano do casal - é raríssimo um filme em que os protagonistas ou estejam bebendo ou de ressaca, como é comum  - todo o tempo - nesta obra.
Com o crime, Nora fica interessada em ver como seu marido trabalha, e por diversão o incentiva a aceitar o caso - com o que ele reluta inicialmente, mas todos os envolvidos vivem a lhe procurar.
Há várias personagens (suspeitas) envolvidas: toda a família Wynant (a ex-esposa Mimi, os filhos Dorothy e Gilbert); o advogado MacCaulay; o guarda-livros Tanner; o gigolô de Mimi, Jorgensen; Nunheim, pequeno bandido e informante da polícia - e possivelmente envolvido com Júlia; Morelli, bandidinho e pretenso amante de Julia, entre outros.
As pistas são desencontradas, e Nick avança na investigação, perseguindo o dinheiro de Wynant - muita gente vive às suas custas, descobrindo que Clyde já está morto e seu corpo enterrado em seu próprio laboratório, descobrindo os relacionamentos de Julia, etc.
Quando imagina que está prestes a descobrir o assassino, convida todos os suspeitos para um jantar - a tal Ceia dos Acusados (o título em português é ótimo, melhor que The Thin Man original), em que ele expõe seu raciocínio com muito charme e desestabilizando os presentes à mesa chega à solução do mistério, explicando o romance de Júlia com MacCauley, a descoberta desse romance por Nunheim e a chantagem deste para não revelar o caso - razão pela qual foi morto, as falsas cartas remetidas por Wynant dando notícia de que ainda estaria vivo, o esquema entabulado por MacCauley para continuar administrando e desviando o dinheiro do morto, para si e para dá-lo a Julia e a Mimi. Por essas linhas, já dá para saber quem é o assassino.
Mais do que o desfecho, o desenrolar do filme, com soberba química entre Powell e Mirna Loy, sua vida rica e descompromissada, sempre em festas e rodeados de amigos, com muito humor e diálogos afiados fazem deste filme uma grande opção para divertimento.
Li críticas por aí que o roteiro é quase impossível de seguir - realmente a trama se complica, ainda mais com a má dublagem do TCM, tive que voltar o filme para compreender alguns detalhes (e nem todos são compreensíveis), e além disso um elogio a Powell, que seria para o cinema falado o que Chaplin ou Keaton seria para o cinema mudo. Atuação soberba, realmente, de um ator que até agora nunca tinha visto em atuação.
Nota IMDB - 8,1. Merecido.

sexta-feira, 16 de setembro de 2011

O FUGITIVO (1932), de MARVIN LEROY - 02.09.2011

Um filme de 1932, com Paul Muni, embora com estilo de atuação ainda muito teatral, afinal só fazia 5 anos do lançamento de "O cantor de jazz", é um filme bastante bom.

Paul Muni é James Allen, um herói da primeira guerra mundial que volta para sua terra natal mas não quer mais aquela vida. Ele volta, sua mãe e seu irmão padre querem que ele volte à mesma vida de sempre, inclusive lhe sendo assegurado o emprego que detinha antes da guerra, mas ele não quer mais aquilo. Até aceita o emprego por pouco tempo, mas logo depois pede demissão, e quer fazer coisas novas, trabalhar na construção civil.

Munido apenas de seu sonho, perambula de cidade em cidade, obtendo e perdendo empregos, por diversas razões - corte de gastos, crise, não devendo ser esquecido que se tratava dos anos da grande depressão econômica americana.
Ele termina por virar um mendigo, passando fome. Quando ele é convidado por um desconhecido para mendigar um sanduíche num lanchonete, ele é envolvido num assalto sem tanto querer, pois esse seu colega é que faz o roubo e manda que Allen pegue o dinheiro do caixa. Nessa hora chega a polícia, mata o assaltante e prende Allen, que não tem como se defender sendo condenado à longa pena de trabalhos forçados em uma prisão chain gang - os presos trabalham acorrentados, logo, a turma, a gangue da corrente - da Geórgia.
Ele consegue fugir, e, pouco a pouco, se estabelece em Chicago, com seu nome alterado para Allen James, na construção civil, passando de mero servente de obras a um dos mais respeitados industriais da área, por seu mérito e trabalho.
Ele dá o azar de casar com uma aventureira, que o chantageia para que continue casado provendo-lhe uma boa vida, sob pena de delatá-lo.
Allen, no entanto, está enamorado de Helen, e quer o divórcio de Marie para poder viver com Helen. Em razão disso rompe com sua esposa, e esta  esta cumpre a promessa e o entrega à polícia. Allen, então, é novamente preso, e extraditado para a Geórgia, sob promessa de cumprir uma pena de 3 meses e receber indulto. Negado, lhe prometem que em um ano será solto, e novamente tem seu benefício negado.
Ele então arranja nova fuga, com o auxílio de seu companheiro Bomber Wells, que é morto na fuga.
Passa-se um ano em que Allen embora procurado não é mais visto, por ninguém, quando então se dá o desfecho impactante do filme, em que Allen procura Helen, apenas para se despedir, para sempre. Enquanto ele se retira, ela pergunta se ele precisa de algo, de dinheiro. Ela pergunta como ele vive agora, e a resposta cruel: I steal.
Filmaço, desses que tem a qualidade de crescer em nossa mente com o tempo. Uma crítica severa aos sistemas judiciais e prisionais - que ressocialização que nada - à violência do sistema, à degradação do ser humano - à violência por si só (pois Allen - que nunca fora culpado, mas ainda que fosse, já tinha se adaptado à sociedade e galgado posição de destaque), pouco importando a justiça.
Nota IMDB - 8,1. Daí pra mais.

quinta-feira, 15 de setembro de 2011

O DELATOR (1935), de JOHN FORD - 14.09.2011

Este filme de mais de 75 anos tem obviamente os defeitos que já apontei em outro ponto, de ser dos primeiros anos do cinema falado, o que a meu ver traz ainda uma interpretação muito teatral, até mesmo a cena do julgamento de Mulligan e depois de Gypo parecem estar sendo filmadas num tablado.

Na história, Gypo Nolan, um irlandês meio estúpido, porém muito forte fisicamente, vaga pelas ruas, sem dinheiro algum há seis meses, tendo sido recusado para ser membro do IRA pois não teve coragem de cumprir uma ordem da direção do exército revolucionário. Sua namorada, Katie, na mesma condição de penúria, passou a se prostituir.
Nesse quadro, ele avista um aviso de recompensa de 20 libras por qualquer informação que leve a seu amigo Frankie McPhillip, integrante do IRA procurado por assassinato. Ao mesmo tempo, sua namorada sonha com a felicidade em uma migração para os EUA, com passagens custando 10 libras.
Premido pela fome, pelo amor - e esperança de uma nova vida na América, pela necessidade, e com o juízo embotado por alguma bebida, Gypo delata seu amigo, que é morto pela polícia dentro da casa de sua mãe, e nosso herói de poucas idéias recebe a sua recompensa. Os integrantes do IRA logo suspeitam que houve um delator, e dizem a Gypo que ele pode voltar ao grupo dês que descubra quem foi o informante, e este não hesita em apontar Mulligan, um alfaiate como o autor da denúncia.

Gypo então inicia uma peregrinação noturna alucinada, onde vai a bares, tabernas, boates, casa de prostituição, desfazendo-se do dinheiro não se sabe se por remorso, por embriaguez, ou por bondade, eis que paga comida a muitos num refeitório "fish and chips", dá esmola a um cego, gasta com bebida na zona, dá dinheiro a uma prostituta que se parece - na imaginação dele - com Katie, paga as dívidas daquela prostituta com a dona do bordel, é conduzido por um farrista mau caráter, e por fim, dá o resto do dinheiro - naquela hora apenas 5 libras, à própria Katie. Li uma crítica sobre o filme que aponta para a frase mostrada no início do filme, de que Judas, enojado com o próprio ato, jogou ao chão as 30 moedas que recebeu por trair Jesus, querendo dar a entender que a conduta de Gypo com a grana - e com a culpa - foi semelhante a de Judas. Boa sacada.
Arrependimento, euforia com o dinheiro, atos de bondade, e mau-caratismo se misturam sucessivamente na conduta de Gypo, que é ao final, desmascarado em sua invectiva contra Mulligan e levado a confessar perante um tribunal revolucionário que foi ele o delator, mas sem saber explicar exatamente porque assim agiu, alternando suas explicações entre amor, bebida, necessidade, etc.
Antes de ser executado - os representantes do IRA justificam a execução sob pena de Gypo colocar em risco toda a resistência ao domínio inglês sobre a Irlanda -  consegue fugir. Ele se refugia na casa de Katie, pergunta-lhe onde estão as 20 libras que lhe dera (que como dito, não eram mais 20), ela se compadece e vê que ele não sabe exatamente quais os seus atos nem as reais conseqüências deles.
Katie tenta interceder por Gypo junto a Gallagher, dirigente do partido, conta-lhe onde Gypo está, mas este se mostra irredutível pelas razões já expostas. Tenta ainda interceder junto à namorada de Gallagher, e coincidentemente irmã de Frankie McPhillip - o traído - até recebendo o perdão desta e a aquiescência pela não punição (há alguns momentos no filme de exortação ao fim da violência praticada pelo IRA), mas Gallagher não cede.
Gypo é alvejado com quatro tiros, mas consegue rumar até a igreja - aparentemente esperando apenas o perdão divino - o IRA é católico, mas lá encontra a mãe de Frankie, que o perdoa, com base nas famosas palavras de Jesus aos ladrões na cruz - Pai, perdoai-lhes, eles não sabem o que fazem.
O intérprete de Gypo Nolan, Victor Maclaglen ganhou o Oscar de melhor ator pelo papel, em interpretação que eu, particularmente, considero um pouco aborrecida, basicamente um bêbado com momentos de lucidez, arrependimento, amor, mas um bêbado.
Um filme sobre o perdão - humano e divino - a culpa, o arrependimento, o peso das escolhas, e as conseqüências advindas de cada ato humano. Um pouco raso, mas tudo bem.
Há alguns momentos em que a fotografia é muito bonita, especialmente nas cenas noturnas em que a luz que vem de dentro dos edifícios ilumina o nevoeiro. É o mais marcante do filme, penso eu. 
 Nota IMDB: 7,6. Não achei tudo isso. Daria um 6 ou 6,5.

sábado, 10 de setembro de 2011

A LOJA DA ESQUINA (1940), de ERNST LUBISTSCH - 07.09.2011

Uma simpática comédia romântica protagonizada por James Stewart, ainda jovem, aos 32 anos e a desconhecida, para mim, Margaret Sullavan, baseada na peça teatral de um húngaro, razão pela qual toda a ação se passa em Budapeste. Essa mesma peça serviu como base para o filme You've got mail, com Tom Hanks e Meg Ryan (evidentemente com grande queda de qualidade).
Stewart (Alfred Kralik) é o chefe de vendas da loja de variedades de Matuschek, e vê Sullavan (Klara Novak) ser contratada, contra sua vontade, pois acha que já há vendedores suficientes. Logo se cria uma antipatia natural entre os dois no ambiente de trabalho.
Kralik tem vontade de conhecer alguém, e ele se corresponde anonimamente com uma moça, assim como Klara, e ambos consideram seus correspondentes desconhecidos, sem saber que quem se odeia no ambiente de trabalho está pelo outro apaixonado nas correspondências.

Há alguns diálogos bem afiados, personagens secundárias bem construídas, como o Matuschek, o vendedor Pirovitch, amigo-confidente de Kralik e destinatário dos esporros de Matuschek, além do office-boy Pepi, e pequenas histórias incidentais bem amarradas (como o amante e os presentes, a escolha da carteira como presente de Klara para Kralik, manipulada por este sem que ela saiba, as frustrações de Pirovitch, as despesas de um solteiro e um casado)

Quando os correspondentes marcam algum encontro, sempre há contratempos para que ele acabe não se realizando. Certo dia Kralik é demitido, pois Matuschek desconfia que sua esposa o esteja traindo com Kralik (depois se verá que era com outro funcionário), e então vai ao lugar do encontro quando descobre, com o auxílio de Pirovitch que sua correspondente é ninguém menos do que Klara. Ele entra no restaurante, conversa com Klara, mas, desapontado com o "seu amor", não se identifica como o remetente das cartas, ou seja, para ela o seu amor anônimo lhe deu o bolo.

Nessa mesma noite a reviravolta no filme, pois Matuschek tenta o suicídio ao descobrir que Vadas era o amante de sua mulher, mas é salvo pelo boy Pepi. Então, ele decide recontratar Kralik, promovendo a seu substituto na gerência da loja, Pepi vira vendedor em lugar do demitido Vadas, mas Klara está tão frustrada com não comparecimento de seu correspondente que cai acamada.
Daí por diante, Kralik começa vagarosamente a mudar seus sentimentos e sua postura para com Klara. Primeiro vai a sua casa e com a artimanha de fazê-la receber uma carta do correspondente postal dizendo que não falou com ela no restaurante porque a viu conversando com alguém - exatamente Kralik - e marca novo encontro.
Depois, já na loja, passa tratá-la melhor, e no dia do encontro, depois de algum jogo de sedução que em tese seria improdutivo, e após muito importunar Klara, dizendo-lhe que conhecera o seu amigo postal, e que este era velho, gordo, pobre, revela o número da caixa postal em que recebia a correspondência, deixando-a descobrir que era ele o remetente das cartas de amor. E foram felizes para sempre...hehe.
Nota IMDB - 8,1. Não é pra tudo isso, embora um filme bastante agradável. Nota 7.

O LUTADOR DE RUA (HARD TIMES - 1975), de WALTER HILL - 09.09.2011

Charles Bronson interpreta Cheney, um solitário sem passado (não há como saber se por exemplo ele não fora um lutador profissional) que chega a Nova Orleans com 6 dólares no bolso, em plena grande depressão, e por acaso descobre brigas de rua em que há apostas de dinheiro, sendo James Coburn (Speed) um dos "empresários" dessas lutas.
Cheney vai ao encontro de Speed para propor uma parceria, pois ele precisa de algum dinheiro - uma certa quantia e não mais lutará - e preencher algumas entrelinhas - que nunca vai se saber quais são. Na primeira luta ele vence o adversário com apenas um soco.
Speed é um viciado em jogo, e portanto vive sempre sem dinheiro, tem problemas com agiotas e a máfia de New Orleans, e para bancar a luta valiosa de seu pupilo Cheney contra o lutador do ricaço do lugar, ele precisa de grana - 3 mil dólares, que consegue através de um empréstimo e também de uma luta longe de Nova Orleans, ainda que para que eles recebessem a bolsa tivessem que cobrá-la a força, pois num primeiro momento, longe de sua área, se vêem em maus lençóis.
Com esse dinheiro eles fazem a luta contra Jim "skinhead" Henry, o então melhor lutador da cidade, agenciado pelo tal ricaço e poderoso (Gandil), e Charles Bronson vence. Gandil não se dá por vencido e não quer não ter sob seu domínio o melhor lutador, e tenta contratar Bronson por uma certa quantia e em parceria com Speed, mas Cheney rejeita o negócio - quer fazer as coisas de seu jeito. Por isso, como Speed precisa de dinheiro (perdeu no jogo o que ganhou com as lutas e não pagou o empréstimo, ainda devendo aos mafiosos), ele e Cheney se desentendem, e as ameaças a Speed aumentam.
Gandil, então, faz um arranjo com a máfia, garante o empréstimo de Speed dês que Cheney volte a lutar contra um contratado de Gandil (que também só luta a dinheiro), trazido especialmente de Chicago para tal fim, enquanto Speed é mantido refém, para que Cheney se convença que precisa lutar, apesar de ter rompido com seu antigo parceiro. 
A aposta dessa luta será Gandil x Cheney, pois como Speed perdeu seu dinheiro, Cheney é obrigado, para lutar, a colocar em jogo o que conquistou nas brigas anteriores, pondo em risco o seu plano de só lutar até conseguir o necessário. Mas ele vence, fica com seu dinheiro e o dobra, esse dinheiro da vitória a Speed e seu assistente, pois o que ele precisava ele já tinha. E assim, vai embora de Nova Orleans, tendo cumprido sua missão - ao menos em parte, o dinheiro - pois as entrelinhas, talvez a tentativa de um relacionamento que não dá certo porque ele não quer ter nenhuma amarra, isso ele não conquista.
Acho que a própria chamada do DVD, aí em cima, de que "naqueles dias [da grande depressão], as palavras não dizem muita coisa". É um filme com o estilo de Charles Bronson, poucas palavras, mas olhares e muita ação. É um tempo de dureza, e as coisas só são conquistadas por quem é duro na queda, ganha na porrada, contra uma situação dificílima - economia quebrada, o lutador mais bem pago, etc.
Apenas para constar, Walter Hill dirigiu os 48 Horas, com Eddie Murphy, A Encruzilhada e especialmente The Warriors (Os selvagens da Noite) - de que eu gosto muito.
Nota IMDB - 7,2. Não vi tudo isso (Inácio Araújo falou bem do filme). Daria um 6.

quarta-feira, 7 de setembro de 2011

SERPICO (1973), de SIDNEY LUMET - 02.09.2011

Frank Serpico, um policial recém ingresso na força de Nova Iorque (vivido como se pode ver por Al Pacino), logo percebe que onde quer que vá - e durante o filme ele passa por quatro ou cinco delegacias diferentes, os policiais são corruptos, e recebem dinheiro e várias outras formas de vantagens para "dar proteção" a comerciantes, o que já consistia uma prática por demais usual, e não fazer parte desse esquema o deixa isolado e em perigo.
Muitos tentam demovê-lo dessa conduta honesta, pois ela coloca em risco os próprios policias corrompíveis, que ficam com medo de um haver um tira honesto no meio deles.
Essa postura afrontosa de Serpico o leva a mudar de delegacia, quase sempre a seu pedido, primeiro indo para o setor de identificação criminal - onde em tese não haveria corrupção, depois passa a trabalhar como policial à paisana, a P2 brasileira, em que em tese não precisaria estar tão ligado à burocracia policial e mais afastados dos esquemas, mas os episódios de corrupção não diminuem, nem a pressão que os demais exercem sobre ele para que ele aceite dinheiro.
Serpico é um policial pouco ortodoxo no seu modo de ser, é apaixonado, é uma pessoa sedutora, vive com cabelos compridos, barba espessa, brinco, ama ballet, tem namoradas e nas horas de folga vive como se não fosse um policial, mas no cumprimento de seu mister é inflexível.
Ele tenta desbaratar a corrupção por dentro da instituição, primeiro comunicando a seus superiores sobre o que vem ocorrendo, e estes lhe prometendo providências, mas nada realmente é feito, por anos, e a pressão sobre Serpico aumentando (bem como sua paranóia persecutória, de que todos estavam a persegui-lo). Tenta contato com os níveis mais altos da hierarquia policial, com o gabinete do prefeito, mas nada dá resultados, sempre com um antigo colega de academia, que rapidamente se tornou detetive (por influência política).
Somente quando vazam a história para o New York Times é que as coisas começam a acontecer, pois é instaurada uma comissão investigativa que ao final vai redundar em uma grande limpeza na polícia novaiorquina, mas durante as investigações secretas Serpico continua trabalhando, e estas se arrastam porque as provas não são contundentes (ao menos para os investigadores), que gostariam que Serpico tivesse consigo um grampo para confirmar o eventual testemunho, o que é impossível dada a desconfiança de seus colegas. Frank inclusive reluta por muito tempo em testemunhar, e aparentemente somente após o atentado abaixo narrado é que decide contar tudo à comissão.
Nesse ínterim, para Serpico, as coisas não ficaram tão fáceis assim (sobre a verdadeira história de Frank Serpico LINK AQUI, no NYT), e quando ele está na delegacia de narcóticos - em que os subornos são muito mais altos e portanto a honestidade traz grandes prejuízos aos colegas corruptos - em uma batida contra um traficante de heroína, ele é deixado na mão por seus "colegas" - um deles F. Murray Abraham (o Salieri em Amadeus, ganhador do Oscar de melhor ator), que na abordagem ao traficante, em um apartamento, fica preso na porta, lutando contra o traficante, e seus colegas que deveriam auxiliá-lo no arrombamento nada fazem, deixando Serpico levar um tiro na cara, que não o mata, mas o deixa surdo de um ouvido e com um problema na perna.
No filme ele é socorrido pelos policiais, mas na vida real estes sequer se dignaram a ajudá-lo, e um vizinho idoso e uma viatura que não o reconheceu - pois estava à paisana, socorreram-no, levando ao hospital, em que receberá o distintivo prateado, tornando-se detetive (mas sem efetivamente voltar a trabalhar).
Serpico migrará para a Europa, onde ficará por muitos anos.
Nota IMDB - 7,8. Acho que daria um pouco menos, um 7. Um filme que deve ter tido muito maior repercussão quando do lançamento, dois anos após os acontecimentos.

OS INOCENTES (1961), de JACK CLAYTON - 23.08.2011 e revisão em 29.08.2011

O filme já começa muito bem, com uma tela negra e uma menina cantando uma música infantilmente, mas a música nada tem de infantil, fala na perda de um amor, choro sob um salgueiro, coração partido e morte.
Corte, e aparecem as mãos de Deborah Kerr (que vive a tutora Miss Gidens) contratada para cuidar de dois órfãos, as crianças Flora e Miles, em uma propriedade rural na Inglaterra, rezando, dizendo que só o que queria era ajudar ou salvar as crianças, porque ela as ama.
As instruções expressas do tio que ficou com a guarda dos menores são para que ela resolva tudo que acontecer, e que em nenhuma hipótese ela o chame, pois ele não quer ter de cuidar dos órfãos, quer continuar com sua vida de bon vivant em Londres sem ter que se preocupar com as crianças.
Chegando à propriedade rural, Miss Gidens se depara com um lugar idílico, um paraíso, numa mansão enorme, ficando absolutamente encantada. Ela ainda não percebe que há algo estranho, mas aparentemente há uma voz não identificada chamando por Flora, já na chegada.
Miles, a esta altura, está no colégio interno. Flora diz que logo ele estará de volta, o que seria impossível (só retornaria nas férias), mas logo depois recebem uma carta explicando que Miles foi expulso  do colégio, por ser má influência, por corromper aos demais.
Nos primeiros tempos de convivência, as crianças se mostram muito amáveis, obedientes, amorosas, que adoram viver na companhia de Miss Giddens.
Aos poucos, essa harmoniosa convivência vai ruindo, tanto ao se descobrir com morreram os anteriores trabalhadores da Mansão (Peter Quint e Miss Jessel - queda da escada e suicídio, e considerado que eram amantes, aquele um homem rústico, esta uma uma mulher bastante sensível dominada por aquele), quanto em razão do próprio comportamento dos menores e desconfiança da tutora. Ademais, ao que tudo indica, as crianças estavam sujeitas explicitamente ao relacionamento dos dois, e aparentemente, inclusive assistiam às relações sexuais dos criados.

Deborah Kerr está muito bem como a, ao mesmo tempo assustada mas corajosa e investigativa tutora, e sua cara de espanto não é caricata, mas realmente expressa o terror que vai sentindo.
As crianças, principalmente o menino, estão ótimos.
Há cenas realmente assustadoras, desse terror puramente psicológico, sem violência, sem nada, só sugestão, e muito bem feita.
O relacionamento entre a tutora e as crianças vai degringolando por variadas razões, quer porque a tutora começa a agir diferentemente, quer porque o comportamento das crianças vai piorando, com Flora e Miles fazendo joguinhos e passando a agir estranhamente.
Quando Miss Gidens começa a ver os fantasmas - primeiro de Peter Quint, sobre a torre e depois refletido na vidraça; depois de Miss Jessel, atravessando o corredor e também do outro lado do lago, o terror se intensifica, e Miss Gidens chega à conclusão de que os ex-funcionários da casa precisam, para poder continuar com seu amor, voltar à vida, especificamente tomando os corpos de Flora e Miles em possessão, e que esse momento está cada vez mais próximo, dada a aparição dos fantasmas.
Ela resolve partir para Londres para dar parte dos acontecimentos ao responsável legal pelas crianças, mas muda de ideia e resolve ficar com Miles na fazendo, enquanto Flora e a empregada Mrs. Grose rumam para Londres.
Giddens enfrenta Miles, para fazê-lo confessar que vê os espíritos, esse sempre nega, mas instado a dizer o nome de alguém diz o de Peter Quint e imediatamente morre. A razão da morte, evidentemente, não resta explicada, se por muita pressão psicológica, por medo, por ter-se desfeito a possessão.
Passada essa cena, Giddens põe-se a rezar, voltando exatamente para a cena em que as mãos de Deborah Kerr estão juntas em reza, lá do início do filme, em que ela diz amar as crianças, e só queria protegê-las.

O filme é, desta forma, em sua conclusão, completamente aberto. Não é possível saber se realmente há assombrações do ex-caseiro e da ex-tutora (por exemplo Flora canta a música lá do início do filme como se para chamar alguém - e a música tem muito de uma música de amor adulto - e de repente, ela começa a sorrir, como se a pessoa chamada fosse vista, embora as crianças sempre afirmem que não vêem nenhuma assombração);  se as crianças é que são apenas más e com o auxílio da empregada têm um plano para aterrorizar quem se intrometa naquela casa, para que nada mude naquela vida idílica,  ou se Miss Gidens é que vai enlouquecendo paranoicamente com o passar do tempo, afetada pelo comportamento das crianças, pela atmosfera do enorme prédio, pelo isolamento do campo.
Há a interpretação - não minha, pois não tem tal cabedal de conhecimento - de que os fantasmas eram meramente imaginados pela governanta, pois reflexo da repressão dos costumes e da vida sexual da era vitoriana, projetando "nos inocentes" as suas perversões.
Preciso ler o livro, que recentemente adquiri, para ver se chego a uma conclusão. Se chegar, altero este post.

Nota IMDB - 7,9. Se não fosse o final em aberto - com três ou quatro possibilidades diferentes - que incomoda um pouco alguém como eu, que por vezes precisa de um desfecho concreto para a história, a nota seria ainda maior. Mas o 7,9 é merecido. Ótimo filme, ao qual "Os outros", de Shyamalan, sem dúvida deve muito.

terça-feira, 6 de setembro de 2011

O TÚMULO VAZIO (1945), de ROBERT WISE - 04.09.2011

Neste filme em que Bela Lugosi faz uma ponta, Boris Karloff é Gray, um taxista (de carruagem, por óbvio) em Edimburgo, em 1831. Nas horas vagas, ele arranja corpos para seu "amigo", Dr. Wolfe MacFarlane - que é a cara de um advogado aqui da minha cidade, Dr. Virmond Price, um médico que dirige uma escola de medicina, e precisa de cadáveres para ensinar a seus alunos sobre anatomia.
Gray arranja os corpos principalmente desenterrando cadáveres recentes (body snatcher), e recebendo uma paga do médico para isso.
Wolfe tem, contudo, uma dívida para com Gray, porque este o inocentou - ao mentir - em um processo judicial anterior sobre casos semelhantes, e embora tente se livrar de Gray e do passado, não consegue. Gray sempre está ao redor, e Wolfe tem esse segredo a lhe perseguir.
As coisas se complicam quando o estudante de medicina e assistente de Wolfe, Donald Fetter -  descobre que Gray matou  - e não "apenas" desenterrou uma das pessoas cujo corpo lhes é entregue, e ao revelar tal fato a Wolfe (não que esse já não pudesse saber), o ajudante Joseph, um silencioso e soturno (além de bisbilhoteiro) Bela Lugosi - que me pareceu bastante envelhecido, ouve essa conversa.
Joseph então vai até Gray para chantageá-lo, mas ali é morto, e seu corpo é entregue por Gray na clínica do médico, o que poderia complicar a situação do doutor, eis que um seu empregado apareceu morto - evidentemente de maneira inexplicável.
Wolfe então vai até a casa do personagem vivido por Karloff para dele se livrar, e lhe oferece dinheiro para que este o deixe só, e se mude para a França. Gray recusa pois somente com essa relação de um homem humilde, um taxista próximo a um médico conceituado ele se sente alguém. Wolfe então mata Gray, e tenciona usá-lo como um corpo para dissecação em suas aulas, mas isto não fica demonstrado se efetivamente ocorre.
Wolfe resolve que venderá a a carruagem de Gray para se livrar das evidências, e vai a um subúrbio para concretizar o negócio. Lá, Fetter o encontra, e Wolfe, embora todo o distúrbio, diz ainda precisar de corpos para suas aulas, e resolve ele mesmo escavar um corpo recentemente inumado.
Retira o corpo de uma mulher da terra e ao levá-lo para a cidade, paranóico ou assustado, esse morto lhe parece ser o de Gray (numa cena muito bem realizada, com luzes interessantes e Karloff muito pálido e iluminado pelos raios de uma tempestade), o que o faz perder o controle da carruagem e cair em um despenhadeiro para a morte.
Incidentalmente, Wolfe é um cirurgião renomado, mas que tem medo de operar, mas, mesmo assim, é convencido por Fetter a salvar uma menina paraplégica, com uma técnica inovadora.

Não sei se há coisas no filme além da história contada. Talvez que ninguém tem apenas um lado bom ou ruim - o mesmo médico que compra defuntos ilegalmente ou burlou o sistema legal pedindo a alguém que burlasse o seu testemunho salva uma menina pobre e paraplégica; ou que as amizades - ou tudo o que se faz -  têm conseqüências, e Wolfe não podia se desfazer de Gray a seu bel-prazer, pois dele se utilizara, obrigando-se a fazer negócios de compra de cadáveres; ou o dilema moral irresolvido de Fetter, aluno pobre e aprendiz de Wolfe, que se submete às ilegalidades de seu professsor, malgrado veja onde está o erro; ou a amante/namorada de Wolfe, que embora sua companheira finge-se de empregada, para que desfrute da posição social do médico famoso, mas não dê as caras, ao passo que este tem sua reputação mas não revela à sociedade a sua união com uma simplória. Tudo isto talvez seja relevante, e foram coisas sobre a quais pensei no dia seguinte à sessão do filme. Não sei se vou longe demais, e o filme é só uma ficção de terror. Mas esses pensamentos fizeram o filme crescer na minha consideração muito rapidamente.


Apenas para constar, Robert Wise fez filmes como a Noviça Rebelde, West Side Story, mostrando que dominava os mais díspares gêneros do cinema.
Nota IMDB - 7,4. Dou um 6, no máximo. Repensando - no dia seguinte, conforme dois parágrafos acima, um pouco mais, talvez um 7.

terça-feira, 23 de agosto de 2011

SHERLOCK HOLMES E A ARMA SECRETA (1943), de ROY WILLIAM NEILL, em 20/21.08.2011

Tal qual em "A Mulher de Verde", que já comentei neste blog, este filme do detetive inglês tem Basil Rathbone e Nigel Bruce nos papéis de Holmes e Watson.

Holmes e Watson precisam proteger um cientista suíço, que construiu uma bomba aparentemente importante para o desenrolar da Segunda Guerra - me pareceu que a invenção era um sistema de precisão para o lançamento das bombas - evitando que esse apetrecho caísse na mão de nazistas.
Sherlock consegue tirar o cientista Franz Tobel da Suíça, levando-o à Inglaterra, após se disfarçar de agente alemão, enganando os integrantes da Gestapo.
Após chegarem ao 221-B de Baker Street, Tobel desaparece para providenciar algumas coisas. Como ele teme que sua bomba caia em mãos erradas, ele a divide em quatro partes, dando uma parte para cada um de seus amigos cientistas suíços radicados na Alemanha, evitando que somente a sua apreensão fosse causa da descoberta de toda a bomba. Também vai até a casa de sua namorada que conhecera durante temporada nos Estados Unidos, e lá deixa uma mensagem cifrada para Holmes com o nome dos quatro destinatários da bomba, em caso de ser ele capturado.
Já nessa primeira incursão ele sofre uma tentativa de seqüestro, da qual se livra por pouco.
Mas, logo depois, após se negar a entregar sua invenção inclusive ao governo britânico - o receio de que mesmo ali o segredo em um só lugar pudesse ser revelado - realmente é capturado pelo Professor Moriarty, que é quem pretende vender o artefato à Alemanha, quando começa o embate entre Holmes e Moriarty.
Na verdade o embate de gênios parece uma programa de "pegadinhas do Mallandro", um dizendo que é mais esperto que o outro, e utilizando exemplos ridículos para prová-lo, como por exemplo eles discutem como um mataria o outro, pois um tiro seria indigno de tais inteligências.
Ao final, no esconderijo de Moriarty, descoberto por uma pista tipo João e Maria, Holmes e a Scotland Yard libertam Tobel e Holmes vence Moriarty com uma armadilha que este mesmo armara para terceiros em seu covil, mas que Holmes subverte para dar fim a Moriarty.
Há, então, um discurso pró-Inglaterra que soa hoje meio pueril, mas que parece ser adequado para durante a guerra, quando o filme foi feito.
Com uma história bobinha, um embate fraco entre Holmes e Moriarty, diálogos propagandísticos de tempo de guerra, esse filme diverte, mas não tanto quanto outros dessa série de Rathbone.
NOTA IMDB - 6,7. Acho que vale menos, um 5.

quinta-feira, 18 de agosto de 2011

O ESCRITOR-FANTASMA (2010), de ROMAN POLANSKI - 10.08.2011

É um filme daqueles que Lopes - o homem do vinho - recomendaria com sua ressalva habitual: É um filme honesto, mas não um filme para "ocasiões especiais".O filme entretém por duas horas, mas é um filme comum, embora um suspense bastante razoável.
Ewan McGregor é o ghost-writer (nem nome ele tem no filme) contratado para escrever (ou dar um formato vendável) às memórias de Adam Lang (vivido por Pierce Brosnan), ex-primeiro mininstro inglês baseado sem dúvida no trabalhista Tony Blair, após a morte suspeita do  primeiro contratado, e que no filme é alguém que entrou na política sem razão aparente, sem que fosse realmente interessado por isso, mais por influência de sua esposa.
Ao se aprofundar na vida do biografado, Ewan tem acesso ao manuscrito da biografia (mal escrita e por isso terá de reescrevê-la), à sua residência nos EUA, se aproxima da mulher deste (Ruth Lang, vivida por Olivia Willians) mas logo vê seu objeto de estudo no centro de uma crise política, por ter ele, segundo um seu ex-ministro, sido condescendente com tortura praticada por americanos
Com alguma facilidade, encontra fotografias e documentos que desmentem a história contada por Adam Lang - deixados pelo escritor anterior, e esses dados o levam a desconfiar que o primeiro ghost writer foi assassinado, pois descobrirar algo, discutira asperamente com o seu contratante e amigo de longa data. Em tais documentos consta ainda um número de telefone e uma frase como "a solução está no começo, a solução está no início".
Adam Lang tenta lidar com a crise, refugiando-se no apoio de seus colegas políticos americanos, uma vez que a situação política na Inglaterra não lhe é favorável, inclusive o governo inglês promete completa cooperação com a investigação
As pesquisas de McGregor o levam a entrar em contato com Paul Emmet (Tom Wilkinson), última pessoa a ter contato com o antigo escritor, na noite anterior a sua morte.
Aprofundando a investigação, descobre que Emmet foi da CIA. Deixa a esposa de Lang a par do que via descobrindo.
Resolve telefonar para aquele número deixado pelo anterior ghost writer, e quem atende é exatamente o político ex-assessor de Adam Lang.
Em certo momento, McGregor passa a ser perseguido, mas consegue despistar os capangas, quando novamente liga para este político, que explica suas desconfianças a respeito de Lang.
Ocorre que, repentinamente, em razão das suspeitas de condescendência com a tortura, Lang é assassinado, e aquilo que poderia virar uma grande tragédia o transforma em "santo".
Um ano depois, se não me engano, a biografia é lançada, e na festa de lançamento, em Londres, ao ver a esposa de Lang próxima a Emmett, e informado por alguém de que Emmett fora o orientador do doutorado de Ruth, ele consegue decifrar a mensagem dos inícios, e lendo o início de cada capítulo do manuscrito deixado pelo anterior escritor fantasma, descobre que Ruth é que era da CIA, e que estava por trás da ascensão de Lang - praticamente um zé-ninguém- na política (numa dessas viradas que me deixam meio puto da cara e certamente fazem com que o filme perca pontos no meu "gostar ou não do filme").
Ao deixar o local, é atropelado (de propósito, acidentalmente), em cena que não é mostrada, sepultando o "segredo", e deixando as páginas do manuscrito ao vento, desfazendo-se as provas de qualquer conspiração que tenha havido.
NOTA IMDB: 7,4. Acho que vale um pouco menos. Dou um 6 ou 6,5.

quarta-feira, 17 de agosto de 2011

EXPRESSO PARA BERLIM (1948), de JACQUES TOURNER - 15.08.2011

Esse é o segundo filme do elogiado Jacques Tourner - elogios de Inácio Araújo - a que assisto. O primeiro a que assisti foi "A morta-viva", um filme realmente muito bom, curtinho, 68 minutos, mas com muita coisa a observar, a pensar, a apontar - já escrevi no blog sobre esse filme. Esse "Expresso para Berlim" trata de um intelectual alemão que participa em Paris de uma conferência para unificação alemã (das áreas controladas segundo decisão da divisão pelas quatro potências no pós-guerra).
Em Paris, um pombo-correio é morto, e por acidente descobrem um bilhete com horário 21h45, cabine D, número do trem - 9850, e uma localidade, Sulzbach - esses dados são repassados às polícias/serviços secretos da França, Inglaterra, URSS.
Esse intelectual (Dr. Bernhardt) entra disfarçado de Otto Franzen no trem para ir a Berlim colocar em prática o seu plano de união alemã, e reservam a tal cabine D, anotada no bilhete do pombo-correio ao Dr. Bernhardt falso, que sofre um atentado a bomba e é morto. No trem há, além Bernhardt, um americano agrônomo (Lindley), um militar russo (Kiroshilov), um professor e ex-soldado inglês (Sterling), uma secretária francesa (Lucienne), um alemão (cuja identificação é ocultada no filme pelo apito do trem - Schmidt), o colocado no trem por ordem americana, além de um francês - Perrot, que depois se verá não ser quem dizia.

Quando há o atentado, o trem para em Frankfurt (as imagens da destruição da cidade pela guerra impressionam) para interrogatórios - momento em que o espectador fica sabendo que Franzen é Bernhardt), todos são ouvidos, e em tese continuariam a viagem de trem a Berlim, mas Schmidt desaparece.
No terminal de Frankfurt, Johann Walter, um antigo amigo, faz contato com Bernhardt - a identificação foi apenas para que pessoas contrárias às idéais de Bernhard o pudessem suquestrar. Johann traiu seu amigo na esperança de encontrar sua desaparecida mulher. Seus intentos são frustrados (sua mulher está morta), e Walter se suicida.
Os passageiros do trem resolvem não seguir a Berlim, e pemanecer em Frankfurt para procurar Bernhardt, pois em tese concordam com as ideias do intelectual. Eles são atraídos ao covil dos bandidos, pois Bernhardt se recusa a dar detalhes de seu plano de unificação aos sequestradores - com o qual não concordam esses alemães, que pretendem outra Alemanha (não explicam qual, mas provavelmente uma que não fosse submissa aos acordos do pós-guerra) - e dessa forma a única forma de saber dos planos era trazer para perto a secretária Lucienne, que poderia explanar os detalhes do plano.
Schmidt, desaparecido na estação de trens, em verdade era um alemão a serviço de Bernard - e portanto quando esse é sequestrado Schmidt desaparece por sua vontade, e consegue avisar aos militares mais ou menos onde Bernardt é mantido em cativeiro, antes de morrer.  Aqui há uma certa dificuldade no roteiro em saber como Schmidt teria chegado ao bar, sabido da loira que fumava os cigarros de Bernardt, ou como os aliados teriam igualmente chegado a tal destino. Mas deixemos para lá.

O fato é que com esse aviso, as forças aliadas conseguem chegar ao esconderijo quando os alemães já tinham desistido de ober informações e estavam prestes a executar Bernhardt e Lucienne, salvando-os.
Contudo, nessa passagem o espectador fica sabendo que o francês - Perrot - na verdade era um alemão de nome Holtzmann, e que ainda planeja matar Bernhardt. Eles seguem, finalmente, a viagem para Berlim, e Perrot ainda tem uma chance de matar o alemão pacifista (embora Lindley desconfie de algumas de suas atitudes). Em uma bem construída cena, Lindley está no quarto de Lucienne e vê, pelo reflexo da janela do outro trem Perrot tentando matar Bernhardt, e consegue impedir o intento deste, que é morto em fuga.

Na cena final, em frente ao portão de Brandenburgo, os aliados rumam cada qual para seu setor, em princípio, e sem dar muita atenção um ao outro. O inglês discute com o americano, o russo faz pouco caso do cartão que o americano lhe entrega. E todos deixando o alemão Benrnhard à própria sorte. Mas, ao final, este volta atrás e recolhe o cartão, o americano e o inglês se cumprimentam amistosamente, e Lindley e Lucienne deixam no ar uma esperança futura de reencontro, até amoroso. Todos acenam em suas retiradas. Dr. Bernhardt que primeiro duvidava da validade de se perseguir a paz conclui que há momentos em que essa busca é válida. Bom filme.

Nota IMDB 7,0. Vale um pouquinho mais.

segunda-feira, 15 de agosto de 2011

O HOMEM DOS OLHOS DE RAIO-X (1963), de ROGER CORMAN - 12.08.2011

Ray Milland interpreta o médico James Xavier, que faz experiências com um colírio que possibilitaria uma visão mais avançada do que a das pessoas comuns, que só vêem uns 10% do espectro de ondas existentes, ou seja, 90% das coisas não é vista pela vista humana.Seus experimentos permitem essa visão melhorada, inicialmente de modo tênue, só vendo através de uma folha de papel, das roupas, o interior dos pacientes. Com essa percepção, discorda de um outro médico que iria fazer uma intervenção equivocada em uma paciente, mas como não consegue convencê-lo do possível erro, intervém durante a cirurgia, cortando a mão do cirurgião e assumindo a operação. Embora salve a paciente, será denunciado por má prática médica.
Ele se torna ambicioso - poderia salvar todo mundo, dar diagnósticos exatos - mas começa a perder o controle. Um médico seu amigo tenta fazê-lo parar com seus experimentos com a visão, mas Ray Miland acidentalmente o mata, e então é obrigado a fugir, se esconder.
Inicialmente ele se transforma em Mentalo, um participante de um parque de diversões, um freak show. Depois, ele passa a ser um curandeiro, um  vidente que vê as doenças dos outros, a dinheiro, quando passa também a ser chantageado por seu assistente, vivido pelo comediante Don Rickles, fora de seus papéis cômicos habituais. Saber demais o torna uma fonte de dinheiro para os outros?
Quando a médica Diane Fairfax, que inicialmente representava a instituição que financiava as experiências de Xavier o descobre, o tira de lá, mas Don Rickles, que perderá o dinheiro que arrecadava "empresariando" o "curandeiro", o denuncia a polícia como o assassino daquele médico morto acima.
Inicia-se uma fuga, inicialmente sob a justificativa de que Xavier ache um modo de parar com suas visões, mas ele não tem mais acesso a laboratórios ou financiamento, e para conseguir dinheiro resolve ir a Las Vegas, onde, evidentemente começa a ganhar, mas não consegue conter seus impulsos, não consegue parar de jogar, e ainda dá palpites em jogos de terceiros.
Uma vez mais é obrigado a fugir, agora sob perseguição policial, pelas estradas do deserto de Nevada, acidenta-se e acaba vagando até encontar uma tenda em que há um culto religioso em que Xavier reclama que vê demais, que não aguenta mais, que não aguenta tanta luz, momento em que o pastor, citando alguma passagem bíblica diz que a causa do mal deve ser extirpada, levando Xavier a arrancar seus olhos, pois ver tanto quanto via não lhe interessa, e que ele viu o centro do universo, e lá havia luz (seria deus? ou afirmava a inexistência de deus?). A história é essa. Seus significados? - Me escapam.

Mas INÁCIO ARAÚJO fala bem demais sobre o filme. E acha uma obra-prima:
INÁCIO ARAUJO - CRÍTICO DA FOLHA
É claro que quando alguém diz que "O Homem dos Olhos de Raios-X" (TCM, 22h, 12 anos) é um dos maiores filmes de todos os tempos está procurando encrenca: é pequeno, com elenco desconhecido e trucagens pobres.
Como poderia ser tudo isso?
A resposta imediata é: trata-se de um filme de Roger Corman. O mago do filme "B" é capaz de tirar leite de pedra, como nesta ficção científica sobre um médico que descobre um método de ver além do que os outros podem ver.
Trata-se de uma atualização, mas muito aguda, da tragédia de Prometeu, que rouba o fogo sagrado para doá-lo aos humanos e acaba como acaba. Para resumir, o destino do médico não será tão diferente daquele do herói grego.
Grande filme.


Não tenho tanto conhecimento, achei apenas um bom filme. E Inácio Araújo não explica exatamente por que o acha tão bom. Prometeu foi o deus mitológico que trouxe o fogo aos homens, quando este era destinado apenas aos deuses. Por essa conduta, foi condenado a viver por 30 mil anos amarrado a uma rocha, e todo dia um pássaro comeria seu fígado, que durante a noite se regeneraria, apenas para no próximo dia reiniciar-se o suplício.
Seria a comparação com o papel de Ray Milland o de que este traria a luz, poderia trazer grandes avanços, mas por brincar com os deuses, com a natureza, mereceu incompreensão, perseguição? Ou porque deus não quer que saibamos além de nossa normal e limitada compreensão? Ou porque não há um deus? Sei lá.
NOTA IMDB  - 6,8.  Acho que é isso. Quando eu descobrir porque se trata de uma obra-prima, eu aumento a  nota.

sábado, 6 de agosto de 2011

SALT (2010), de PHILIP NOYCE - 06.ago.2011

Angelina Jolie é Evelyn Salt, uma agente do serviço secreto dos EUA, mas que, pasmem, foi uma criança que passou a infância na Rússia (ou URSS, sei lá) e lá treinada para um dia fazer um ataque aos EUA.
Ela é casada com um especialista em aracnídeos alemão, relacionamento que começou apenas porque ela como agente secreto deveria se aproximar dele.
Certa feita, um agente russo resolve se entregar e revela um plano. O presidente russo será morto durante o funeral do vice-presidente americano, e o assassino será Evelyn Salt. Ela faz parte de um programa russo em que crianças foram treinadas na Rússia para atacar os EUA, em larga escala e, malgrado a URSS tenha se desintegrado, o plano ainda seria posto em andamento. Quase todos os homens do serviço secreto acreditam na história, exceto Liev Schreiber - Ted Winter.
Como seu marido foi sequestrado, ela cumpre a primeira parte do plano, e realmente assassina o presidente russo (na verdade, no final, ver-se-á que Salt só o paralisou com veneno de aranha, hahaha) - o que leva à possibilidade de os russos quererem reagir. A segunda missão será matar o presidente dos EUA - levando os russos a retaliar, iniciando possivelmente uma guerra nuclear.
Para provar a lealdade de Salt ao plano, os russos matam seu marido em frente dela, e ela não pode reagir.
A primeira tentativa de matar o presidente americano falha, e ele é levado para uma casamata.
Ali vem uma virada dessas de foder com a paciência de qualquer um: Liev Schreiber, ou Ted Winter, ou Nikolai Tarkovski, um dos russos treinados para o tal ataque. Salt consegue frustrar o ataque de Nikolai, que mata todos mundo dentro do bunker presidencial (exceto o presidente) e com a digital deste está prestes a lançar um ataque nuclear contra Meca e Teerã, atraindo desse modo a ira dos países muçulmanos.
Salt consegue impedir esse ataque, entrando quase por mágica no bunker, mas não terá como provar que Ted era o culpado, dada a imensa quantidade de fatos contra ela.
Somente ao seu ex-chefe ele consegue explicar o que houve, e este, enquanto a transporta até o FBI, de helicóptero, acredita na sua versão e a deixa fugir, para que ela passe a caçar o resto dos ex-soviets. É isso, e é ruim.
NOTA IMDB - 6,5. Não vale tanto. Na verdade, um 4 tá bom demais.

ASSIM ESTAVA ESCRITO (1952), de VINCENT MINELLI - 06.08.2011

Este filme (The Bad and the Beautiful - parece-me um jogo de palavras com The beast and the beautiful) de Vincent Minelli trata da indústria do cinema, mas não só disso. Outros grandes filmes sobre a matéria são O Jogador, Sunset Boulevard, The Last Tycoon. Todos ótimos.
Nessa película, Kirk Douglas é Jonathan Shields, filho de um ex-chefão de Hollywood que morto deixa o filho falido, e este promete dar a volta por cima, fazer filmes tão bons quanto os de seu pai.
Lana Turner é Georgia Lorrison (também filha de um ex-ator de sucesso), aspirante fracassada a atriz, que faz de pontas e figuração o seu ganha-pão.
Dick Powell é James Lee, um professor de história cujo primeiro livro é adaptado ao cinema, e por causa disso recebe convite para trabalhar e Hollywood.
Fred Amiel (Barry Sulivan) é um assistente de direção de filmes B, e que também sobrevive de figuração.
Walter Pidgeon é Harry Peeble, um executivo de um pequeno estúdio de filmes B, de baixo orçamento, com atores de segunda.

Todos eles entram em contato com Jonathan, e este, um grande entendedor de cinema (malgrado egoísta, narcisista e arrivista - precisa ser alguém), os catapulta ao estrelato, não sem crescer junto e, principalmente, deixar grandes mágoas.
Fred Amiel teve a idéia do roteiro que se torna o primeiro sucesso de Jonathan, mas este vende a idéia como se fosse sua, e exclui Fred dos créditos pela criação e da direção do filme, razão pela qual eles rompem.
Georgia é uma desqualificada, bêbada e promíscua. Jonathan a conquista, faz com que ela deixe de beber, se comprometa com a atuação, e com ela mantém um relacionamento enquanto filmam. Tão logo acabado o filme, ele a abandona, e ela o flagra, no dia da premiere, com uma outra mulher.
James Lee é um professor e bom escritor, mas tem sua mulher, uma caipira que atravanca sua escrita, dispersa sua atenção, impedindo-o de desenvolver seu talento. Jonathan consegue isolá-lo de sua mulher, levando-o de Hollywood e deixando a mulher em companhia de um ator galã, e muito depois, descuidadamente deixa escapar que foi o responsável pelo caso que acabou levando aquela mulher à morte.

Malgrado tais desgostos, Jonathan fez  com que os três alcançassem grandes feitos em suas carreiras desse contato, o que lhes é lembrado por Harry Peeble, que também foi traído por Jonathan (quatro meses depois do primeiro sucesso, este abandono o estúdio de Harry).
O filme inicia exatamente com ligações de Jonathan (que fracassou em um filme que por narcisismo assumiu a direção, passando por cima do diretor contratado) para James, Georgia e Fred. Dois sequer atendem, o último o manda à merda.
Mas, por intermédio de Harry, eles vão ao estúdio, e ali este os convida para um novo filme de Jonathan, pedido que eles estão dispostos a negar.
Então Harry faz essa retrospectiva acima narrada, contando a história dos três, de serem ninguém e passarem a grandes atriz, diretor e roteirista. O filme se desenrola em três grandes flashbacks, um para cada personagem, numa montagem e roteiro impecáveis. Para cada história, Harry os faz ver o quanto o seu contato com Jonathan os fez evoluir.
Fred perdeu aquele filme, mas depois disso se tornou um diretor ganhador de dois Oscar, Georgia se fez a principal atriz dos EUA, James Lee tornou-se o principal roteirista da indústria do cinema, ganhador de um prêmio Pullitzer.

Contadas as histórias, finalmente chega a hora do telefonema de Jonathan, que está em Paris auto-exilado, para que os três confirmem se aceitam o convite para o seu ressurgimento, mas tão logo Harry começa a conversar com Jonathan, os três meneiam as cabeças, e vão deixando a sala.
Na antessala, ele vêem um telefone, uma extensão, e não resistem. Lana Turner pega a extensão, começa a ouvir a conversa entre Jonathan e Harry, e logo James Lee e Fred igualmente encostam seus ouvidos ao telefone, pois embora um mau caráter, Jonathan era sedutor, sabia o que fazia, e tudo que fazia era para que os filmes que trabalhava fossem os melhores, que o cinema fosse grande, e aparentemente gostam do que ouvem. Filmaço. E se tiver vontade, vale a pena ler alguém que sabe muito mais do que este analfabeto - Leia o texto de André Setaro.
NOTA IMDB: 7,8. Daí para mais.

O TESOURO DE SIERRA MADRE (1948), de JOHN HOUSTON - FEV e 06.08.2001

Filmaço de John Houston, com Humphrey Bogart.
Bogart (Dobbs) está perdido (falido), na fronteira do México com os Estados Unidos, vivendo de esmolas de americanos. Depois de aceitar um trabalho que não é pago, ele e um seu companheiro (Tim Holt, que vive Curtin)  vão tomar satisfação com o empregador, tomam-lhe o pagamento merecido, e somado a uma lufada de sorte (um bilhete premiado que Bogart comprara de um mexicanozinho), eles arranjam uma grana.
Essa grana lhes é suficiente para, acreditando na idéia de um velho garimpeiro (Howard, vivido por Walter Huston) que conhecem num abrigo para trabalhadores pobres passarem a noite, irem em busca do tal tesouro, para garimparem em Sierra Madre. Esse velho garimpeiro os adverte da cobiça, da loucura, da insânia que acomete garimpeiros, quando se vêem com o ouro à sua frente.
Eles compram os apetrechos para a caça ao tesouro com o dinheiro, e partem acompanhado do experiente garimpeiro.
Encontram, finalmente, o lugar perfeito, e numa progressão de loucura- tal qual alertados pelo velho - começam a agir paranoicamente, cada um com medo de que o outro roubem o ouro do outro (há antes uma discussão prévia de como será armazenado o ouro garimpado, se guardado em comum ou cada um esconderá sua parte - esta opção prevalece), que fujam.
Neste ínterim, há perigos externos - uma gangue de ladrões mexicanos, um garimpeiro exterior que chega ao lugar do garimpo e quer participar da extração (os três decidem matá-lo mas salvam-se dessa trágica opção em razão de ataque da gangue, para que o noviço os ajude, e realmente os ajuda, mas acaba sendo morto pelos bandidos), uma tribo de índios que chega aos três para pedir ajuda médica - fornecida pelo mais velho, que reanima uma criança índia que estava inconsciente após se afogar.
Em certo momento, quando o ouro começa a rarear, decidem deixar a mina. Quando estão saindo, a tribo de índios vem convidá-los para passar algum tempo em sua aldeia, em retribuição ao salvamento do indiozinho, e esse "convite é obrigatório".
Como Dobbs e Curtin não desejam ficar e os índios só exigem Walter, este fica para trás e ali viverá como um rei, enquanto seus colegas prosseguem, levando o ouro do companheiro, e todos se encontrariam em Durango.
Já no primeiro dia da viagem de regresso, Dobbs sugere que o velho que se dane, e ele e Curtin dividam o ouro, passando a perna em Walter.  A cobiça de Dobbs só aumenta, e ele atira em Curtin, acreditando que o matou, mas apenas o feriu. Este consegue ajuda de mexicanos (aqueles mesmo que foram ajudados por Walter) equanto Dobbs prossegue na viagem a Durango, com todo o ouro, já paranóico, achando que alguém o vigia, que bandidos o encontrarão.
Após Curtin ser medicado, Walter e este partem atrás de Dobbs, já extenuado pela longa caminhada, sozinho em meio à natureza. Quando Dobbs se aproxima da cidade, ele é alcançado pelos bandidos com quem cruzaram antes, quando ainda garimpavam, e estes o matam;
Quando vão olhar o centeúdo dos sacos de outros, até em razão da aparência acham que é areia pura e que seriam usados para dar mais peso às peles, e esvaziam os sacos, pois estão mais interessados em verder os burros de carga e as peles, para arranjarem algum dinheiro, mas são descobertos e executados.
Depois, quando Curtin e Walter chegam à cidade eles são avisados da morte de Dobbs, e entre susas coisas não está o ouro, descobrem onde os bandidos esvaziaram os sacos. Uma tempestade de vento leva todo o ouro embora. Walter resolve voltar com índios, e assentar. Curtin resolve recomeçar sua vida, ainda sem destino certo, talvez indo à cidade da viúva daquele estranho - o quarto garimpeiro - que chegara em Sierra Madre e fora morto lá mesmo.

Nota IMDB 8,5 - É isso mesmo, um grande filme.

GENTE GRANDE (2010), de DENNIS DUGAN - 05.08.2011

Esse filme (chamá-lo de filme realmente já é uma grande bondade) é uma grandessíssima porcaria. Adam Sandler, Chris Rock, Steve Buscemi, Kevin James, David Spade, Rob Schneider, Maria Bello, Maya Rudolph se juntam para algo sem nenhum nexo, nenhuma finalidade. Bons atores de comédia num filme se graça.
Não há enredo, só um amontoado de piadas (ou tentativas de fazê-las).

Cinco ex-integrantes de um time de basquete se reúnem trinta anós após a conquista de um título infantil no colégio, em razão da morte de seu treinador. Um rico executivo de hollywood, um desempregado que finge estar bem, um marido mandado pela mulher, um eterno adolescente, um hippie;alternativo tem seus encontros e desencontros, diferenças, para ao final todos virarem pessoas melhores, e perderem a revanche contra os derrotados que ficaram na cidadezinha, e que em razão do jogo  parece que se tornaram derrotados na vida. Ah, e os gostosões da cidade grande deixam eles vencerem. Muito edificante. E uma bosta.
Tudo parece um episódio de Saturday Night Live, sem a graça desse programa, porém. Poucas piadas engraçadas, atuações constrangedoras. Se não fosse o dinheiro que provavelmente ganharam, os atores deveriam estar absolutamente encabulados por se juntarem para fazer algo tão ruim.
Nota IMDB - 5,8. Vale um 2, se tanto. Horrível.

segunda-feira, 1 de agosto de 2011

AS DUAS FACES DA LEI (2008), de JOHN AVNET - 01.08.2011

Al Pacino e Robert de Niro fazem uma dupla de policiais envolvidos na investigação de um serial killer que mata apenas bandidos, pessoas que foram erradamente absolvidas na justiça, enfim, um justiceiro.
Quanto mais surgem pistas sobre o assassino, tudo passa a indicar que o assassino seja um policial, e o principal suspeito passa a ser a personagem interpretada por De Niro, um cara truculento, violento, impressão esta que será desmentida ao final. Também se mostra que eles plantaram evidências contra um réu de assassinato de crianças, e que a iniciativa disso foi de Turk, o que reforça as suspeitas.
O problema é que o  filme tem um truque barato para dar a impressão que o policial vivido por De Niro é o culpado, qual seja um vídeo em que De Niro diz ser o Policial David Risk, que é policial há 30 anos e matou 14 pessoas. Com o tal vídeo começa o filme, e este passa a ser narrado em off por De Niro.
Para não contrariar essa impressão, durante o filme, as personagens de De Niro e Pacino são chamados somente por seus apelidos,  respectivamente Turk e Rooster, ou seja, não se menciona o nome David Risck, levando o espectador a acreditar que De Niro é Risk, quando na verdade este é Al Pacino, e o vídeo é apenas a leitura, por Turk, das confissões dos justiçamentos relatados por Rooster. Turk, inclusive, se vê ao final, estava presente assistindo ao vídeo, depois de matar Rooster ao elucidar os assassinatos com a leitura do diário de Rooster, que este deixa à vista depois que uma das vítimas do justiciamento de Rooster escapa do atentado que sofre e tão logo se recuperasse no hospital poderia esclarecer a história toda.
O filme é ruim e tem esses twists difíceis de aceitar. Vale só pelos atores. O filme é tão esquecível que eu já o tinha visto mas não lembrava nada da história. Nem a muito a escrever,
Nota IMDB - 6. Não merece mais do que isso.

domingo, 31 de julho de 2011

ALÉM DA VIDA (2010), de CLINT EASTWOOD - 29.07.2011

Três histórias em paralelo que se cruzam no fim do filme, mais para dar um desfecho ao filme, e a meu ver, a história cai bastante no final, enquanto o seu desenvolvimento é bastante bom. Hoje o Clint Eastwood merece uma unanimidade elogiosa da crítica que eu não compreendo. Sempre que ele filme se considera que há um grande filme. Às vezes sim, outras nem tanto.

Matt Damon é um vidente americano - mais um médium - que desiste de fazer contatos entre vivos e mortos porque isso lhe exaure, não lhe faz bem, pois é comum que além de coisas boas lhe sejam reveladas coisas pesadas, que fazem mal a ele próprio e por vezes a seu consulente.
Ele tenta se desvencilhar desse seu ofício (exerceu profissionalmente a vidência) para tentar viver uma vida normal, mundana. Quase consegue ao iniciar um relacionamento com uma moça (vivida pro Bryce Dallas Howard), mas esta lhe pede que faça uma "comunicação" e esta faz romper o relacionamento há pouco iniciado, pois ali se revelam abusos que a moça sofreu na infância, e essa revelação faz com que ela se afaste.


A jornalista francesa sobrevive ao tsunami de 2004 na Tailândia (a filmagem do tsunami é impressionante, efeitos especiais de primeiríssima linha, coisa do outro mundo - hehe), mas tem uma experiência de quase-morte passa a repensar muita coisa na sua vida - jornalista de sucesso - pois fica muito impactado com a visão do mundo pós-morte, naqueles instantes que esteve morta.
Em razão de tal fato se afasta do seu trabalho - para dar um tempo, repensar sua vida - e até mesmo se afasta do jornalismo dito "sério", para escrever um livro sobre o além-vida.

Em Londres, dois irmãos gêmeos são muito unidos, até porque sua mãe é uma viciada em drogas, o que faz que eles se unam para viverem bem e até para superar a constante ausência da genitora - agravada pela intenção do conselho tutelar em tirá-los da guarda da mulher. No exato dia em que a mãe aparentemente quer iniciar um tratamento medicamentoso para se livrar da cocaína e heroína, um dos gêmeos morre atropelado, exatamente ao voltar da farmácia em que foi buscar tais medicamentos.

Essas três personagens vivem cada uma diferentes angústias em relação à morte. Uma consegue se comunicar com os mortos, embora não tenha sofrido nenhuma perda. Tem certeza sobre o além vida. A outra esteve morta, e fica em dúvida sobre o além - é estudada, deve ser atéia. O terceiro, é uma criança, e sua principal preocupação é a sua vida sem o irmão e grande companheiro, e busca saber o que há do lado de lá para exigir ou pedir que seu irmão volte, não se vá, pois lhe faz muita falta.

Como li no contracampo, não há em verdade história no filme, mas uma exploração desses sentimentos, do modo com que cada qual lida com a morte.

Ao final, as três histórias se cruzam em Londres. A jornalista vai à feira do livro lançar sua obra sobre a morte, Matt Damon foge dos Estados Unidos onde seu irmão queria de novo trazê-lo ao oficio de médium, e o menino está por lá, ainda em busca de seu irmão morto há mais de ano.
Damon se comunica com o gêmeo morto, e este diz a seu irmão que tudo está bem, mas que agora em diante é com ele, ele deve seguir sua vida. Além disso, ele se encanta com a jornalista francesa e consegue ter uma visão boa - que tudo dará certo entre eles, aparentemente se livrando daquela idéia de que saber o que houve ou o que pode haver lhe seja tão tormentosa, e a jornalista, embora sem saber, embarcará novamente na vida, deixando para trás suas dúvidas, seu ex-amante que a largou. Os encontros redimem os personagens.O filme, de notável, tem a ausência de exploração do além, de imagens do paraíso (ou inferno). É um filme sobre os vivos, e como eles lidam com a morte (ou quase morte). Bom filme.


NOTA IMDB - 6,7. Merece um pouco mais, mas não muito.

APENAS UMA VEZ (2006), de JOHN CARNEY - 29.07.2011

Um músico de rua irlandês - que durante parte do dia ajuda seu pai em uma oficina de aspiradores de pó - e uma Tcheca vendedora de rosas se encontram nas ruas de Dublin, e pelo amor à música, se aproximam.
O músico é autor de várias canções, mas não canta profissionalmente nem divulga suas músicas, mas passa a ser incentivado pela Tcheca, que toca piano - vende as rosas.  A amizade entre eles vai aumentando pouco a pouco, cada um contando também as desventuras de suas vidas.
O rapaz sofre com a falta de sua namorada, que o traiu, e a tcheca tem uma filha de seu casamento fracassado. Ela migrou para a Irlanda deixando seu marido para trás.
Aos poucos começam a se aproximar cada vez mais, com uma atração latente, mas não realizada.
Ao passo em que o sonho do músico começa a se realizar - a gravação de uma fita com suas canções, que o ajudarão ir a Londres tentar o sucesso - cada um acaba tomando seu caminho, a tcheca resolve voltar para o marido, para que a filha não fique sem o pai, e o músico entra em contato com sua antiga namorada e parte para Londres, para tentar a sorte.
Tudo parece um grande videoclipe de uma banda indie americana, o filme é um quase-musical. O melhor do filme são as sessões de gravação em estúdio. Ganhou Oscar de melhor canção.

NOTA IMDB - 8. Vale um 5 ou 6, não mais.

sábado, 30 de julho de 2011

A MORTA-VIVA (1943), de JACQUES TOURNER, 29.07.2011

O gênero "filme de terror" foi menosprezado por muito tempo. Jacques Tourner, sempre elogiado por Inácio Araújo fez alguns filmes, dos quais a três tive acesso e estão gravados - mas este é o primeiro a que assisto, e Rubens Ewald Filho diz que o principal produtor desses filmes, Val Lewton, é que fez que tais filmes passassem a ser respeitados.
Este “A Morta-viva” (I walked with a zombie) trata de uma enfermeira canadense (Betsy Connell - a atriz Frances Dee) contratada para um estranho trabalho no Caribe, em Barbados, sem que muita coisa lhe tenha sido dita, sendo-lhe perguntado se acreditava em bruxaria.
Na viagem de navio, ouve dizer que tudo que vê de belo são enganosas, que os peixes-voadores voam para fugir de algo, que vivem em terror, contratante. Paul Holland, diz que tudo ali é morte e putrefação, e que o brilho do mar se deve à matéria em putrefação.
Inicia-se o filme com a enfermeira caminhando em uma praia dizendo que “I walked with a zombie”, ou seja, isso já é passado, e que isso pode parecer estranho, mas assim foi. Após rever o filme, voltei ao seu início e tive a impressão de que, na verdade, ela caminhava acompanhada por Carrefour - um zumbi negro que só vai aparecer bem adiante na história - e que demonstraria que Betsy se acostumou com aquela atmosfera caribenha, com seus encantos e segredos. 
Ao chegar a Barbados, trava contato com um chofer negro que diz que a família Holland (a mais antiga do lugar) trouxe à ilha os negros – então escravos -  e T-Misery – um “homem” com flechas, na verdade, uma carranca de navio representativa de São Sebastião, que é diversas vezes mostrada, e deve ter algum simbolismo que me escapa
Fort Holland – a propriedade em que Betsy passa a trabalhar, era muito silenciosa, e ela confessa numa narração em off  que ali conheceria o amor e veria uma estranha confissão (a da Sra. Holland, de que Jessica era um zumbi).
Wesley Rand – meior irmão de Paul Holland – faz o papel de anfitrião, explica os lugares à mesa, o da Sra. Rand (mãe dos dois meio-irmãos), e o da esposa de Holland, Jessica - que será a morta-viva; logo se vê que há um conflito entre Wesley and Paul, pois  Jessica e Wes teriam se envolvido, e esse problema entre irmãos foi mediado pela mãe deles, mas o ressentimento persistiu. Paul ficou amargo, Wes virou alcoolatra e irônico.
Jessica teve uma febre que consumiu sua medula, ficando catônica, e Betsy, ao ver frustrada a sua tentativa de cura médica, apela para a cura "espiritual", por meio de ida ao vodu - numa expedição muito bem filmada, em que elas passam por vários "trabalhos" do vodu, e se encontram pela primeira vez com Carrefour (encruzilhada, em francês).
Betsy está apaixonada por Paul, e em benefício deste tenta a cura de Jessica, embora Paul não lhe dê certeza de que realmente deseja ver Jessica curada.
Na cerimônia vodu, inviabilizada a cura, os praticantes da seita não descansarão enquanto não resolverem a questão da sofredora Jessica, e o que parece primeiramente ser uma tentativa de cura, se demonstrará uma forma de aliviar o sofrimento de Jessica com a sua morte (nunca se sabe com certeza se ela é zumbi ou apenas vítima de uma febre incapacitante), primeiramente orientando Carrefour a ir ao seu encontro - frustrado - na mansão por Paul. Wes, ao final, também será manipulado pelos praticantes do vodu, e auxiliará Jessica em sua libertação - matando-o-a, e ele mesmo também morre, ao que parece se livrando dos tormentos que sofre (amor por Jessica, incompreensão do irmão e da mãe, alcoolismo). Carrefour presencia a cena no mar, em que Jessica já morta é levada por Wes, que se afoga. O filme termina com os negros trazendo os cadáveres a Fort Holland.

O início do filme já antecipando que haverá um zumbi, as cenas noturnas em que Jessica Holland caminha com uma luz muita clara, sobrenatural, quase, são muito bem boladas e filmadas. Um filme de apenas 68 minutos gerou uma resenha bastante longa. O filme tem muita coisa boa a observar.
NOTA IMDB: 7,3. Boa nota.