Mais um filme do elogiado Jacques Tourner (A Morta-Viva), esse com um elenco estreladíssimo, com Vincent Price, Peter Lorre, Boris Karloff e até talvez o mais tradicional todos os Sherlock Holmes (Basil Rathbone), vivendo um papel bastante diferente.
O filme começa muito bem-humorado, em um enterro em que os coveiros vividos por Vincent Price (Waldo Trumbull) e Peter Lorre (Felix Gillie), fingem sentimentos compassivos pela morto e sua família, agem de forma meio ensaiada, com expressões semelhantes, mas tão logo os convidados deixam o local, rapidamente despejam o corpo na cova, sem o caixão (para economizar a esquife), e tampam o morto em alta velocidade, com uma música apropriada a filme cômico e com imagem acelerada, para logo saírem dali e garantirem o lucro da economia de um caixão, ficando logo circunspectos na condução do carro fúnebre (evidentemente, para não passarem uma impressão "equivocada" sobre sua seriedade de agentes funerários).
É interessante como enterros dão um bom começo de filme ou, pelo menos, permitem o desenvolvimento de uma boa trama. Lembro-me, rapidamente, de "A Vila", em que o enterro permite dar a noção dos problemas da Vila - isolamento do mundo exterior; Enterro Prematuro, que permite explorar o terror de Ray Milland em ser enterrado vivo; O Homem que Amava as Mulheres, do Truffaut, que permite ver a influência de Bertrand sobre as mulheres, entre tantos outros: Enterrado Vivo, Frankenstein, de James Whale, por exemplo.
Os créditos inicias assemelham-se a créditos de um filme de faroeste, e uma música como se de vaudeville continuam a dar a nota de comicidade-horror que parece acompanhar esse filme.
Bem, o filme chama em inglês The Comedy of Terrors, ou algo como "A comédia do terror ou dos terrores", e o filme é mais cômico do que assustador, e bastante engraçado.
Trumbull (Price) e Mr. Gillie (Lorre), que trabalham juntos na casa funerária que Trumbull assumiu em lugar de seu sogro ancião, surdo e aposentado (Boris Karloff, que vive Amos Hinchley - a quem Trumbull tenta repetidas vezes matar, ministrando veneno), estão à beira da falência, e devem mais de um ano de aluguel a Mr. John Black (Basil Rathbone), e para conseguir algum dinheiro, precisam de clientes. Para consegui-los, vêem como única maneira passar a matar pessoas, por iniciativa de Price e contrariedade resignada de Lorre, para que seus serviços funerários voltem a ser necessários.
A primeira tentativa dá errado, porque embora consigam efetuar o assassinato, a viúva dá-lhes um golpe, e malgrado tenham que efetuar o enterro, não conseguem cobrar, pois esta foge com o dinheiro do defunto.
Então, resolvem, com uma só paulada, matar dois coelhos. Trumbull resolve matar o Mr. Black, para assim receber o dinheiro das exéquias bem como para se livrar de seu senhorio, de suas dívidas de aluguel.
O plano não dá muito certo porque Mr. Black teima em não morrer. Ele tem catalepsia, e então, por duas vezes, mesmo quando o dão por morto, ele acorda de sua letargia, uma dentro da casa funerária do Trumbull e Gillie, outra já em seu jazigo, do qual é retirado por Joe E. Brown (o ator que diz a famosa frase final de Some Like It Hot: "Nobody's perfect").
Paralelamente, a esposa de Trumbull - Amaryllis - uma cantora fracassada de ópera, a quem o marido trata terrivelmente mal, e diz só aguentá-la por causa da bebida - se aproxima de Gillie (que tem muita pena do tratamento a ela dispensada por seu patrão), para ao final, fugirem juntos.
Mr. Black tem uma fixação por Shakespeare e recita incessantemente falas de Macbeth, inclusive a talvez mais famosa, que a vida não é nada além de uma sombra andante, um pobre ator sobre um palco, é um conto contado por um idiota, cheio de som e fúria, significando nada.
Ao fim, Mr. Black, adequando sua conduta às falas shakesperianas de vingança contra Macbeth, vai ao encontro de Trumbull para se vingar daqueles que tentaram matá-lo, ou mesmo sem matá-lo, quiseram enterrá-lo.
Trumbull consegue defender-se de Black, dá-lhe tiros; asfixia sua mulher; fustiga Gillie com uma barra de ferro, e vê-se em problemas com aqueles "mortos" a sua frente, resolvendo fingir-se também de violentado, acossado por algum terceiro agente. Hinchley (Karloff) vê aquela cena, pensa que Trumbull está doente, e lhe ministra o veneno que por várias vezes seu genro tentara lhe impingir dizendo ser um remédio, e assim, Hinchley, querendo ajudar Trumbull, o mata.
Ainda há tempo para Black, mesmo alvejado por tiros, dar sinais de que ainda não morreu, enquanto Amaryllis e Gillie, efetivamente ainda vivos, seguem seu caminho.
Lorre, conhecido por personagens soturnos (M, o Vampiro de Dusseldorf, ou ainda O homem que sabia demais), está muito engraçado, com falas espetaculares. Price também brilha como o agente funerário sempre bêbado que trata mal sua mulher, seu sogro, sem empregado, e usa das expressões mais canastronas para dar graça a seu personagem, e falas maravilhosas para fustigar os que o cercam. Karloff está bastante contido como o velho surdo, mas tem também sua graça.
O filme começa muito bem, e dá uma caída mais para o final, mas se trata de ótima diversão.
Nota IMDB - 6,6. Para mim, valeu mais. Gostei bastante. Vale um 7,5. Engraçadíssimo.
BLOG DE CINEMA DO ESPECTADOR COMUM, QUE NÃO VÊ MUITO DOS ASPECTOS TÉCNICOS - POR ABSOLUTA INCAPACIDADE, APENAS PRESTA (UM POUCO) DE ATENÇÃO NA HISTÓRIA - E CONTA O SEU FINAL!
terça-feira, 22 de novembro de 2011
segunda-feira, 21 de novembro de 2011
A MÚMIA (1932), de KARL FREUND - 20 e 21.11.2011
Este filme, de 1932, do qual conhecemos mais a refilmagem com Brendan Fraser (até porque passa quinhentas vezes por semana, enquanto este raramente pode ser visto na TV a cabo), é visto aqui em sua versão o original, em que Boris Karloff interpreta Imhotep, a múmia enterrada viva e ressuscitada com a leitura do livro que o traz à vida.Uma expedição do Museu Britânico chefiada por Sir Joseph Whemple (Artur Byron) vai ao Egito e, em 1921, encontra um tesouro arqueológico espetacular, uma múmia em ótimo estado, aparentemente enterrada viva, e uma pequena caixa que contém uma maldição de morte e danação eterna para quem a abrir, e ali dentro, o Manuscrito de Tot, que contém as palavras de Ísis que ressuscitaram Osiris.
Mesmo alertados dos riscos daquela descoberta, o assistente do chefe da expedição arqueológica abre uma urna e lê um hieroglifo que desperta A Múmia Imhotep, um sacerdote egípcio, o que imediatamente o leva à loucura, e ao chefe, a dizer que nunca mais voltaria ao Egito.Passam-se dez anos e o filho de Sir Joseph Whemple, Frank, está agora em outra expedição do museu británico quando um egípcio estranho (Imhotep disfarçado de mortal comum) chamado Ardath Bey indica, aparentemente desinteressado, um local em que farão uma descoberta incrível - Anckesenamon, filha de um imperador e antigo amor de Imhotep.
Helen Grosvernor (Zita Johann), filha de um inglês com uma egípcia, parece ser a reencarnação da princesa morta, ou ao menos sofre forte influência dos poderes de Imhotep, inicialmente demonstrado quando Imhotep tenta trazer novamente à vida sua amada Anckesenamon.
Imhotep começa sua peregrinação para ressuscitar sua amada, matando os que atravancam seu caminho, quase sempre por meio de feitiços, matando Sir Joseph, tentando fazer o mesmo com Frank (que é salvo por um amuleto). A única pessoa que parece capaz de impedi-lo é Dr. Muller, um médico versado nas lendas e magias do Egito antigo, e que consegue resistir aos feitiços de Imhotep e conhece as artimanhas deste.
Quando o antigo sacerdote leva Helen/Ancksenamon ao Museu do Cairo, onde estão os apetrechos da câmara mortuária da princesa egípcia, para completar a reencarnação da filha do imperador Amenófis, e tudo está em vias de ser consumado, Helen assume a personalidade de Ancksenamon, e embora esta inicialmente resista pois diz ainda ser a princesa, mas também já é outra pessoa, logo está pronta para o sacrifício, qual seja deixar que Imhotep a imole, para, depois de morta e mumificada, ser trazida à vida na mesma condição que Imhotep, uma múmia morta-viva.
No hora H, Frank e Dr. Muller chegam, e Helen/Ancksenamon, chamada por Frank, roga a Isis (há uma estátua dessa deusa) para que a salve da morte. A deusa então intervém, a estátua ganha vida e destrói Imhotep, transformando-o novamente em múmia sem vida, numa cena de boa maquiagem e efeitos especiais, queimando, no mesmo ato, o manuscrito de Tot, impedindo, dessa forma, que fato semelhante voltasse a acontecer.
Frank é instado por Dr. Muller a chamar por Helen, que se encontra desacordada, para trazê-la do passado para onde foi, pois somente o amor de Frank poderia salvá-la. Ele a chama, diz que a ama, e a salva. Fim.
Há uma cena durante o filme em que Imhotep induz Helen a ver o que houve no Egito antigo, a construção da cena é muito bem feita, numa paisagem desértica, de um modo original que não me lembro de ter sido feito em qualquer outro filme que trate do Império Egípcio, com a reconstituição histórica que por mais sem fundamento que possa ser (e não sei se o é), cria uma atmosfera intrigante, com cenas da corte egípcia, do funeral de Anckesamon, das falhas e erros (utilização do manuscrito de Tot, desafiando a ira dos deuses) que levaram Imhotep à danação eterna, mostrando inclusive sua mumificação ainda vivo.
Mais uma vez, uma história direta, sem firulas, bem contada, um bom filme. Só há uma ponta solta que é a imediata atração de Frank por Helen, injustificável que ocorresse, assim, de pronto. Mas acho que é o baixo orçamento, o filme curto, pouco tempo para desenvolver melhor a trama que leve à essa ligeireza. Esse detalhe não compromete a trama, só deixa um pouco fraco esse ponto do filme.
Nota IMDB - 7.3. Acho que a nota está adequada. O filme é melhor que o Drácula com Lugosi. A maquiagem de Karloff é estupenda, e este atua bem como a múmia, com seu gestual lento e fala pausada. A iluminação do olhos de Karloff é bem melhor do que a feita para realçar o olhar de Lugosi, ou seja, um ano depois, encontrou-se uma solução técnica bem melhor para o mesmo problema.
domingo, 20 de novembro de 2011
FÚRIA (1936), de FRITZ LANG - 19.11.2011
Esse filme, o primeiro dirigido pelo grande Fritz Lang (Metrópolis, M, o Vampiro de Dusseldorf) nos Estados Unidos trata de assuntos bem importantes. O linchamento, um julgamento justo, a justiça, a vingança, o papel - ou a inação - do Estado, representada pela não remessa de reforço policial pelo Governador, a conselho de um aspone.
Joe Wilson (Spencer Tracy) está noivo de Katherine (Sylvia Sidney) estão enamorados, e pretendem casar, mas vivem dificuldades financeiras. Katherine migra de Chicago para uma outra para ter um emprego melhor e melhor salário, enquanto Tracy continua em sua cidade até que consiga juntar uma grana e então ir atrás de sua noiva para casar.
Nota IMDB - 7.9. Daria um pouquinho menos, mas é um filme bastante bom. Vale a pena assistir.
Joe Wilson (Spencer Tracy) está noivo de Katherine (Sylvia Sidney) estão enamorados, e pretendem casar, mas vivem dificuldades financeiras. Katherine migra de Chicago para uma outra para ter um emprego melhor e melhor salário, enquanto Tracy continua em sua cidade até que consiga juntar uma grana e então ir atrás de sua noiva para casar. Quando finalmente, um ano depois, consegue um dinheiro, no caminho é confundido, por indícios meramente circunstanciais (amendoim nos bolsos) com um assassino de menores, e preso. A polícia de Capitol City faz um trabalho inicialmente preguiçoso, mas o delegado (Edward Ellis, um ótimo coadjuvante - que fez dois papéis interessantes em outros filmes que vi durante este 2011, O Fugitivo, em que é o presidiário Bomber, amigo de Paul Muni; The Thin Man, em que é o assassinado Clyde Winant com William Powell e e Mirna Loy) fica em dúvida e diz que somente com a chegada do District Attorney alguma coisa será feita.
Mas na cidade a notícia de que o "assassino" das crianças foi preso gera uma onda de boatos, versões da história, e logo a turba resolve decidir rapidamente o futuro de Joe Wilson, linchando-o.
A malta consegue, contra a resistência do xerife e seus ajudantes, invadir a delegacia, e chegar até a carceragem, mas não logram êxito em entrar nas celas, e por isso, não conseguindo alcançar Joe Wilson, resolvem incendiar a delegacia. Katherine, impotente, vê seu noivo dentro da delegacia em chamas, e o prédio é consumido. Chega-se à conclusão que Tracy morreu, linchado (queimado), e logo em seqüência se descobre que ele era completamente inocente, e que esse inocente morto agora era um grande ultraje, uma vergonha para a imagem da cidade, e que o melhor para todos seria esquecer aquilo, nunca mais mencionar tal fato.
Ocorre que Tracy, de fato, não morreu, tendo conseguido fugir da carceragem pela tubulação de água. Ele, até então um homem de boa índole, que sempre quer que se leve uma vida honesta, resolve buscar vingança contra os linchadores, ainda que dentro do sistema legal, processando-os. Como não pode aparecer - por estar teoricamente morto, incumbe seus dois irmãos de tocar adiante a vingança, buscando a condenação de seus ditos algozes à morte, eis que linchamento, naquele Estado da Federação em que houve o ataque popular, é considerado homicídio em primeiro grau, crime sujeito à pena de morte.
No julgamento, o District Attorney (promotor) usa imagens das equipes de televisão para identificar os 22 acusados como participantes ativos do linchamento, e com isso já desmascara as testemunhas da comunidade que praticaram falso testemunho para proteger os "valores locais, da comunidade".
Um segundo momento do julgamento trata de alguém efetivamente ter visto Wilson preso e sob as chamas, o que só é possível com o testemunho de sua ex-noiva Elisabeth.
Um terceiro momento trata da ausência de materialidade do delito, pois como não há corpo (até porque Wilson está vivo), não há como provar juridicamente que realmente há um morto, e portanto, não há como provar que houve assassinato.
Para driblar essa deficiência probatória, é entregue em juízo uma carta anônima junto à aliança em que constam os nomes de Elisabeth e Joe, e que teria sido encontrada por alguém que limpou a delegacia incendiada, fazendo a prova da presença do de Joe no local do crime, convencendo os jurados, mas fazendo Elisabeth ter certeza de que Joe está vivo, em razão de um erro de grafia que era sempre cometido por ele.
Elisabeth e os irmãos de Joe o pressionam para esclarecer a situação, mas este, revoltado com tudo e todos, em princípio reluta. Contudo, sozinho e atormentado, Joe resolve se apresentar à Corte, no exato momento em que se começam a ler os vereditos condenatórios, e o faz não pelos homens que salva, pois os considera assassinos, mas para preservar as coisas em que acreditava, na Justiça, nos Estados Unidos, nas pessoas. Faz as pazes com Elisabeth.
Nota IMDB - 7.9. Daria um pouquinho menos, mas é um filme bastante bom. Vale a pena assistir.
Marcadores:
filme de tribunal,
fritz lang,
fúria,
fury,
linchamento,
spencer tracy,
suspense,
vingança
sábado, 19 de novembro de 2011
DRÁCULA (1931), de TOD BROWNING - 16.11.2011
Estou concomitantemente assistindo ao "A Múmia" e Frankenstein, com Karloff, para ver os três filmes clássicos sobre o maiores monstro do cinema numa só tacada, e todos os filme são produzidos por Carl Laemlle Jr. Tudo parece econômico, tanto que os créditos deste Drácula e d'a Múmia são muito semelhantes e ambos com a música do balé O Lago dos Cisnes ao fundo.
O filme aparentemente segue o livro de Bram Stoker (não o li), assim como fizeram, anteriormente o filme de Murnau (Nosferatu) - este não creditado por disputa por direitos autorais, e depois, ao menos o filme do Coppola. Há outros filmes sobre o vampiro, mas não os assisti, tá faltando pelo menos o da década de 60, com o Christopher Lee.
O Nosferatu é impressionante, a caracterização animalesca do vampiro é espetacular, e muitas das brilhantes criações de Murnau foram copiadas por Coppola - tal como a sombra atrasada do vampiro. Browning faz um filme muito mais teatral, que entrou para a história por Bela Lugosi, o mais famoso Drácula, com seu olhar aí acima representado (e sempre realçados no filme por uma iluminação especial, que às vezes é boa, às vezes, exagerada). Lugosi está um perfeito canastrão no filme, suas falas são pouquíssimas, o que mais faz são suas "caretas" de drácula, para hipnotizar ou para se comunicar telepaticamente com seus servos, Renfield por exemplo. Mas seu modo de falar, suas ironias (I never drink... wine [only blood, podemos entender]) são muito boas.
Ademais, incontestavelmente, criou a caracterização clássica do vampiro mais famoso do cinema, e convenhamos, dá de 10 a zero, por exemplo, no caricato Keanu Reeves que faz Johnatan Harker no filme do Coppola - para mim o único, mas grandioso defeito do filme do diretor de O Poderoso Chefão.
O filme: Renfield (Dwight Frye) chega à Romênia para fechar o negócio do aluguel da londrina Abadia de Cairfax ao Conde Drácula. Drácula forja um encontro casual - no teatro - com Mina Seward (Helen Chandler), o pai desta, Dr. Seward - dono de um sanatório, e com John Harker - de quem Mina estaria enamorada, além de Lucy. Logo o Conde vampiriza Lucy.
Bem cedo na história, pela observação de Renfield e pelas mortes com mordidas no pescoço, o Dr. Van Helsing e Seward chegam à conclusão de que o caso trata de vampiros, uma superstição antiga que agora parece verdadeira.
Lucy, vampirizada e vestida de branco, ataca e mata crianças, porém esse trama fica subdesenvolvida na história e simplesmente some do filme, sem se saber o que foi feito de Lucy.
Drácula também morde Mina, esta bebe o sangue dele, e para a transformação dela em vampira ser completa (ela já está sob seu controle mas ainda não virou definitivamente uma vampira), Drácula terá de matá-la durante a noite.
Van Helsing o persegue e impede que ele execute a morte antes do nascer do dia, obrigando Drácula a voltar para seu caixão, quando Van Helsing consegue matá-lo (uma grande sacada a estaca utilizada ser tirada da tampa da caixão, que o caçador de vampiros quebra para criar a arma mortal para o vampiro).
Filme simples e direto. Conta a história e manda o recado.
O roteiro é simples e as vezes falho (acho que até em razão do baixo orçamento e não há, como no filme do Coppola, a explicação da fixação atemporal de Drácula por Mina, a história de Lucy fica mal contada, há diferenças na história - no filme de Coppola, Harker também vai à Transilvânia, após a volta alucinada de Renfield, neste apenas Renfield viaja. Não há efeitos especiais propriamente ditos, e as cenas em que há alguma necessidade disso são feitas com cortes que dão a impressão de ter havido o efeito. Por exemplo, Drácula está atrás da teia de aranha, e para dar a impressão de passar por elas sem destruí-las, Lugosi é filmado antes e depois de passar por ela; ou a transformação de morcego em Drácula, igualmente, em que se filma o morcego cenográfico (mal feitos, por sinal, afinal estamos em 1931), e depois, o vampiro já personificado.
Tod Browning entende do riscado, mas se sai melhor em Freaks do que neste Drácula. De qualquer modo, há algumas cenas bastante interessantes, uma panorâmica na sala de autópsia de Lucy, por exemplo, os interiores do Castelo de Drácula e da Abadia de Cairfax.
O filme é razoável, cria o cânone hollywodiano do Conde Drácula, mas, a meu sentir, fica atrás tanto do filme do Coppola, dos anos 90, e do Nosferatu, de 1922, conduzido pelo Murnau. Vale a pena, de qualquer forma.
Nota IMDB - 7,6. Vale um pouco menos, essa nota tá perto de 8, o que é exagerado. Um 7 tá de bom tamanho.
Marcadores:
bela lugosi,
bram stoker,
drácula,
tod browning
sexta-feira, 4 de novembro de 2011
A GENERAL (1926), de CLYDE BRUCKERMANN e BUSTER KEATON - 12.10.2011
Em seu filme mais famoso, Buster Keaton - o comediante que não ri - interpreta Johnny Gray, o maquinista da locomotiva "General" e enamorado de Annabelle. Em Marietta (Geórgia - um estado sulista, logo confederado), em 1861, durante a guerra civil americana, Johnny (Keaton) tenta se alistar no exército confederado, mas não consegue seu intento pois os alistadores entendem que sua importância para o Sul é maior como maquinista do que como soldado, e isso o faz cair em desgraça com sua amada e a família dela, que não sabem da razão de sua rejeição e o tem como covarde, traidor da causa sulista.Concretizado o roubo em uma parada para refeição dos passageiros da "General" conduzida por Gray, por coincidência Annabelle está dentro do trem, pois ia em viagem para encontrar seu pai (e quase sogro de Keaton), que se ferira na guerra.
Johnny Gray passa a perseguir a sua locomotiva sem saber de Annabelle, apenas para recuperar a sua máquina, com um outro trem que obteve na parada - a locomotiva "Texas".
Na perseguição, são variadas as situações cômicas muito bem engendradas, como Keaton conduzindo seu trem acreditando que uma divisão do Exército Sulista está embarcada para o ajudar, sem notar que houve um desenganche e ele está sozinho; os desvios de linha para se livrar de obstáculos que surgem à frente; as dificuldades com um canhão; a inversão na posição dos trens, ora Keaton perseguindo "a General", ora esta lhe perseguindo com os nortistas; as dificuldades com a água; a dificuldade em obter madeira para alimentar a fornalha, etc.
Em certo lugar, o exército nortista pára, e Keaton consegue adentrar no QG dos militares para salvar Annabelle, e incidentalmente, sob uma mesa, escondido, consegue ouvir os planos de ataque de seus inimigos, e planeja voltar ao Sul e contar todos os planos a seus confrades.
Então, disfarçado com uma farda nortista, consegue salvar Annabelle, enfiando-a em um saco de suprimentos, carregando-a para dentro d'a General, e partindo com sua estimada locomotiva em retorno ao Sul.
Em sua fuga, é perseguido pelos nortistas que buscam evitar que seus planos sejam revelados aos inimigos, outra sorte de situações engraçadas é exposta, seus desencontros com Annabelle, esta, por exemplo, tentando varrer o chão de uma locomotiva a vapor, o atrapalhando para alimentar a fornalha, etc.
A perseguição prossegue até que chegam a uma ponte, Keaton a dinamita (a locomotiva Texas foi efetivamente destruída na filmagem desta cena), e dá-se então uma batalha em que, quase sem querer - por exemplo com uma espada que se desprende da empunhadora e mata um atirador nortista-, Keaton é determinante para a vitória e para a retirada em fuga dos inimigos da União.
Já no acampamento-base do Exército Confederado, é recebido por um oficial que o congratula por suas ações e o nomeia de imediato tenente, com isso conquistando o respeito de sua amada, de seu sogro, e passando a herói do Sul.
Sentado nos eixos que ligam as rodas da General, ele beija Annabelle, enquanto cumprimenta os vários militares que passam por ele, dando um jeito de continuar beijando a moça e, ao mesmo tempo, erguer a mão para cumprimentar seus colegas milicos.
Nota IMDB - 8,4. O filme é bom, mas não pra tudo isso. As gags mais físicas, como o filme de Buster Keaton anteriormente comentado - Amores de Estudante - não estão tão presentes. Os filmes mudos são difíceis, agora mais distanciado, acho que a nota se não é 8,4, fica perto.
SEM LIMITES (2011), de NEIL BURGER - 30.10.2011
Um filme que, tal qual a personagem principal Eddie Morra (Bradley Cooper) só dá para aguentar chapado, tomando alguma baguinha.Eddie Morra é um escritor fracassado, com um contrato de adiantamente para escrever um livro, mas há tempos não escreve uma só linha. Seu relacionamento com sua namorada também já foi pro beleléu.
De repente, o irmão de sua ex-namorada aparece e lhe oferece uma droga para a expansão dos limites do cérebro.
Imediatamente, Eddie passa a se lembrar de tudo, e sua criatividade e inteligência explodem.
Ele rapidamente conclui o livro, e fica um gênio, ganha toda a mulherada, aprende a tocar piano e falar diversas línguas em minutos, etc, e resolve então ganhar dinheiro, na bolsa. Como ele tem pouca grana, seus ganhos são poucos, e ele resolve emprestar dinheiro de um russo ou qualquer coisa assim, e embora ganhe bastante dinheiro, ele esquece de pagar a ninharia que tomou emprestado do russo (uma burrice tamanha para quem tem um QI espetacular - e um grande furo - entre muitos outros - na história), o que vai lhe trazer dissabores.
O fato, contudo, é que os efeitos da droga são temporários, e ele precisa de mais droga. Vai até o apartamento de seu fornecedor, e quando sai de lá para ir ao mercado, na volta o ex-cunhado foi morto. Ele encontra várias pílulas (que os assassinos não puderam encontrar), o que lhe garante suprimento de inteligência por um bom tempo), mas sofre terríveis efeitos colaterais sem usá-la, tanto que muitas das pessoas que consumiram a pílula se suicidaram.
Robert de Niro vive Carl van Loon, um magnata do mercado financeiro. De Niro parece estar cumprindo um expediente de 8 horas numa empresa de trabalho pesado. Não tá nem um pouco a fim de fazer aquilo, mas precisa ficar ali pra receber uma graninha no final do mês (ou das filmagens). É um dos piores papeis desse grande ator. Até palhaçadas como Meet the Fockers fica melhor para ele.
Com o sucesso repentino de Morra, Van Loon o contrata para assessorá-lo, mas Eddie tem problemas com o possível término das pílulas. Ele contrata um químico para fazer mais pílulas para ele.
Com o fim das pílulas, o mundo de Eddie começa a desabar, ele dá o bolo em Van Loon, está encrencado com os russos, que além de dinheiro também quer as pílulas, pois Eddie deu algumas a eles como parte do pagamento da dívida, etc.
Aí, o russos vem até seu apartamento cobrar a dívida, ele acha uma última pílula mas essa cai pelo ralo, então o russo é morto (nem me lembro bem como - a essa altura eu já tava bebendo cerveja, porque o filme é uma merda), e como o bandido tá "chapado" com a pílula, Eddie bem o sangue do rapaz, e fica ligadaço, mata todo mundo, e se salva.
Acho que daí passa um ano, e vemos que Eddie conseguiu sintetizar a fórmula da pílula, consegue moderação - ou equílibrio - no quanto da droga deve usar evitando os mortais efeitos colaterais, está concorrendo ao Senado, e quando Van Loon vem tentar extorqui-lo ou ameaça-lo, Eddie dá a volta no empresário fudidaço, dizendo que já estava preparado para isso, e que está muitos passos a frente de seu oponente, e que tal ameaça não vai funcionar. Tudo bem para nosso herói chapado.
Me dêem licença que eu vou tomar mais uma cerveja, e chapadão, ver se daqui a um ano já melhorei do embrulho que esse filme me trouxe.
Nota IMDB - 7.3. É palhaçada ou burrice. O filme é uma bosta. Nota 3 ou 4, se tanto. Quem gosta de ação (há bastante), sem lógica alguma, alguns efeitos especiais interessantes - embora utilizados apenas como recurso para dar alguma atratividade a um filme paupérrimo - pode até se entreter com esse "filme".
Marcadores:
bradley cooper,
limitless,
neil burguer,
robert de niro,
sem limites
quinta-feira, 3 de novembro de 2011
CINEMA PARADISO (1988), de GIUSEPPE TORNATORE - 26.10.2011
Eu vi esse filme, pela primeira vez, há muito tempo, e agora adquiri a coleção de cinema europeu da Folha de São Paulo, que embora pareça meio desigual - isso porque não conheço alguns filmes, tem algumas peças espetaculares.Quando compro um filme em DVD acabo por preguiça não o assistindo, porque tá ali, à disposição, e aí não o vejo logo.
Mas como tô de férias, e sem SKY, a solução foi ver alguns dos filmes, e que boa solução.
Cinema Paradiso é um filme muito bonito. Acompanhamos três fases distintas da vida de Totó - a criança fascinada por cinema que aprende tudo sobre o cinema, a vida, com Alfredo (Phillipe Noiret), um senhor que é o projecionista da sala do Cinema Paradiso em uma pequena cidade italiana - Giancaldo; o adolescente apaixonado, e o homem feito que retorna à cidade para rever algumas coisas de sua vida e acertar-se com seu passado.
O filme inicia com Totó já homem feito, por volta dos 50 anos de idade, cineasta famoso, que recebe um telefonema dando conta da morte de Alfredo. Dá-se então toda uma regressão no tempo, sentimental e memorialista, com Totó lembrando-se de sua infância e adolescência, para, finalmente, regressar a Giancaldo para as exéquias de seu amigo.
Quando pequeno, Totó (então Salvatore Cascio), uma criança bastante inteligente, orfão de pai - morto na guerra - tudo negligencia (em casa, por exemplo, gasta o dinheiro do leito de sua pobre família para comprar ingresso) para ir à sala de projeção, ver os filmes, e ficar observando o trabalho de Alfredo, com ele conversar e tirar grandes lições.
Quando um incêndio destroi o Cinema Paradiso (as películas eram altamente incendiáveis), na ânsia de apagar o fogo Alfredo sofre queimaduras e perde a visão.
Um cidadão de Giancaldo que ficou rico na loteria esportiva então reconstrói o cinema - o Nuovo Cinema Paradiso - e contrata Totó, ainda criança, para ser o novo projecionista.
Alfredo, mesmo cego, volta a freqüentar a sala de projeção, e continua sua amizade com Totó, dando-lhe amizade e ensinamentos para toda a vida.
Num corte bem feito, Alfredo passa as mãos sobre o rosto de Totó criança e então já o vemos adolescente, mas ainda projecionista do cinema, e Alfredo envelhecido.
Totó se apaixona por uma menina que chega a Giancaldo - filha do novo gerente do banco, e então passa a perseguir o amor desta, vendo sua atração retribuída somente depois de muito sacrifício. Não fosse isso, tão logo o pai da moça descobre o romance, faz de tudo para dificultar o encontro dos dois, terminando por obter êxito em afastá-los definitivamente, levando a moça a um lugar não sabido. Achei essa, definitivamente, a parte mais fraca do filme, mas que não chega a ser ruim, com exceção do momento em que Alfredo, já acamado e sem vontade de fazer grandes esforços, chega a Totó e o aconselha a partir de Giancaldo e nunca, nunca voltar, não olhar para trás, sequer telefonar, e seguir sua vida e seus sonhos. Ainda lhe diz que se ele retornar que não o procure, que entnão não será recebido.
Totó, com efeito, até o telefonema dando notícia da morte, vive sua vida de cineasta famoso, muitas mulheres em romances de curta duração, sem voltar ou tratar de sua cidade natal. Termina a regresão e chegamos ao Salvatore adulto voltando a Giancaldo.
Ali, pela primeira vez, se reencontra com sua mãe desde sua partida, com as personagens que fizeram parte de sua vida, o louco da praça, o dono do Nuovo Cinema, o lanterninha do cinema, o casal que se conheceu durante os filmes, etc.
O cinema fechou, os vestígios mostram que antes do seu fechamento houve uma decadência (filmes pornô foram as derradeiras atrações) como acontece por todo lugar, mas a cidade - por mais que tenha mudado - continua a mesma, ao menos afetivamente, e que as origens de qualquer um, por mais que delas tenha tentado se afastar, continuam.
Finalmente, Totó após acompanhar o cortejo fúnebre, a demolição do prédio do cinema, vai à casa de Alfredo, e a mulher deste lhe entrega um presente, uma lata de filme.
Voltando para onde mora, Totó pede que o projecionista passe o tal filme, e ali constam todos os beijos que foram cortados das projeções, por intervenção do padre de Giancaldo, e que eram, portanto, sonegados do público, num trabalho meticuloso (colar pequenos trechos de filmes), carinhoso, e feito por um cego, numa demonstração de afeto espetacular, em cena muito bela.
Memória, amizade, o cinema em si mesmo e os valores afetivos que tal arte pode criar em cada indivíduo, as memórias de cada qual na vida e no cinema, a vida em retrospectiva, os afetos deixados para trás em sua vida. Há muito a ver e pensar com este filme.
Nota IMDB - 8,5. Não sei se é pra isso tudo, mas entre 7,5 e 8 (e já é grande nota), e vale. Gosto muito desse filme.
Marcadores:
cinema paradiso,
giuseppe tornatore,
phillipe noiret
A VIDA ÍNTIMA DE SHERLOCK HOLMES (1970) - de BILLY WILDER - 02.11.2011
O filme começa 50 anos após a morte de Watson (Colin Blakely), dentro de um banco, em que se abre seu baú que somente após esse tempo deveria ter o conteúdo revelado, e ali dentro se contêm os segredos, a vida privada de Sherlock Holmes. Volta-se então a 1887, quando Holmes (vivido por Robert Stephens) se vê aborrecido, sem nenhum caso interessante, e esse tédio faz com que ele exercite seu vício cocainômano..
Dois casos que lhe são apresentados são rejeitados por irrelevantes, mas que assumirão importância adiante. Primeiro o sumiço de 6 anões de circo, rapidamente dada por banal por Holmes, haja vista que a recompensa seria muito pequena para encontrá-los, deduzindo que era apenas uma questão de avareza do dono do circo, e os pequenos resolveram encontrar outro emprego; e o desejo de uma grande bailarina russa em ter um filho, com Sherlock devendo ser o pai recebendo de paga um Stradivarius, para que a criança fosse bela como a bailarina e inteligente como Sherlock, não sem antes ter sido explicado que o detetive não era a primeira opção (foram considerados Tolstói - velho, Nietzche - amalucado e Tchaikovski - homossexual, muito boa a tirada, esses gênios estavam vivos a tal tempo). Sherlock rejeita o pedido, também dizendo-se homossexual, e que vivia com Watson.
Então surge o caso que deveria ser desvendado: aparece uma francesa - Gabrielle Valadon, vivida por Genevieve Page - desmemoriada na porta do 221-B de Baker Street. Ao passo que ela vai recobrando a memória, o problema é posto. Seu marido (Eugene) inventou uma bomba de ar - um compressor podemos dizer - e trabalhava para a Jonah (Jonas) Limited e a esposa acredita que ele tenha sido morto ou seqüestrado.
A investigação vai tomando corpo ao se descobrir que não existe a empresa, e no endereço em que as cartas entre Eugene e Gabrielle eram trocadas, também nada havia, exceto canários, uma velha paraplégica, um jornal que remete à Inverness, na Escócia.
Em tal ponto, Mycroft Holmes (que participa de um clube de cavalheiros que é uma fachada para um braço do serviço secreto e do Ministério das Relações Exteriores da Inglaterra), irmão de Sherlock, vivido por uma careca e quase irreconhecível Christopher Lee - o Drácula dos anos 60 e 70 - chama o seu irmão detetive e ordena que ele pare com suas investigações, ordem que, evidentemente, é desobedecida.
Indo à Escócia, ele passa a investigar e logo encontra um castelo suspeito, e eles começam a ver o monstro do Lago Ness. Indo ao lago, Holmes logo pode descobrir que o monstro é alguma engenhoca mecânica submersa, e o pescoço e cabeça do monstro são apenas para disfarçar o aparelho. Nesse ínterim, há passagens em que descobrimos que Gabrielle não é quem parece ser, e que ela se comunica com "monges trapistas", em verdade espiões disfarçados.
Descobrem ainda o nome de um cemitério - com base nas pistas obtidas ainda na Inglaterra - em que presenciam um enterro de mortos não identificados, e pela presença de quatro anões podem descobrir que dois dos mortos são anões, e o outro, um adulto de estatura normal, e ao escavarem encontram Eugene e três canários mortos, estes descoloridos.
Quando Holmes está prestes a desvender o caso, Mycroft manda chamá-lo para revelar o que é o monstro, na verdade um pequeno submarino em que a bomba de ar de Valladon permitia permanecer bastante tempo sob a água, pondo a Inglaterra em vatagem contra seus inimigos. Os canários são usados para medir vazamentos de gases tóxicos (tão logo o ambiente fique tóxico, os canários morrem poupando os homens), e os tripulantes são os tais anões de circo.
Ademais, revela que Gabrielle, em verdade, é uma espiã alemã que conseguiu enganar Sherlock completamente, e que os monges trapistas eram também alemães prontos para roubar o submarino.
A Rainha Vitória é chamada para batizar o submarino HMS (Her Majesty Ship) Jonah - no livro bíblico Jonas passou três dias e três noites dentro de uma baleia, o que revela que Jonas era o nome do projeto secreto governamental para qual Eugene trabalhava. Mas ela se recusa a dar seguimento ao projeto militar, pois isso vai contra os princípios ingleses, de atacar sem avisar, de afundar navios à socapa. Ainda diz que o Imperador Wilhelm, da Alemanha, não será problema, pois é seu parente distante, e uma carta bastará para trazê-lo ao seu juízo - o que se verá, em anos futuros, que acreditar na Alemanha terá sido um grande erro de avaliação.
Então Holmes volta para onde está Gabrielle, faz esta confessar, passa uma mensagem errada para os demais espiões alemães, que conseguirão roubar o submarino, mas este afundará, matando-os.
Holmes está mais ou menos envolvido emocionalmente com a espiã, então intercede para que esta não seja presa mas trocada por um espião inglês que está em poder dos alemães.
Um ano depois, Holmes recebe uma carta daquele clube de cavalheiros (o serviço secreto) dando notícia de que sua "amada" foi morta no Japão, e durante o período em que lá esteve, usou o nome de Aschcroft - nome sob o qual Holmes e a espiã usaram para se disfarçar na Escócia.
Abatido, ele pede a Watson a sua seringa para injetar a cocaína e suportar a perda. Ele entra em seu escritório e fecha a porta para se dopar.
Nota IMDB - 7,3. Talvez um pouco menos, mas um bom filme, bastante divertido.
Marcadores:
a vida íntima de,
billy wilder,
comédia,
detetive,
filme,
sherlock holmes,
suspense
quinta-feira, 13 de outubro de 2011
OS OUTROS CARAS (2010), de ADMA MCKAY - 13.10.2011
Este filme, para uma comédia despretensiosa, tem um grande elenco. Mark Wahlbert, Eva Mendes, Will Farrell (Allen Gamble), Samuel L. Jackson, Michael Keaton, vários em papéis pequenos.
O início do filme é bastante bom, as piadas boas. Os dois tiras destrutivos, espalhafatosos e famosos morrem, e então, uma dupla de policiais que não se dá bem entre si, com um querendo ser operacional, trabalhar na rua, e o outro, um burocrata, preocupado com números, com interesses em delitos de posturas urbanas, se deparam com a possibilidade de estar havendo um grande golpe financeiro
Will Farrell (que diga-se de passagem era um grande comediante no SNL, mas em seus filmes não é tão bom assim - de bom mesmo só vi o seu papel secundário em "Penetras Bons de Bico" - é um idiota, mas sempre se dá bem com belas mulheres - foi um cafetão na universidade - e é casado com Eva Mendes.
Wahlberg (Terry Hoitz), sempre angustiado, tem problemas com sua namorada Francine, e não tem mais credibilidade na polícia porque, há algum tempo, dera um tiro em Derek Jeter, jogador de beisebol dos Yankees.
Assim, sem respaldo do comando da polícia (até porque estavam mexendo com grandes interesses financeiros), seguem a trilha do golpe financeiro e impedem um golpe de 32 bilhões de reais contra o fundo de pensão da polícia, que iria repassar o dinheiro a um investidor que teve grandes perdas financeiras. Eles só conseguem o apoi da chefia policial muito ao final, e tendo que agir sem que desconfiem que eles continuam no caso de que foram afastados.
O filme faz referências à crise bancária americana (depois de frustrado o golpe a tal financeira consegue auxílio financeiro do governo americano, pois são "too big to fail", e menciona que no final, os heróis não são aqueles que estão sempre nas páginas dos jornais, que gostam de aparecer, mas aqueles que simplesmente fazem, de forma anônima, seu trabalho.
Nota IMDB - 6,6. Boa nota, filme divertido, nada excepcional, mas vale a pena.
O início do filme é bastante bom, as piadas boas. Os dois tiras destrutivos, espalhafatosos e famosos morrem, e então, uma dupla de policiais que não se dá bem entre si, com um querendo ser operacional, trabalhar na rua, e o outro, um burocrata, preocupado com números, com interesses em delitos de posturas urbanas, se deparam com a possibilidade de estar havendo um grande golpe financeiroWill Farrell (que diga-se de passagem era um grande comediante no SNL, mas em seus filmes não é tão bom assim - de bom mesmo só vi o seu papel secundário em "Penetras Bons de Bico" - é um idiota, mas sempre se dá bem com belas mulheres - foi um cafetão na universidade - e é casado com Eva Mendes.
Wahlberg (Terry Hoitz), sempre angustiado, tem problemas com sua namorada Francine, e não tem mais credibilidade na polícia porque, há algum tempo, dera um tiro em Derek Jeter, jogador de beisebol dos Yankees.
Assim, sem respaldo do comando da polícia (até porque estavam mexendo com grandes interesses financeiros), seguem a trilha do golpe financeiro e impedem um golpe de 32 bilhões de reais contra o fundo de pensão da polícia, que iria repassar o dinheiro a um investidor que teve grandes perdas financeiras. Eles só conseguem o apoi da chefia policial muito ao final, e tendo que agir sem que desconfiem que eles continuam no caso de que foram afastados.
O filme faz referências à crise bancária americana (depois de frustrado o golpe a tal financeira consegue auxílio financeiro do governo americano, pois são "too big to fail", e menciona que no final, os heróis não são aqueles que estão sempre nas páginas dos jornais, que gostam de aparecer, mas aqueles que simplesmente fazem, de forma anônima, seu trabalho.
Nota IMDB - 6,6. Boa nota, filme divertido, nada excepcional, mas vale a pena.
Marcadores:
comédia,
mark wahlberg,
policial,
the other guys,
will ferrell
quarta-feira, 12 de outubro de 2011
AMORES DE ESTUDANTE (COLLEGE - 1927), de JAMES HORNE e BUSTER KEATON, 07.10.2011
Como filme mudo, a imagem é tudo. O filme inicia na formatura de uma turma de escola secundária.
Buster Keaton é Ronald, um bom estudante secundarista, o melhor da classe, mas pobre e sem pendores para as práticas desportivas e na cerimônia de formatura faz um discurso anti-esporte, dizendo que os esportistas não acrescentam nada de bom ao mundo.
A estudante de quem Keaton gosta, com dinheiro, vai para a Universidade (College) e Keaton, em princípio não tem dinheiro para acompanhá-la. Além disso, ela lhe diz que só mudará sua opinião a respeito dele desde que ele mude sua opinião sobre os esportistas. Seu adversário pela mocinha do filme é um latagão esportista.
Quando Keaton chega à faculdade, ele tem todo um arsenal de equipamentos esportivos, e tenta praticar atletismo, beisebol, e nada dá certo, é um fracasso retumbante.
Finalmente ele é posto na equipe de remo, por ordem do reitor, para ser o timoneiro (cuida do leme e do ritmo das remadas), mas é prontamente sabotado por todos, que o fazem acreditar que faz parte do time, mas na hora da regata ele será posto de lado.
A equipe de remo do Clayton College depende da vitória para que a equipe não seja desativada, e no dia da competição, o técnico manda colocar sonífero no café de Ronald. Há a troca de xícaras e aquele que realmente seria o timoneiro é quem acaba adormecendo, vendo-se o técnico obrigado a colocar Ronald na regata.
Tudo começa bem, até que o leme se desencaixa. Keaton então amarra o leme às suas costas, entra na água, e conduz sua equipe à vitória.
Ao sair da água, todos seus companheiros recebem os cumprimentos de suas namoradas, amigos, etc., e Ronald está sozinho, porque a sua amada (Anne Cornwall) está encarcerada pelo seu rival atlético, sem que ele saiba.
Num momento de distração do "seqüestrador", a moça consegue telefonar para Ronald que então, superando todas suas desastradas atuações como atleta, corre numa velocidade absurda, salta sobre barreiras, salta em altura, salta com vara, dentro do quarto lança objetos como se fossem disco ou peso, se defende com um remo como se jogasse beisebol, ou seja, sendo um perfeito atleta em todas as modalidades em que retumbantemente fracassara, e assim, conquistando a sua amada.
Casam-se, e numa bela elipse temporal, mostram o casamento, o casal com filhos pequenos, eles velhinhos, e seus túmulos. Fim.
O filme, por ser mudo, é obrigado a ser muito bom visualmente. As gags, as confusões de Keaton, no dia da formatura, pobre, com um terninho vagabundo encolhendo por causa da chuva, a suas desventuras como barman, suas trapalhadas na pista de atletismo, no jogo de beisebol e na regata, garantem a diversão.
Nota IMDB 7,2. Um pouco menos, talvez.
Buster Keaton é Ronald, um bom estudante secundarista, o melhor da classe, mas pobre e sem pendores para as práticas desportivas e na cerimônia de formatura faz um discurso anti-esporte, dizendo que os esportistas não acrescentam nada de bom ao mundo. A estudante de quem Keaton gosta, com dinheiro, vai para a Universidade (College) e Keaton, em princípio não tem dinheiro para acompanhá-la. Além disso, ela lhe diz que só mudará sua opinião a respeito dele desde que ele mude sua opinião sobre os esportistas. Seu adversário pela mocinha do filme é um latagão esportista.
Quando Keaton chega à faculdade, ele tem todo um arsenal de equipamentos esportivos, e tenta praticar atletismo, beisebol, e nada dá certo, é um fracasso retumbante.
Finalmente ele é posto na equipe de remo, por ordem do reitor, para ser o timoneiro (cuida do leme e do ritmo das remadas), mas é prontamente sabotado por todos, que o fazem acreditar que faz parte do time, mas na hora da regata ele será posto de lado.
A equipe de remo do Clayton College depende da vitória para que a equipe não seja desativada, e no dia da competição, o técnico manda colocar sonífero no café de Ronald. Há a troca de xícaras e aquele que realmente seria o timoneiro é quem acaba adormecendo, vendo-se o técnico obrigado a colocar Ronald na regata.
Tudo começa bem, até que o leme se desencaixa. Keaton então amarra o leme às suas costas, entra na água, e conduz sua equipe à vitória.
Ao sair da água, todos seus companheiros recebem os cumprimentos de suas namoradas, amigos, etc., e Ronald está sozinho, porque a sua amada (Anne Cornwall) está encarcerada pelo seu rival atlético, sem que ele saiba.
Num momento de distração do "seqüestrador", a moça consegue telefonar para Ronald que então, superando todas suas desastradas atuações como atleta, corre numa velocidade absurda, salta sobre barreiras, salta em altura, salta com vara, dentro do quarto lança objetos como se fossem disco ou peso, se defende com um remo como se jogasse beisebol, ou seja, sendo um perfeito atleta em todas as modalidades em que retumbantemente fracassara, e assim, conquistando a sua amada.
Casam-se, e numa bela elipse temporal, mostram o casamento, o casal com filhos pequenos, eles velhinhos, e seus túmulos. Fim.
O filme, por ser mudo, é obrigado a ser muito bom visualmente. As gags, as confusões de Keaton, no dia da formatura, pobre, com um terninho vagabundo encolhendo por causa da chuva, a suas desventuras como barman, suas trapalhadas na pista de atletismo, no jogo de beisebol e na regata, garantem a diversão.
Nota IMDB 7,2. Um pouco menos, talvez.
Marcadores:
amores de estudante,
buster keaton,
cinema mudo,
college,
comédia
quarta-feira, 5 de outubro de 2011
A MARCA DA FORCA (1968), de TED POST - 05.10.2011
Clint Eastwood (Jed Cooper) toca o gado que aparentemente comprou de um fazendeiro quando é interceptado por 9 ou 10 cavaleiros que o acusam de furto desse gado e morte do dono das reses. Após um julgamento sumário, em que apenas um documento é analisado e a descrição do vendedor não bater com a do real vendedor do gado (Johanson), resolvem enforcá-lo, mesmo após Jed dizer a eles que fora um homem da lei e que nada havia de errado com a compra do gado.Pendurado à árvore pela corda, Jed é salvo por um homem da lei (marshall Bliss) que diz que se for inocente, isso será reconhecido. Se for culpado, terão de enforcá-lo de novo. Chegando ao fórum, logo sua história é averiguada e ele é posto em liberdade pelo Juiz Fenton.
Quando ele menciona ao magistrado que fará justiça com as próprias mãos, o juiz diz que não deve fazê-lo, e então oferece a ele o cargo de marshall, para que ele, assim, dentro da lei, possa capturar aqueles que tentaram matá-lo na forca.
Ele começa a perseguição, consegue prender o primeiro, o segundo se entrega, mata um terceiro.
Nesse ínterim, tem de se desviar um pouco de sua meta, pois o trabalho de auxiliar de campo do juiz tem suas particularidades. Nesse desvio, ele prende três ladrões de gado, que no furto, também mataram os donos do gado, mas o assassinato seria só culpa de um, ou outros dois eram apenas garotos. Jed tenta intervir em favor deles no julgamento, mas não logra sucesso em convencer o juiz (e com ele discute), e todos são enforcados.
No dia da execução, alguns dos integrantes do linchamento contra Jed, ainda à solta, cometem outro atentando, a tiros, mas ele novamente escapa.
Após se recuperar, ele vai atrás destes e os mata. Perdoa o que foi preso (Jenkins), pois no momento do linchamento foi contra o enforcamento, e dá sua missão por encerrada - o que é fazer justiça, afinal? é a pergunta que parece passar por sua cabeça.
Vai falar com o juiz para explicar sua decisão, mas este, com um discurso interessante sobre culpas, julgamentos, perdões, valores, fala de seu emprego como juiz de um território (o lugar ainda não era Estado da União americana), em que é a única lei do lugar, não há tribunais de recursos, não há um poder Executivo estabelecido, e que por muitas vezes torcia para que houvesse alguém que reparasse seus eventuais erros, reformasse suas decisões, enfim, desse a segurança que o Estado deve dar a seus indivíduos, pede que Jed continue na força pública e que o ajude a tornar aquele pedaço de terra sem lei um Estado.
Jed, para isso, exige do juiz o perdão imediato a Jenkins, com o que o concorda o Juiz Fenton, desde que continue em seu ofício de marshal. Trato feito, o Juiz entrega a Jed os dois mandados de prisão contra os últimos integrantes do bando do enforcamento, e Jed prosseguirá em sua cruzada - e no trabalho de marshall.
Nota IMDB: 6,9. Vale mais. Um 7,5.
Marcadores:
a marca da forca,
clint eastwood,
faroeste,
hang'em high,
ted post
A ALDEIA DOS AMALDIÇOADOS (1960), de WOLF RILLA - 04.10.2011
Midwich, na Inglaterra, é esse lugar, que parece ter sido afetado em seu território, como se uma divisa separasse os que adormeceram, ou desmaiaram, e os que ficaram acordados.
Só então aparece o título do filme e os créditos iniciais.
De repente, sem mais nem menos, todos acordam e passam a viver, num primeiro momento, como se nada houvesse acontecido. Foram umas poucas horas, menos de 4 horas, de paralisia.
Então, algum tempo depois, descobre-se que todas as mulheres em idade fértil estão grávidas (algumas inexplicavelmente porque virgens ou distantes de seus maridos), exatamente a contar daquele estranho evento - inclusive a mulher de Gordon, Anthea (Barbara Shelley) e, finalmente, quando nascem as crianças, todas tem cabelos descoloridos e olhos brilhantes.
As crianças se desenvolvem em velocidade espantosa, crescem muito rápido, têm inteligência bem acima do normal, e aparentemente com poderes psíquicos, telepáticos. O filho de Gordon e Anthea, David (Martin Stephens, o mesmo que faz Miles em "Os Inocentes", já resenhado aqui nesse blog) parece ser o líder do bando.
Uma reunião de governo tenta decidir o que fazer com as crianças, aparentemente muito poderosas, de má índole, e cujo futuro não se sabe precisar se não poderiam subjugar os demais.
Chegam a um acordo de dar a tutela das crianças, por um ano, a Gordon, que é cientista, que pretende educá-las, dado o seu grande potencial intelectual.
As crianças conseguem ler pensamentos, logo conseguem controlar a mente dos outros, aprender o que eles podem ensinar, mas se recusam a dar qualquer explicação sobre sua origem, seus objetivos.
Quando passam a matar pessoas, decide-se que seria hora de agir contra as crianças, mas uma intervenção militar não adiantaria, pois se as crianças soubessem dos planos, elas poderiam modificar a conduta dos soldados.
As crianças percebem que estão em perigo, que vão tentar exterminá-los, e por isso pedem a Gordon que providencie vários lugares para que as crianças se espalhem e fiquem a salvo, para, mais tarde, fazerem grandes coisas, perpetuarem seus planos.
Gordon cria um plano para exterminar as crianças, arma uma bomba e vai dar sua lição habitual às crianças, com o pensamento em um muro de pedra, para evitar que as crianças descubram seu intento. A cena em que as crianças tentam desvender o que está por trás do pensamento do muro, e este vai ruindo, é muito boa. Acaba que as crianças não conseguem, a tempo, descobrir o intento de Gordon, e há a explosão. Esse é o filme.
O filme me parece só um filme de terror (pouco), de (bastante) ficção científica. Não quero procurar significados políticos. Há menções no filme a um outro grupo de crianças da mesma estirpe que estariam na União Soviética e que foram mortas por um ataque nuclear surpresa, para que as crianças não pudessem saber o que ia lhes acontecer e reagir. Poderia assim haver alguma pretensão de tratar da guerra fria, sobre o medo do alienígena, sobre o perigo que o outro representa, sobre a infiltração de agentes perigosos em vários lugares (o intento das crianças em serem mandadas para diferentes lugares para fugirem dos riscos e depois se reunirem) tudo isso é possível, mas me ative à ficção científica, que é bastante boa.
O filme poderia chamar a Aldeia dos Malditos, outra tradução para "The Village of the damned" e até fica a dúvida de quem seriam os amaldiçoados, se as crianças, ou aqueles que tiveram de conviver com elas.
Nota IMDB: 7,3. É por aí, bom filme.
Marcadores:
a aldeia dos amaldiçoados,
terror,
village of the damned,
wolf rilla
segunda-feira, 3 de outubro de 2011
ENTERRADO VIVO (2010), de RODRIGO CORTÉS - 02.10.2011
Este filme de ótima crítica, a que por alguma razão não fui ver no cinema, passou no TC Pipoca, dublado mesmo, e resolvi assisti-lo, preguiçosamente, sem legenda e em português. Ele faz ligações interncionais para os EUA, mas não consegue falar com a família e, inicialmente, nem a polícia nem o FBI lhe dão muita atenção.
Ele consegue contato com um árabe (número nas ligações efetuadas do telefone) que exige 5 milhões de dólares para libertá-lo. Aos poucos, consegue contato com autoridades americanas, que começam a buscá-lo.
Os terroristas pedem para que Conroy grave um vídeo pedindo o resgate. Ele reltua, por sugestaão do funcionário do Departamento de Estado, mas ao lhe ser enviada uma foto com alaguém sequestrado (provavelmente uma colega de trabalho também sequestrada), ele cede e faz o vídeo. Posteriormente ele recebe o vídeo em que sua colega é morta.
Dentro de seu caixão ele recebe uma ligação de sua contratante (que sabe do seqüestro), demitindo-o por suposto envolvimento com uma colega de trabalho, retroativamente a uma hora desse mesmo dia antes de ter havido o seqüestro.
O filme vai se desenrolando nesse vai e vem em conversas entre Paul, o burocrata, o terrorista, e as tentativas de resgate. Paul é levado a cortar um dedo, consegue falar com sua esposa, e recebe finalmente a notícia de que um xiita iraquiano que sabe onde foi enterrado um americano. E começa a escavação, quando... Eu sempre falo tudo que acontece nos filmes, mas esse perderia completamente a graça se alguém ler o blog antes de assistir ao filme.
Um filme todo ele dentro de um caixão, um só ator, alguns apetrechos (celular, lanterna, isqueiro, canivete), mas que prende a atenção do início ao fim. Uma tensão sempre presente, e por vezes claustrofóbico, angustiante. Vale a pena.
Nota IMDB - 7,2. É por aí, talvez um pouquinho menos.
domingo, 2 de outubro de 2011
A VILA (2004), de M. NIGHT SHYAMALAN - 24.09.2011
Este filme de do Shyamalan faz parte de seus maiores sucessos, junto a "O Sexto Sentido", "Os Outros", e "Sinais", tendo sua carreira decaído - de acordo com a crítica que me fez não ver tais filmes (falha minha, reconheço) - com A Dama na Água, O Último Mestre do Ar e Fim dos Tempos.
A película inicia com o enterro de uma criança, filha de um dos próceres de uma comunidade ambientada no Século XVIII ou XIX, o que se depreende pelas roupas, pelos costumes, pelas construções.
Com a morte de Daniel, Lucius Hunt/Joaquim Phoenix (que poderíamos dizer que Lúcio é aquele que tem luz, e Hunt - o que caça, o que busca a luz) pede ao Conselho de Notáveis que dirige a vila (the elders) que lhe permita atravessar a floresta para buscar remédios que pudessem evitar mortes como a de Daniel. Tal pedido é negado pois, segundo as regras do local, é proibido adentrar na floresta pois ali vivem "aqueles cujo nome não se diz", monstros que deixam a comunidade isolada das cidades, e que já teriam matado integrantes da vila - o pai de Lucius, para citar um.
Os Elders da comunidade a dirigem firmemente, mas têm segredos mantidos em relação aos demais habitantes da vila e cada um, por exemplo, tem um baú lacrado, a que aos outros também não têm acesso.
A co-protagonista é Ivy Walker (Bryce Dallas Howard), filha do principal líder da comunidade (Edward Walker, vivido por Willian Hurt), cega, mas que vê a aura das pessoas, sendo sempre protegida por Lucius. Ela vive próxima a Noah Percy (Adrien Brody), um rapaz com problemas mentais, aparentemente inocente, muito afeito a ela.
Quando Ivy declara seu amor por Lucius, e eles resolvem se casar, Noah esfaqueia Lucius, e este fica entre a vida e a morte, sendo necessário, para que a infecção que o acomete regrida, que se vá até a cidade para buscar remédios.
O problema é que a comunidade fez um pacto de não deixarem o lugarejo, não retornarem a cidade em hipótese alguma, mas Ivy insiste que deve ir buscar remédios para tentar salvar seu futuro marido, sendo autorizada por seu pai Edward (que foi repreendido por seus pares por essa decisão), que então resolve contar à sua filha a primeira farsa perpetrada pela comunidade: não há monstro algum, "aqueles cujo nome não se pronuncia" são na verdade um ou outro dos chefes da comunidade fantasiados (e ele mostra a fantasia), e que tudo isso foi engendrado para proteger a comunidade das cidades, para evitar o contato com o mundo exterior à vila, pois todos que lá viveram tiveram grandes perdas, grandes frustrações no contato com as cidades, com as pessoas das cidades.
Então Ivy parte rumo à cidade, acompanhada por dois outros jovens, que logo a abandonam por medo, ela é acossada por um dos monstros, que ela consegue matar - e este era o "inocente" Noah, disfarçado.
Ivy chega, então, a um muro, a fronteira entre A Vila e as cidades, e ao mesmo tempo em que ela ultrapassa a fronteira, seu pai está abrindo um daqueles baús dos líderes da comunidade, e, concomitantemente, em ótima montagem, somos transportados para o século XX (eis a segunda farsa, pra mim criada soberbamente, pois aquela primeira revelação parecia já ter trazido à tona toda a verdade necessária para justificar o isolamento da comunidade), lá pelas fotos mostrando o grupo dos anciões com suas fotos da década de 70, e a explicação de suas perdas (morte violenta de parentes, inclusive o pai de Lucius, que teria sido morto, segundo a versão "oficial", na mata), e a razão para se isolarem do mundo, enquanto Ivy encontra um patrulheiro do Parque Walker (de propriedade da família de Edward Walker, o líder do grupo e ex-professor de história, e filho de um ex-milionário assassinado) que conversa com Ivy, arranja-lhe os remédios, compreende a necessidade de se manter em silêncio sobre o que presenciou - embora não saiba bem porque e nem o quê presenciou. O chefe do posto de guarda diz a ele, a propósito, que não fale nada a respeito do que houve - em mensagem dúbia - "não fale a ninguém sobre o encontro", ou "não fale à pessoa que encontrou sobre a reserva" florestal.
Voltanto à vila, com os remédios para tratamento de Lucius, logo se revela que Ivy teria matado um monstro - Noah, portanto. Edward então faz um discurso a seus pares, declarando que a morte de Noah/monstro "provava" a história que protegia a "realidade" da Vila, e ele propõe, apesar das perdas, a continuidade da aldeia, com o que assentem todos os elders, e a Vila está "salva".
O filme gera vários questionamentos interessantes: a violência, onde ela está, na cidade, no meio que nos circunda, ou dentro da cada pessoa? Quem é inocente, quem não é? O "inocente" Noah, deficiente mental, que mesmo assim tenta matar Lucius, uma pessoa muito preocupada com o bem-estar da comunidade? Adianta se isolar do mundo, se o mal necessariamente não está nele, mas pode estar em cada um? A nostalgia do que foi, sempre um tempo idealizado, encontraria razão de ser nos fatos?
NOTA IMDB: 6,5. Muito abaixo do que realmente vale. Pelo menos um 7,5.
A película inicia com o enterro de uma criança, filha de um dos próceres de uma comunidade ambientada no Século XVIII ou XIX, o que se depreende pelas roupas, pelos costumes, pelas construções.Com a morte de Daniel, Lucius Hunt/Joaquim Phoenix (que poderíamos dizer que Lúcio é aquele que tem luz, e Hunt - o que caça, o que busca a luz) pede ao Conselho de Notáveis que dirige a vila (the elders) que lhe permita atravessar a floresta para buscar remédios que pudessem evitar mortes como a de Daniel. Tal pedido é negado pois, segundo as regras do local, é proibido adentrar na floresta pois ali vivem "aqueles cujo nome não se diz", monstros que deixam a comunidade isolada das cidades, e que já teriam matado integrantes da vila - o pai de Lucius, para citar um.
Os Elders da comunidade a dirigem firmemente, mas têm segredos mantidos em relação aos demais habitantes da vila e cada um, por exemplo, tem um baú lacrado, a que aos outros também não têm acesso.
A co-protagonista é Ivy Walker (Bryce Dallas Howard), filha do principal líder da comunidade (Edward Walker, vivido por Willian Hurt), cega, mas que vê a aura das pessoas, sendo sempre protegida por Lucius. Ela vive próxima a Noah Percy (Adrien Brody), um rapaz com problemas mentais, aparentemente inocente, muito afeito a ela.
Quando Ivy declara seu amor por Lucius, e eles resolvem se casar, Noah esfaqueia Lucius, e este fica entre a vida e a morte, sendo necessário, para que a infecção que o acomete regrida, que se vá até a cidade para buscar remédios.
O problema é que a comunidade fez um pacto de não deixarem o lugarejo, não retornarem a cidade em hipótese alguma, mas Ivy insiste que deve ir buscar remédios para tentar salvar seu futuro marido, sendo autorizada por seu pai Edward (que foi repreendido por seus pares por essa decisão), que então resolve contar à sua filha a primeira farsa perpetrada pela comunidade: não há monstro algum, "aqueles cujo nome não se pronuncia" são na verdade um ou outro dos chefes da comunidade fantasiados (e ele mostra a fantasia), e que tudo isso foi engendrado para proteger a comunidade das cidades, para evitar o contato com o mundo exterior à vila, pois todos que lá viveram tiveram grandes perdas, grandes frustrações no contato com as cidades, com as pessoas das cidades.
Então Ivy parte rumo à cidade, acompanhada por dois outros jovens, que logo a abandonam por medo, ela é acossada por um dos monstros, que ela consegue matar - e este era o "inocente" Noah, disfarçado.
Ivy chega, então, a um muro, a fronteira entre A Vila e as cidades, e ao mesmo tempo em que ela ultrapassa a fronteira, seu pai está abrindo um daqueles baús dos líderes da comunidade, e, concomitantemente, em ótima montagem, somos transportados para o século XX (eis a segunda farsa, pra mim criada soberbamente, pois aquela primeira revelação parecia já ter trazido à tona toda a verdade necessária para justificar o isolamento da comunidade), lá pelas fotos mostrando o grupo dos anciões com suas fotos da década de 70, e a explicação de suas perdas (morte violenta de parentes, inclusive o pai de Lucius, que teria sido morto, segundo a versão "oficial", na mata), e a razão para se isolarem do mundo, enquanto Ivy encontra um patrulheiro do Parque Walker (de propriedade da família de Edward Walker, o líder do grupo e ex-professor de história, e filho de um ex-milionário assassinado) que conversa com Ivy, arranja-lhe os remédios, compreende a necessidade de se manter em silêncio sobre o que presenciou - embora não saiba bem porque e nem o quê presenciou. O chefe do posto de guarda diz a ele, a propósito, que não fale nada a respeito do que houve - em mensagem dúbia - "não fale a ninguém sobre o encontro", ou "não fale à pessoa que encontrou sobre a reserva" florestal.
Voltanto à vila, com os remédios para tratamento de Lucius, logo se revela que Ivy teria matado um monstro - Noah, portanto. Edward então faz um discurso a seus pares, declarando que a morte de Noah/monstro "provava" a história que protegia a "realidade" da Vila, e ele propõe, apesar das perdas, a continuidade da aldeia, com o que assentem todos os elders, e a Vila está "salva".
O filme gera vários questionamentos interessantes: a violência, onde ela está, na cidade, no meio que nos circunda, ou dentro da cada pessoa? Quem é inocente, quem não é? O "inocente" Noah, deficiente mental, que mesmo assim tenta matar Lucius, uma pessoa muito preocupada com o bem-estar da comunidade? Adianta se isolar do mundo, se o mal necessariamente não está nele, mas pode estar em cada um? A nostalgia do que foi, sempre um tempo idealizado, encontraria razão de ser nos fatos?
NOTA IMDB: 6,5. Muito abaixo do que realmente vale. Pelo menos um 7,5.
Marcadores:
A Vila,
Adrien Brody,
fantasia,
Joaquim Phoenix,
M. Night Shyamalan,
suspense,
terror
O HOMEM DOS OLHOS FRIOS (THE TIN STAR) - 1953, de ANTHONY MANN - 26.09.2011-02.10.2011
Este filme de Anthony Mann (Winchester 73, El Cid), estrelado por Henry Fonda (Morg Hickman) começa muito bem, como Fonda chegando a uma cidade que preza a ordem, trazendo um morto no lombo de seu cavalo - um bandido, para cobrar a recompensa pela morte.
A cidade é moralista e ordeira, não quer mortos, não quer caçadores de recompensas, toda a cidade acompanha a chegada de Hickman, recriminando-o, mas resolve pagá-lo, só que há certa burocracia e o pagamento levará alguns dias.
Uma bonita fotografia em preto e branco , uma cidade cenográfica de Velho Oeste muito bem construída, e vê-se que Mann domina a câmera, com um travelling impressionante, já no início.Nesses dias que Hickman precisa esperar, descobre-se que o antigo xerife foi morto e Anthony Perkins - não em grande forma - encarna o novo xerife - Ben Owens - assumindo a "tin star" que ninguém na cidade quis. Perkins é inexperiente, medroso, atira mal, mas quer ser xerife e fica envaidecido com isso - ganha respeito social.
Ben se mete num duelo contra Bart Bogardus, que pretendia ser o xerife - mas como era um homem perigoso não é eleito - e Hickman o salva, disparando contra Bogardus.
Hickman então revela a Owens que fora xerife uma vez, mas por necessidade financeira - precisou dinheiro para pagar um tratamento de saúde para sua mulher e filho, mas seu salário não era suficiente. Além disso, a comunidade não quis ajudá-lo em sua necessidade, logo ele que sempre protegera seus concidadãos.
Então, havia recompensa por um foragido. Ele o caçou, o matou, recebeu a recompensa, mas não a tempo de salvar sua família. A estrela de xerife não mais fazia sentido para Morg Hickman.
Lateralmente, Morg conhece uma viúva - Betsy Palmer, vivendo Nona Mayfield - de um índio (assassinado por brancos, havia um preconceito imenso contra índios na época) e o filho mestiço destes - Kip, discriminados na cidade, e que só tem onde morar porque o médico, Dr. Doc McCord, lhes forneceu uma casa. Morgan fica hospedado na casa dessa viúva, depois de não conseguir qualquer hospedagem na cidade.
Nas estradas fora da cidade, há um assalto a uma diligência, em que um homem é morto, e eles apenas sabem dizer, ao chegar à cidade, que um dos assaltantes foi baleado. O xerife arma um pequeno grupo para caçar os assaltantes, mas não os encontra num primeiro momento.
Ao mesmo tempo, e no dia em que completaria 75 anos de idade, Dr. McCord é chamado para atender a um parto, e no caminho de volta à cidade, é interceptado para atender um homem que se descobre ser aquele que foi baleado em tiroteio com os ocupantes da diligência.
Quando os bandidos (Zach e Ed MacGaffey, um deles vivido por um jovem Lee Van Cleef) percebem que McCord os identificou, resolvem matar o médico, gerando revolta na população - que pode descobrir o nome do assassinos pela caderneta de anotações médicas do doutor - inclusive fazendo os próceres da sociedade, contra tudo que aquilo acreditavam, estipular uma recompensa pela captura dos dois procurados - vivos ou mortos (e isso quase sempre significa mortos, ensina Morg Hickman).
Bogardus monta então um súcia para caçar os irmãos MacGaffey, ao passo que Ben é aconselhado por Morg a, se realmente quer que os bandidos tenham um julgamento justo, e se quiser afirmar sua autoridade de xerife, a capturá-los por si só.
Com a ajuda imprescindível de Morg, ele consegue (na verdade Fonda é que faz todo o serviço) trazer os bandidos vivos.
A malta de Bogardus então resolve que fará justiça rápida - linchamento e enforcamento - e mais uma vez Ben terá de resistir, impedindo que os presos sejam retirados da delegacia, vencendo então Bogardus em um duelo, e o todo o restante da corja de Bogardus se resigna. Pronto, finalmente Ben Owens é o xerife da localidade.
Morg já pode deixar a cidade, levando consigo a viúva e o pequeno filho mestiço desta, em rumo a uma nova cidade, em que promete voltar a ser xerife, pois "aprendeu" com Ben que não se deve desistir facilmente das coisas.
Nota IMDB: 7,4. Acho que é isso mesmo. Um bom faroeste, rápido, direto, história centrada, final em que o bem vence, edificante. Vale a pena.
A cidade é moralista e ordeira, não quer mortos, não quer caçadores de recompensas, toda a cidade acompanha a chegada de Hickman, recriminando-o, mas resolve pagá-lo, só que há certa burocracia e o pagamento levará alguns dias.
Uma bonita fotografia em preto e branco , uma cidade cenográfica de Velho Oeste muito bem construída, e vê-se que Mann domina a câmera, com um travelling impressionante, já no início.Ben se mete num duelo contra Bart Bogardus, que pretendia ser o xerife - mas como era um homem perigoso não é eleito - e Hickman o salva, disparando contra Bogardus.
Hickman então revela a Owens que fora xerife uma vez, mas por necessidade financeira - precisou dinheiro para pagar um tratamento de saúde para sua mulher e filho, mas seu salário não era suficiente. Além disso, a comunidade não quis ajudá-lo em sua necessidade, logo ele que sempre protegera seus concidadãos.
Então, havia recompensa por um foragido. Ele o caçou, o matou, recebeu a recompensa, mas não a tempo de salvar sua família. A estrela de xerife não mais fazia sentido para Morg Hickman.
Lateralmente, Morg conhece uma viúva - Betsy Palmer, vivendo Nona Mayfield - de um índio (assassinado por brancos, havia um preconceito imenso contra índios na época) e o filho mestiço destes - Kip, discriminados na cidade, e que só tem onde morar porque o médico, Dr. Doc McCord, lhes forneceu uma casa. Morgan fica hospedado na casa dessa viúva, depois de não conseguir qualquer hospedagem na cidade.
Nas estradas fora da cidade, há um assalto a uma diligência, em que um homem é morto, e eles apenas sabem dizer, ao chegar à cidade, que um dos assaltantes foi baleado. O xerife arma um pequeno grupo para caçar os assaltantes, mas não os encontra num primeiro momento.
Ao mesmo tempo, e no dia em que completaria 75 anos de idade, Dr. McCord é chamado para atender a um parto, e no caminho de volta à cidade, é interceptado para atender um homem que se descobre ser aquele que foi baleado em tiroteio com os ocupantes da diligência.
Quando os bandidos (Zach e Ed MacGaffey, um deles vivido por um jovem Lee Van Cleef) percebem que McCord os identificou, resolvem matar o médico, gerando revolta na população - que pode descobrir o nome do assassinos pela caderneta de anotações médicas do doutor - inclusive fazendo os próceres da sociedade, contra tudo que aquilo acreditavam, estipular uma recompensa pela captura dos dois procurados - vivos ou mortos (e isso quase sempre significa mortos, ensina Morg Hickman).
Bogardus monta então um súcia para caçar os irmãos MacGaffey, ao passo que Ben é aconselhado por Morg a, se realmente quer que os bandidos tenham um julgamento justo, e se quiser afirmar sua autoridade de xerife, a capturá-los por si só.
Com a ajuda imprescindível de Morg, ele consegue (na verdade Fonda é que faz todo o serviço) trazer os bandidos vivos.
A malta de Bogardus então resolve que fará justiça rápida - linchamento e enforcamento - e mais uma vez Ben terá de resistir, impedindo que os presos sejam retirados da delegacia, vencendo então Bogardus em um duelo, e o todo o restante da corja de Bogardus se resigna. Pronto, finalmente Ben Owens é o xerife da localidade.
Morg já pode deixar a cidade, levando consigo a viúva e o pequeno filho mestiço desta, em rumo a uma nova cidade, em que promete voltar a ser xerife, pois "aprendeu" com Ben que não se deve desistir facilmente das coisas.
Nota IMDB: 7,4. Acho que é isso mesmo. Um bom faroeste, rápido, direto, história centrada, final em que o bem vence, edificante. Vale a pena.
Marcadores:
anthony mann,
henry fonda,
o homem dos olhos frios,
tin star
sábado, 1 de outubro de 2011
O LIVRO DE ELI (2010), de ALBERT E ALLEN HUGHES, 01.10.2011
Em um mundo pós-apocalíptico, com poucos sobreviventes na terra, as pessoas se digladiam pelo pouco de bens, comida, vida que restou. Eli tem em seu poder um livro - que não se sabe de início para que serve. E se você não quiser saber, não leia o resto do texto, só posso dizer que o filme é ruim, para mim. Dois diretores pra fazer isso aí é de assustar.
Ele ainda é uma espécie de Jiraya, um ninja que luta muito bem - e aparentemente é imune aos tiros e ferimentos, provavelmente porque seria divinamente protegido.
Quando ele chega a uma cidade controlada por Carnegie (Gary Oldman), que a controla através da força, Carnegie que tem uma busca incessante por um certo livro, descobre que Eli tem esse livro - a Bíblia, e que com tal livro ele poderia conquistar não só pela força, mas também corações e mentes com as palavras certas, as palavras do livro.
Assim, se Carnegie quer deixar de mandar apenas naquela cidadezinha e mandar no mundo, ele precisa do Livro que Eli se recusa a entregar.
Eli deixa a cidade e os capangas de Carnegie passam a persegui-lo, até conseguirem a Bíblia, mas esta é feita em braille e o bandido não tem como decifar seu conteúdo, ao passo que Eli pode lê-lo e memorizá-lo, para ser transcrito no Oeste, onde a civilização recomeçará - Em São Francisco, para ser exato, e mais exatamente, em Alcatraz.
Eli é cego, numa pegadinha horrível, desses twists que revoltam.
A fotografia cinzenta, com sombras, dando com essa imagem a impressão de um mundo em decomposição, que para mim é apenas efeito visual, sem significado e sem ganho estético relevante.
A cegueira da personagem de Denzel é aparentemente indicada em alguns pontos do filme, mas se é, é de forma tão sutil, diria imperceptível. Só vamos saber quando aparece a bíblia em braille e, quando, finalmente, se dá um close quase pornográfico nos olhos de Eli, para percebermos seus olhos cegos.
Mila Kunis com um visual hippie-chique e com um Ray-Ban última moda num mundo pós-apocalipse não convence nada. O filme é ruim, penso eu.
NOTA IMDB - 6,8. Vale menos, bem menos. um 4 ou 5.
Ele ainda é uma espécie de Jiraya, um ninja que luta muito bem - e aparentemente é imune aos tiros e ferimentos, provavelmente porque seria divinamente protegido.
Quando ele chega a uma cidade controlada por Carnegie (Gary Oldman), que a controla através da força, Carnegie que tem uma busca incessante por um certo livro, descobre que Eli tem esse livro - a Bíblia, e que com tal livro ele poderia conquistar não só pela força, mas também corações e mentes com as palavras certas, as palavras do livro. Assim, se Carnegie quer deixar de mandar apenas naquela cidadezinha e mandar no mundo, ele precisa do Livro que Eli se recusa a entregar.
Eli deixa a cidade e os capangas de Carnegie passam a persegui-lo, até conseguirem a Bíblia, mas esta é feita em braille e o bandido não tem como decifar seu conteúdo, ao passo que Eli pode lê-lo e memorizá-lo, para ser transcrito no Oeste, onde a civilização recomeçará - Em São Francisco, para ser exato, e mais exatamente, em Alcatraz.
Eli é cego, numa pegadinha horrível, desses twists que revoltam.
A fotografia cinzenta, com sombras, dando com essa imagem a impressão de um mundo em decomposição, que para mim é apenas efeito visual, sem significado e sem ganho estético relevante.
A cegueira da personagem de Denzel é aparentemente indicada em alguns pontos do filme, mas se é, é de forma tão sutil, diria imperceptível. Só vamos saber quando aparece a bíblia em braille e, quando, finalmente, se dá um close quase pornográfico nos olhos de Eli, para percebermos seus olhos cegos.
Mila Kunis com um visual hippie-chique e com um Ray-Ban última moda num mundo pós-apocalipse não convence nada. O filme é ruim, penso eu.
NOTA IMDB - 6,8. Vale menos, bem menos. um 4 ou 5.
Marcadores:
denzel washington,
gary oldman,
o livro de eli
sábado, 24 de setembro de 2011
INVICTUS (2009), de CLINT EASTWOOD - 21.09.2011
Esse filme de Clint Eastwood narra a saga do time de rúgbi sul-africano, os Springbok, que um ano antes da competição mundial, e que decorrido esse tempo conquista a Copa do Mundo, muito por inspiração de Nelson Mandela.A história narra o esforço de Mandela para pacificar o país logo após a extinção do Apartheid e de sua eleição como Presidente, utilizando o time de rúgbi como um amálgama da expressão nacional, e evitando revanchismo dos negros pelos muitos anos de sofrimento sob o Apartheid.Em breve retrospectiva mostra-se a libertação de Mandela, a sua eleição para a Presidência da República, o ceticismo dos brancos com a capacidade de Mandela governar e com a pacificação pretendida pelo presidente negro.
Igualmente, a má fase por que passa o time de rúgbi, capitaneado por Piennar (Matt Damon).
Mandela contém a ânsia revanchista (mostra-se, por exemplo, que os negros pretendiam aposentar o nome Springboks e as cores verde e dourado do uniforme, pois tudo isto remetia ao Apartheid), pelo bem da nação, do futuro democrático do país, para evitar talvez uma guerra civil.
Nesse intento de unir o país, ele chama Pienaar para uma conversa, diz que o time precisa de inspiração.
Vê-se então uma diferença na postura da equipe, uma aproximação com a população negra (rúgbi era para plateias brancas, futebol para os negros), uma equipe que passa a realmente representar o país, e não apenas eles mesmos. Visitam a prisão de Mandela e se assombram com sua postura depois de todo sofrimento que lhe foi imposto pelo regime segregacionista
O final é óbvio (até porque real): a vitória na final da Copa do Mundo. O filme, pelo lado esportivo, lembra muito a história da Alemanha e sua relação com o futebol. A Alemanha venceu, em casa, duas Copas do Mundo de futebol muito significativas: a de 1954, menos de dez anos depois do fim da segunda guerra, unindo novamente um país em frangalhos e restaurando um pouco do orgulho de um país que estava então moralmente destroçado pelas atrocidades por eles cometidas na Guerra; a de 1990, na Itália, no ano subseqüente à reunificação alemã, com a queda do Muro de Berlim, reunindo em um mesmo objetivo as duas Alemanhas que estavam separadas desde o final da Segunda Guerra.
Nota IMDB - 7,4. Talvez um pouco menos. O filme vale muito mais pela postura de Mandela do que pelo enredo em si mesmo.
Marcadores:
áfrica do sul,
apartheid,
clint eastwood,
invictus,
matt damon
MONSTROS (FREAKS), 1932, de TOD BROWNING - 21.09.2011
Já é a segunda vez que ocorre, que o filme do TCM não começa no momento exato previsto na SKY, e perde-se o começo do filme, a que só consegui assistir no google vídeos - que tem ótimos filmes, por sinal. Há um prólogo por escrito em que se explica que as pessoas com deficiências era consideradas como de má sorte ou representações do mal, e muitos males e problemas durante a história foram atribuídos aos "freaks", e que Golias, Calaban, Kaiser Wilhelm, Glocester foram anormais.
Que essas pessoas eram deixadas à morte, ou, se sobreviventes motivo de diversão e escárnio para os nobres, emboras pessoas com sentimentos e pensamentos sãos. Estes "freaks" criaram entre si um código moral para se proteger do escárnio das outras pessoas, e o mal feito a um deles a todos agredia, e a felicidade de um a todos aproveitava.
O filme inicia, e o apresentador do show ou de feira de variedades (sideshow, em inglês) faz a advertência e apresenta à plateia um monstro - que inicialmente não vemos (só o veremos no fim) - que diz já ter sido uma belíssima mulher, uma trapezista conhecida como o pavão dos ares, e então, sem que os espectadores a vejam, sentimos qual ruim é seu estado pela reação assustada dos que a ela são apresentados.
A história em si começa com a trapezista Cleopatra (Olga Baclanova) fazendo seu numero e sendo admirada pelo anão alemão Hans (até então enamorado da anã Frieda). Cleopatra utiliza-se de seu charme para "seduzir" Hans, para ganhar presentes e algum dinheiro.
Parênteses: há uma cena em que Madame Tetralini - a tutora dos anormais - leva os seus "freaks", alguns débeis mentais, o homem que só tem o torso, o homem apenas com a parte superior do corpo e que se locomove com os braços, anões para um passeio no parque que é impactante.
No jantar pós-casamento Cleopatra, depois de beber em companhia de todos os freaks, em que estes cantam a ela que agora ele é uma deles, tem um acesso de raiva, xinga os "monstros", rejeita ser um deles, beija Hércules. Durante o jantar Hans já recebera a primeira dose de veneno em sua bebida, e cai adoentado.Hans só vai descobrir o plano quando já casado e à beira da morte - quando passa a não mais ingerir o remédio misturado com veneno que lhe é ministrado.
Descoberto o plano, os freaks então resolvem vingar-se de Cleo - dentro daquela lógica inicialmente explanada de que tudo que fizeres a um de nós o fazes a todos - e então a transformam no monstro não mostrado no início - uma mistura de pessoa sem braços e sem pernas misturado com uma ave, uma galinha ou coisa que o valha.
Após essa cena há ainda um epílogo em que Hans, gozando de sua fortuna vive solitário em uma mansão e Frieda e os dois amigos "normais" Phroso, o palhaço, e Venus, que eram os únicos integrantes do circo que não gozavam dos anormais, ali aparecem para arranjarem uma reconciliação entre os dois anões (midgets, palavra inglesa que eu acho espetacular).
É um filme bastante impressionante. Uma das coisas mais impressionantes que vi nos últimos tempos. O filme nos expõe a nossos próprios preconceitos de uma forma pungente. Enquanto via o filme, várias vezes dei pausa na projeção para pesquisar na internet sobre as pessoas reais que encarnaram na tela a sua personalidade real. Não há, aqui, em verdade, personagens, mas "freaks", pessoas verdadeiras consideradas abjetas, estranhas demais, que participaram do filme, representando um pouco, vivendo sua realidade de atrações de circo, principalmente. As suas histórias reais são ainda muito mais impressionantes do que o filme. Vários desses anormais morreram idosos. O half-boy (Johny Eck) morreu com 83 anos; Schlitze, a pinhead (pessoa microcéfala, com uma deformidade craniana gravíssima, e com volumetria cerebral muito pequena, logo, com desenvolvimento mental retardado, com baixo QI - no caso, Schlitze tinha idade mental de 4 anos), com mais de 60 - e na verdade era um homem; as gêmeas siamesas Hilton, também com mais de 60 e entre a morte de uma e outra mediou mais de uma semana (imaginem o que é isso, sua irmã siamesa morta e grudada ao seu corpo por mais de uma semana).
O filme vale a pena.
Nota IMDB - 7,9. Acho que vale bem mais. É um filme de 70 minutos espantoso. Quem viu, viu. Quem não viu, está perdendo.
Que essas pessoas eram deixadas à morte, ou, se sobreviventes motivo de diversão e escárnio para os nobres, emboras pessoas com sentimentos e pensamentos sãos. Estes "freaks" criaram entre si um código moral para se proteger do escárnio das outras pessoas, e o mal feito a um deles a todos agredia, e a felicidade de um a todos aproveitava.
O filme inicia, e o apresentador do show ou de feira de variedades (sideshow, em inglês) faz a advertência e apresenta à plateia um monstro - que inicialmente não vemos (só o veremos no fim) - que diz já ter sido uma belíssima mulher, uma trapezista conhecida como o pavão dos ares, e então, sem que os espectadores a vejam, sentimos qual ruim é seu estado pela reação assustada dos que a ela são apresentados.
A história em si começa com a trapezista Cleopatra (Olga Baclanova) fazendo seu numero e sendo admirada pelo anão alemão Hans (até então enamorado da anã Frieda). Cleopatra utiliza-se de seu charme para "seduzir" Hans, para ganhar presentes e algum dinheiro.
Parênteses: há uma cena em que Madame Tetralini - a tutora dos anormais - leva os seus "freaks", alguns débeis mentais, o homem que só tem o torso, o homem apenas com a parte superior do corpo e que se locomove com os braços, anões para um passeio no parque que é impactante.
Pois bem, Hans que casaria com a anã Frieda cai no engodo de Cleópatra (parece-me que qualquer coincidência não terá sido mera semelhança), principalmente após esta e Hércules - seu amante - descobrirem que Hans é herdeiro de uma grande fortuna. Cleo resolve casar-se com Hans, e como é sabido que os anões têm saúde frágil, planeja matá-lo e herdar sua fortuna.
No jantar pós-casamento Cleopatra, depois de beber em companhia de todos os freaks, em que estes cantam a ela que agora ele é uma deles, tem um acesso de raiva, xinga os "monstros", rejeita ser um deles, beija Hércules. Durante o jantar Hans já recebera a primeira dose de veneno em sua bebida, e cai adoentado.Descoberto o plano, os freaks então resolvem vingar-se de Cleo - dentro daquela lógica inicialmente explanada de que tudo que fizeres a um de nós o fazes a todos - e então a transformam no monstro não mostrado no início - uma mistura de pessoa sem braços e sem pernas misturado com uma ave, uma galinha ou coisa que o valha.
Após essa cena há ainda um epílogo em que Hans, gozando de sua fortuna vive solitário em uma mansão e Frieda e os dois amigos "normais" Phroso, o palhaço, e Venus, que eram os únicos integrantes do circo que não gozavam dos anormais, ali aparecem para arranjarem uma reconciliação entre os dois anões (midgets, palavra inglesa que eu acho espetacular).
É um filme bastante impressionante. Uma das coisas mais impressionantes que vi nos últimos tempos. O filme nos expõe a nossos próprios preconceitos de uma forma pungente. Enquanto via o filme, várias vezes dei pausa na projeção para pesquisar na internet sobre as pessoas reais que encarnaram na tela a sua personalidade real. Não há, aqui, em verdade, personagens, mas "freaks", pessoas verdadeiras consideradas abjetas, estranhas demais, que participaram do filme, representando um pouco, vivendo sua realidade de atrações de circo, principalmente. As suas histórias reais são ainda muito mais impressionantes do que o filme. Vários desses anormais morreram idosos. O half-boy (Johny Eck) morreu com 83 anos; Schlitze, a pinhead (pessoa microcéfala, com uma deformidade craniana gravíssima, e com volumetria cerebral muito pequena, logo, com desenvolvimento mental retardado, com baixo QI - no caso, Schlitze tinha idade mental de 4 anos), com mais de 60 - e na verdade era um homem; as gêmeas siamesas Hilton, também com mais de 60 e entre a morte de uma e outra mediou mais de uma semana (imaginem o que é isso, sua irmã siamesa morta e grudada ao seu corpo por mais de uma semana).
O filme vale a pena.
Nota IMDB - 7,9. Acho que vale bem mais. É um filme de 70 minutos espantoso. Quem viu, viu. Quem não viu, está perdendo.
Assinar:
Postagens (Atom)

