quarta-feira, 27 de junho de 2012

EM BUSCA DO OURO (1925), de CHARLES CHAPLIN - 07.06.2012

Comédia (sempre com algum drama, em Chaplin) genial. A primeira aparição do famoso personagem de chapéu e bengala já rende uma gag muito boa, quando ele, caminhando por um desfiladeiro é perseguido, sem perceber, por um urso. 
Na corrida do ouro no Alasca, Carlitos vai em busca da fortuna, mas logo se vê enredado por muito mais problemas do que apenas o dinheiro que lhe falta. 
Com fome, sem ouro, pobre com um rato, chega à cabana em que está instalado o perigoso Black Larsen, um bandido procurado. Ali, ambos mortos da fome, se estranham e Larsen está a ponto de conseguir expulsar o extenuado mendigo, até que chega Big Jim McKay (que encontrara uma grande mina de ouro e a deixara só para buscar o necessário à exploração), que intercede em favor de Carlitos, e assim, embora com desconfianças mútuas, o três personagens continuam na cabana até que a fome de todos torna-se desesperadora, e, em sorteio para ver quem deixará a cabana em busca de alimentos, Black Larsen (Tom Murray) tira a má sorte, tendo que enfrentar o frio extremo.
Em sua busca por comida, Larsen cruza com os policiais que estão em seu encalço, os mata, obtém os meios de subsistência que estes carregavam consigo. Ademais, Black encontra a mina de Big Jim, e pretende ficar com o ouro ali existente.


Enquanto isso, na cabana, a fome aperta ainda mais (chegam a compartilhar e devorar uma das botas de Carlitos), e McKay (Mack Swain) tem alucinações (cena brilhante), vendo Carlitos como uma grande galinha, e tenta matá-lo(a) para ter o que comer. O gestual de Chaplin como um frango é impressionante, bem como a perseguição de Big Jim ao nosso herói, aquele na caçada, este na defensiva. As lutas, a perseguição, a trucagem Chaplin/galinha, tudo funciona à perfeição.
Quando praticamente não há mais solução, um urso invade a cabana, e se, a um tempo, é uma ameaça, é também a solução, pois o urso é morto e lhes serve de comida. Saciados, recompostos, eles deixam a cabana, despedem-se, cada um partindo para o seu lado.
Chaplin se dirige à cidade. Big Jim vai em direção à sua mina, onde encontra Black Larsen que encontrara a mina de Mckay, e após discutirem, este golpeia o grandão bonachão, deixando-o inconsciente, mas como castigo, sofre um acidente - o desprendimento de uma parte de uma geleira, e morre. Big Jim acordará, mas com amnésia. 


Na cidade, Chaplin vai a um bar, se encanta por uma dançarina (Georgia - Georgia Hale), que flerta de leve com ele para causar desapontamento em um pretendente. Ao cabo, esse pretendente vai querer surrar Carlitos, mas o vagabundo, com um golpe de sorte - a queda de um relógio quando já nada via, eis que seu chapéu lhe tinha sido enfiado na cara - é quem nocauteia o latagão, acreditando erroneamente que lhe derrubou com um soco às escuras. 
Saindo dali, ele se dirige à cabana de um outro mineiro onde consegue abrigo e comida por uns dias. Georgia e suas amigas por acaso passam pela cabana, e são convidados pelo garimpeiro para entrar. Georgia acidentalmente encontra uma foto de divulgação da dançarina, dando-se a entender que Chaplin está apaixonada por ela. Esta leva tal atração como uma brincadeira, e ela e suas amigas se divertem às custas de Carlitos. No final dessa reunião, Chaplin convida as moças para que passem juntos a ceia de ano-novo, convite que elas aceitam. 
Na noite de ano-novo, contudo, as bailarinas, entretidas na festa no bar, deixam de aparecer para a bela festa armada por Chaplin (com dinheiro que ele consegue limpando a neve de estabelecimentos comerciais da cidade), que fica muito decepcionado. Georgia, lá pela madrugada, lembra-se de seu compromisso e vai à cabana, quando Carlitos já não mais estava por lá - dirigira-se ao bar.
Chaplin, desolado, vai ao bar, encontra Jim McKay que, embora com amnésia, se recorda de seu antigo companheiro de dificuldades, e diz que se este puder lembrar o caminho para a cabana, ambos ficarão ricos, pois dali ele poderá lembrar-se do caminho até a sua mina de ouro.
Ambos chegam à cabana, e vão dormir para no outro dia ir à caça do ouro. Durante a noite uma avalanche desloca a casa até a beirada do penhasco (foto aí acima), e mais uma série incrível de gags com a casa cambaleando à beira do abismo é mostrada, até que finalmente a casa cai, sendo Chaplin salvo agarrando-se a uma corda sustentada por Big Jim.
Não vemos a dupla encontrar o ouro, mas apenas os garimpeiros depois do encontro com a fortuna, já suntuosamente vestidos - e ricos - em um navio deixando o frio fim de mundo em que foram atrás (e encontraram) a fortuna. 
Ali, estão fazendo uma reportagem sobre o novo-rico, e sugerem que ele se vista como o mendigo que fora para ilustrar a reportagem, e ele concorda. Então, no deck do navio, é confundido com um ladrão que está a bordo, e detido. Logo, no entanto, se desfaz a confusão com a interveniência da tripulação e ele encontra Georgia, com quem finalmente fica junto. 
Nota IMDB: 8,3. É por aí. 

segunda-feira, 11 de junho de 2012

ZUMBILÂNDIA (2009), de RUBEN FLEISCHER - 10.06.2012

Esse pequeno - e curto -  filme de zumbis é muito divertido. Quatro sobreviventes de uma praga de mortos-vivos (decorrente de um vírus que foi a vaca louca e acabou se transformando no "zumbi louco") que dizimou praticamente toda a terra, têm de sobreviver.
Columbus (Jesse Eisenberg) - e nenhum dos personagens terá um nome, mas apenas serão chamados pelo nome das cidades de onde são ou qualquer outra cidade - é o primeiro sobrevivente mostrado, e ele logo de cara estabelece as regras para manter-se vivo nesse apocalipse. Por exemplo, tenha bom preparo físico, sempre dê dois golpes nos zumbis, evite banheiros, olhe o banco traseiro do carro, carregue pouca bagagem consigo, etc., com tais regras vai sobrevivendo tentando ir para o Oeste - onde segundo ouviu, não haveria zumbis.

No caminho, cruza com Tallahasse (Woody Harrelson), um tipo de cauboi anti-zumbis, que os mata com alguma graça, métodos pouco ortodoxos, com uma raiva incontida - que somente mais ao final se saberá decorrente da morte de seu pequeno filho. 
Com a desconfiança recíproca comum em uma época como esta (a solidariedade evidentemente está em baixa, e a sobrevivência individual é o que mais importa), eles começam a conviver e vão superando as diferenças, vendo que afinal ter alguém em quem confiar parece ser um bom caminho.
Logo depois eles cruzam com Emma Stone e Abigail Breslin (respectivamente Wichita e Little Rock), que inicialmente aplicam um golpe nos dois companheiros, roubando-lhe carro e armas. Elas também estão em busca de algum lugar sem zumbis, embora seu primeiro objetivo seja encontrar um parque de diversões para permitir alguma vida infantil a menor das irmãs. 
Como os caminhos possíveis para os vivos não são tantos assim, os seus rumos continuam a se cruzar, e depois de mais uma traição, os quatro percebem que terão de viver juntos para seguirem adiante, e começam a viver com alguma confiança e amizade.
Eles seguem até Hollywood, onde invadem a casa de Bill Murray, que imaginam morto, mas que vivo está, e que se fantasia/maquia de zumbi para poder continuar vivendo. Temos boas cenas de humor neste encontro, até o momento em que Bill dá um susto em Columbus e é por ele morto. Aqui na mansão hollywodiana se dá uma primeira aproximação entre o tímido (achei Jesse Eisenberg - taciturno, por exemplo, em A Rede Social -  com bom timing para a comédia) Columbus - que tem como sonho ter uma namorada - e Wichita
Ali, mais uma vez se separam, e só vão se encontrar no parque de diversões, em que uma legião de zumbis é atraída pelo fato de as meninas acenderem todas as luzes do parque, sendo depois salvas por Columbus e Talahasse. Todos deixam o parque juntos, são a "família" que resta um ao outro.
Filme divertido, que demonstra metaforicamente a solidão em que vivemos, cada um em seu próprio egoísmo, sem confiança algum no próximo. Ademais, há boas piadas sobre a vida moderna, a padronização de tudo, e boas cenas de "combate" entre humanos e zumbis.

Nota IMDB - 7.7. Não sei se é pra isso tudo, mas é boa diversão. Gostei. Vale a pena.

sábado, 9 de junho de 2012

CONTRA O TEMPO (2011), de DUNCAN JONES - 04.05.2012

Filme misto: policial/sci-fi em que Jake Gyllenhal (Cap. Colter Stevens) tem de prevenir um atentado à bomba em um trem nas cercanias de Chicago, e um subseqüente ataque em local ainda desconhecido. Stevens terá de descobrir quem é o terrorista e onde estão as bombas, possibilitando que o Exército aja antes de os fatos sucederem.
Para isso, ele é posto pelo Exército, através do programa virtual Source Code, no corpo de um professor - Sean Fentress, um simples professor de história passageiro do trem, que está acompanhado de Christina (Michelle Monaghan).


Numa trama um pouco mirabolante, e um pouco previsível - que o agente Stevens do mundo real está morto é bastante "adivinhável" desde logo - Stevens é mandado àquele corpo para que em 8 minutos descubra o que está havendo. 
Para convencê-lo a seguir na missão, dão-lhe a falsa explicação de que Sean Fentress está morto e sua memória antes do término dos impulsos nervosos dura oito minutos, e então o capitão pode agir nesse tempo.
Como esse tempo é pouco para que em apenas uma vez seja feita a investigação e salva a população de Chicago onde haverá uma segunda e mais letal bomba (e a cada oito minutos o trem explode reiniciando a investigação, mas sem que os dados da incursão anterior sejam esquecidos), ele é mandado repetidamente até que descubra as bombas (no trem e a próxima a ser explodida), e quem é o responsável pelos artefatos. 
Enquanto é mandado várias vezes ao trem, e ali, pouco a pouco, investiga e vai descobrindo o crime, ele começa a se envolver com Christina, começa a questionar o seu papel dentro da Source Code, o que houve com sua missão no Afeganistão (em que segundo ele estava até há pouco, lamenta sua relação difícil com seu pai (até dará tempo para um sentimentalismo, com musiquinha ao fundo e tudo, para uma conversa entre filho - embora se dizendo Sean Fentress - e pai). 
Quando lhe é dito que em verdade ele é que está morto, ele se concentra na missão, e a cumpre - sob a promessa de que as máquinas que o mantêm vivo sejam desligadas. 
Contudo, mesmo cumprida a missão, ele pedirá mais uma missão, à revelia do chefe do experimento Dr. Rutledge  (Jeffrey Wright), com a ajuda da militar que lidava diretamente com ele na operação do Source Code, Maj. Goodwin (Vera Farmiga), agora para salvar o trem, embora isso fosse em tese impossível, pois o Source Code apenas poderia alterar o futuro, nunca o passado - a explosão do trem já era fato consumado, Stevens apenas fora mandado ficticiamente a oito minutos do acidente só para evitar a segunda bomba.
Mas, eis que o cinema do fantástico - ou do absurdo - permite que Stevens (no corpo de Sean Fentress), com o conhecimento prévio decorrente de suas incursões prévias, se antecipe a todos os fatos, evite a explosão das bombas, prenda o terrorista, ligue para a polícia avisando dos planos deste, mande um e-mail para a Maj. Goodwin explicando tudo o que fez, ainda antes do início da real operação do SourceCode, explicando-lhe que ele conseguiu evitar inclusive a primeira explosão, e para felicidade geral da Nação, passados os 8 minutos, desta Sean Fentress (ou Stevens, ou o diabo que os parta) não morre, e passa a viver uma vida feliz com a mocinha. 


É um filme só de montagem. Um enredo mirabolante com uma montagem que permite essas viagens do cinema atual, com idas e voltas no futuro, e um filme que depois de visto, não deixa nada a ser lembrado.
Nota IMDB - 7,5. Bem menos. Dou um 5. 

quinta-feira, 7 de junho de 2012

THE PAWNBROKER - O HOMEM DO PREGO (1964), de SIDNEY LUMET - 08.04.2012

Um filmaço, com Rod Steiger no papel de um judeu sobrevivente de Auschwitz - Sol Nazerman - e que tem uma loja de penhores (o famoso "prego") em uma área decadente de Nova Iorque.
Amargurado, viu sua jovem esposa - Ruth - morta e prostituída durante a Guerra, há 25 anos, além de ter sofrido com a morte de seus filhos. Já no início do filme, sua cunhada, uma chata, o convida para ir ao Europa, secundada pelo seu marido que diz que a Europa tem um ar diferente, da para "cheirar" - smell - a diferença, e Sol diz que na verdade, aquilo "fedia" - stinks -, se ele bem se lembra. Puta fala.
Outra muito forte: Jesus, ao ver a tatuagem do campo de concentração pergunta se aquilo é de algum clube secreto. Sol diz que sim. Jesus quer saber como ingressar em tal clube. Resposta: - Andando sobre as águas.


Ao mesmo tempo em que remói sua condição de sobrevivente do campo de concentração que perdeu sua essência exatamente pelo que lhe ocorreu durante a guerra (não acredita em nada, não dá valor a ninguém, só ao dinheiro), vai trabalhando em sua loja de penhores sem nenhum entusiasmo, sem dar atenção aos clientes que o procuram, alheio à miséria humana que lhe é apresentada cotidianamente (o senhor idoso e pobre que penhora as coisas apenas para ter alguém com quem conversar, e que ao nada mais ter para vender lamenta que não mais poderá voltar à loja onde era tão maltratado é tocante), tratando a todos com indiferença. 
Por trás dessa aparente honradez  e firmeza de princípios, sua loja de penhores é fachada para um bandido do bairro lavar dinheiro. Irá descobrir com o tempo que o bandido é um explorador de mulheres, um cafetão (o que o levará à memória de sua mulher estuprada e à consciência do que anda fazendo). A loja de penhores é um fracasso; não dá lucro, logo apenas uma fachada para o cafetão.
Ele tem um ajudante latino - Jesus Ortiz (Jaime Sanchez) - um ex-pequeno-delinquente que tem como sonho aprender o ofício do penhor e adiante ter seu próprio negócio. Mas quando Sol faz um dos negócios de fachada do cafetão, recebendo 5 mil dólares, a cobiça lhe vem à cabeça - e ali permanece sem ser imediatamente posta em ação - não sem dar com a língua nos dentes e falar desse dinheiro para seus ex-comparsas, negando-se, neste primeiro momento, a praticar o assalto.


Uma das tramas laterais dá conta o relacionamento de Sol e Tessie, ex-esposa de Reuben (papel interpretado pelo pai do diretor Sidney Lumet), um amigo de Sol que morreu em sua frente, no campo de concentração, e há um amigo comum (o sogro de Tessie), à beira da morte, que de forma recorrente inflige culpa em Sol e Tessie. Ademais, diz que Sol é na verdade um morto-vivo, sem desejos, sem aspirações, sem sonhos, e que ainda por cima troca sonhos dos outros por um dólar. 


Há, ainda, a Sra. Marylin Birchfield (Geraldine Fitzgerald), que faz trabalhos comunitários e vai se aproximando de Nazerman, buscando algum consolo para sua vida também desgraçada -  perdeu seu amado marido - mas que ao comparar suas tragédias com as de Sol, recebe uma lição deste, com sua sociologia de araque, recebendo uma descompostura enorme. 


Essa é uma grande passagem do filme. O ajudante de Sol Nazermann pergunta como os judeus chegaram tal facilmente ao sucesso no comércio. Eis a resposta, que vale a pena ser assistida:

You people? Oh, let's see. Yeah. I see. I see, you... you want to learn the secret of our success, is that right? Alright I'll teach you. First of all you start off with a period of several thousand years, during which you have nothing to sustain you but a great bearded legend. Oh my friend you have no land to call your own, to grow food on or to hunt. You have nothing. You're never in one place long enough to have a geography or an army or a land myth. All you have is a little brain. A little brain and a great bearded legend to sustain you and convince you that you are special, even in poverty. But this little brain, that's the real key you see. With this little brain you go out and you buy a piece of cloth and you cut that cloth in two and you go and sell it for a penny more than you paid for it. Then you run right out and buy another piece of cloth, cut it into three pieces and sell it for three pennies profit. But, my friend, during that time you must never succumb to buying an extra piece of bread for the table or a toy for a child, no. You must immediately run out and get yourself a still larger piece cloth and and so you repeat this process over and over and suddenly you discover something. You have no longer any desire, any temptation to dig into the Earth to grow food or to gaze at a limitless land and call it your own, no, no. You just go on and on and on repeating this process over the centuries over and over and suddenly you make a grand discovery. You have a mercantile heritage! You are a merchant. You are known as a usurer, a man with secret resources, a witch, a pawnbroker, a sheenie, a makie and a kike!

A amargura, o niilismo de Nazerman, são trucidados pela conversa franca que tem com o cafetão Rodrigues (Brock Peters), após ver revelado o negócio de prostituição que este exerce, em cena memorável em que Steiger contracena com a namorada de Jesus, que vem lhe pedir dinheiro - tentando penhorar um presente que recebera de algum de seus clientes, para poder pagar suas dívidas com Rodrigues.
Sabendo dos negócios daquele a quem servia de fachada, vai tomar satisfações com Rodrigues, e este lhe dá uma lição, fala que Nazerman não poderá abandonar o negócio, terá de continuar servindo de fachada para os lucrativos negócios do cafetão, é humilhado pelo bandido. Em decorrência deste acontecimento, volta à loja de penhores completamente despedaçado, começa a pagar pelos bens mais do que eles valem, e vender os objetos penhorados por valores irrisórios.
Jesus se revolta com aquela postura perdulária de seu empregador, e tenta dissuadi-lo dessa prodigalidade, quando então Sol Nazerman o humilha profundamente. 
Tomado pela raiva, Jesus vai ao encontro de seus ex-companheiros de vagabundagem e crimes, e combina o assalto à loja de penhores, e durante o assalto, ordenam que Sol abra o cofre onde estão os cinco mil dólares, mas o velho não mais vê qualquer sentido em nada e diz que não vai dar o dinheiro, provavelmente esperando ser morto. Jesus impede que seu comparsa atire em Nazerman, puxando o braço do companheiro que, de forma não intencional, dispara contra o próprio Jesus. Jesus rasteja para fora da loja de penhores, e morre na calçada. À vista disso, Sol deixa sua loja, aberta, e sai vagando pelas ruas de Nova Iorque. 
Um grande filme, Deve ser visto. Imperdível.


Nota IMDB: 7,8. Daí para mais. 

INVERNO DA ALMA (2011), de DEBRA GRANIK - 05.06.2012

Ree Dolly (Jennifer Lawrence, indicada ao Oscar de melhor atriz pelo papel) é uma adolescente de 17 anos que sustenta como pode sua casa, onde vive com sua mãe com problemas mentais, e seus dois irmãos, de 12 e 6 anos de idade, eis que foram abandonados por seu pai Jessup Dolly, um "químico" fabricante de drogas, que estás prestes a ser julgado à revelia. 
Com a ameaça de ser preso por dez anos, Jessup resolve "desaparecer" e não ir ao julgamento, o que acarretará a quebra da fiança, e, com isso, a perda da propriedade - que foi dada em garantia para a libertação - em que sua família vive,  já com extrema dificuldade até em razão da ausência paterna, dependendo da ajuda de vizinhos, por vezes, até para ter o que comer. 
Ree então decide iniciar a procura por seu pai, e inicialmente apenas lhe é dito para que deixe isso de lado, ninguém quer informá-la sobre o paradeiro dele; primeiro tentam dissuadi-la de continuar perguntando, que é melhor deixar para lá (até porque todo mundo parece ter problemas com a lei e não quer se envolver); com a insistência da protagonista, começam a aumentar o nível de agressividade, e, posteriormente, dão a entender que em verdade Jessup está morto, porque teria falado (ou poderia dizer durante o julgamento, para evitar dez anos de "cana") algo que não deveria, talvez incriminando algum de seus colegas do crime. Ademais, aparentemente, na comunidade retratada (o local não é revelado, apenas pode-se supor que se está próximo à fronteira de Arkansas, para onde em certa hora se menciona Jessup poderia ter fugido), todos têm problemas com a lei, vivem na pobreza, não querem se meter em questões que possam lhes trazer contratempos legais - ainda que algumas das pessoas a quem Ree peça auxílio sejam parentes seus.
Essa possível morte de Jessup, embora inviabilize que o pai de Ree dê pessoalmente a solução ao caso, abre a possibilidade de reversão da perda da fiança, uma vez que se o réu não compareceu ao julgamento por ter morrido, extinta estaria a punibilidade, e a propriedade não seria perdida.
Embora Ree quase seja morta, pela sua conduta firme, e contando com o auxílio de seu tio - e irmão de Jessup - que resolve, após renhida resistência, se envolver na resolução do problema, embora isso provavelmente pudesse custar a sua vida, em razão dessa obstinação finalmente decidem dizer-lhe que Jessup realmente foi morto, e que seu corpo está em um lugar determinado, para onde a levam vendada, e com o auxílio de uma motosserra, deixam que ela obtenha ambas as mãos de seu pai, de modo a provar a morte deste e evitar a perda da propriedade, que ela finalmente consegue entregando as mãos do genitor ao xerife.
É de se ressaltar a personagem Teardrop (ótima interpretação de John Hawkes),  que como dito, inicialmente fica contra Ree, mas ao ver a justiça de sua luta - não perder a casa e qualquer possibilidade de sobrevivência digna, resolve se arriscar. 
O visual de cinema alternativo (parece que de propósito, para aumentar a "veracidade", a dramaticidade do filme), com imagem levemente granulada, me parece um pouco pesado, ou melhor, forçado. De qualquer modo, a caracterização de uma comunidade pobre do interior dos EUA, a demonstração de um lugar que algum dia já foi alguma coisa, mas que hoje não passa de um vilarejo de fracassados, com problemas com a lei, e que de pequenos negócios ou pequenos trambiques constroem uma penosa sobrevivência, sem a mínima preocupação com o próximo, foi, para mim, um dos pontos altos do filme. 
Nota IMDB - 7,5. Um pouco menos, um 6 ou 6,5. Mas vale a pena. 

segunda-feira, 14 de maio de 2012

PIRATAS PIRADOS (2012), de PETER LORD - 13.05.2012

Este filme de animação pela técnica stop motion diverte, mas não muito.
Por ossos do ofício paterno, fui ao cinema, mas não gostei do filme - aliás, meu filho de dois anos também não gostou, o que me parece um bom indicativo. 
Estamos às voltas como o "Capitão Pirata", o líder de um bando de piratas não muito bem-sucedidos. 
O Capitão, em baixa, resolve competir novamente pelo prêmio de Pirata do Ano - competição em que sempre foi fragorosamente derrotado - e em princípio não tem chance alguma, o que fica demonstrado ao se encontrar na Ilha do Sangue com seus competidores, muito mais expertos na arte de saquear. 
Após várias tentativas frustradas de saques (um navio-fantasma, outro de naturistas, outro ainda com crianças em um "cruzeiro de estudos" - boa ironia), a trupe se depara com o navio-expedição de Charles Darwin, ainda jovem, e ali o cientista nota que o "papagaio gordo" do Pirata era, em verdade, um dodô, espécie de ave que já então estava extinta, e que essa descoberta, se apresentada no Encontro da Royal Society, poderá gerar uma "riqueza enorme". O pirata vislumbra nessa oportunidade sua chance de ganhando essa riqueza, ganhar o "Pirata do Ano".
Chegando a Londres - terra indesejada para os piratas, pois a Rainha Vitória os odeia - na reunião da feira de ciências, realmente a posse da ave extinta dá ao pirata o maior prêmio - para grande inveja de Darwin, que já tentara por todos meios obter para si a honraria, inclusive tentando furtar a ave - mas este evidentemente não é dinheiro, frustrando o pirata.
Nesse ínterim, a Rainha Vitória se interessa pela ave, a propósito de cuidar do animal, instalando-o no zoológico real, e para tanto, convence o Capitão a vendê-la o Dodô, por uma grande fortuna em tesouros ingleses.
Apesar de apegado ao seu pássaro, o Capitão se vê tentado pelo tesouro e faz a troca da ave pelo monte de dinheiro, e embora vença o prêmio de "Pirata do Ano", que logo perde, ao ver um pirata inimigo demonstrar que ele havia sido perdoado pela Rainha, e, se perdoado - ou não mais perseguido pela monarca, pirata ele não é, também perde o apoio de sua tripulação, que o abandona.
Para reconquistar o que perdeu, parte em busca do Dodô, mas quando chega ao zoológico real, descobre, ao ouvir de um consternado Darwin, que o pássaro será apreciado como uma refeição para altos dignatários que se regozijam de saborear animais raros, quase extintos, em um cruzeiros no Queen Victoria I - um transatlântico "moderno", digamos. 
Após recuperar seu "papagaio" e o respeito de sua tripulação, ainda dá conselhos a Darwin - deixar a barba crescer, p.ex., além de ter dado uma "dica" sobre a teoria da evolução, e se não me engano, recupera o prêmio de pirata do ano - a essa altura eu já tinha perdido o interesse (e a atenção, portanto) no filme há muito. 
Nota IMDB - 7. Dou um 5.

domingo, 15 de abril de 2012

OPERAÇÃO FRANÇA II (1975), de JOHN FRANKENHEIMER - 07-08.04.2012

Agora "Popeye" Doyle (Gene Hackman) está em Marselha, mas ainda atrás de Charnier, interpretado por Fernando Rey, o traficante de heroína que lhe escapou em Nova Iorque - e agora sabemos como, pois Charnier revela que tudo se deu em razão de subornos pagos a agentes de polícia americanos. 
Ele vai à França numa "cooperação" com os policiais franceses (Barthelemy - Bernard Fresson - à frente) que, como se verá, não estão nem um pouco a fim de receber a cooperação, e tampouco interessados em cooperar com Doyle. Aliás, o histórico truculento de Popeye é um grande empecilho a que os policiais franceses confiem no policial americano.
Popeye não pode usar arma na França (embora logo ele desobedeça a tal ordem, tendo levado uma mala escondida no forro de sua mala), não pode entrar em ação - e a primeira vez que age já causa a morte de um policial francês. Esse deslocamento de Popeye, um tira eminentemente físico (com cinco mortes nas costas, duas de policiais), truculento, obsessivo e violento, em contraste com uma polícia francesa mostrada como observadora de uma civilidade muito maior já se mostra bastante interessante.
O que Hackman não sabe é que ele foi mandado à França como uma isca para a prisão de Charnier, e não para realmente auxiliar nas buscas da polícia francesa. Hackman fica vagando pela cidade, na esperança de cruzar com seu inimigo - e tendo a segurança à distância de dois policiais franceses - o que efetivamente ocorre, com o único contratempo de que apenas Charnier o avista; Popeye não sabe que seu inimigo está ali.
Quando finalmente Doyle consegue se desvencilhar de sua guarda particular, é então sequestrado e mantido em cativeiro em um hotel pulgueiro por comparsas de Charnier, e este exige que o policial lhe conte o que faz ali e os planos da polícia, mas diante da negativa de Popeye, resolvem injetar-lhe heroína a fim de que este fale - ou, no mínimo, para que fique incapacitado pelo vício na droga. 
Popeye resiste a contar o que sabe, mas não ao vício na heroína. A sua resistência inicial logo vira apenas uma necessidade da droga, e ele sequer resiste ou tenta escapar, pois precisa da heroína.
Como o cerco policial - com buscas intensas por parte da polícia francesa - incomoda os negócios (tráfico) da quadrilha de Charnier, estes resolvem "devolver" Doyle à vida, largando-o de um carro em movimento em frente à Delegacia, praticamente morto por uma overdose. 
Tem início então, logo após a "ressureição" de Doyle, com lavagem estomacal e outras medidas de primeiros socorros, uma lenta recuperação do policial americano contra o vício que lhe foi imposto, e vê-se que o vício inclusive superou a vocação policial de Popeye, que faria qualquer coisa por mais uma dose. Some-se a isso que a recuperação do policial não pode ser acompanhada por um médico, sob pena de além de a operação policial ser desmascarada, criar-se um grande escândalo em razão da existência de um policial americano na França estar viciado em heroína. À lenta recuperação da dependência - que afinal tem êxito - soma-se a recuperação física de Popeye, devastado pela droga. A recuperação de seu físico, de sua força, de sua violência, fazem parte da recuperação da sua essência. 
Finalmente recuperado, volta a vagar pelas ruas, buscando encontrar o Hotel Tanger, em que ficou "hospedado". Ele não revelara a ninguém que, ao ser seqüestrado, conseguiu identificar o local de seu cativeiro, e, finalmente, ao se deparar com o local, avisa seu companheiro francês (Barthelemy) para vir a tal lugar, e trazer consigo bastante água.
Doyle, então, causa um incêndio enorme no local - e como é dito no filme, se trata de uma área pobre de Marselha, a parte árabe, e as construções parecem um grande cortiço. Logo, o fogo se espalha não só pelo hotel mas pelas redondezas, e quando chega o reforço policial francês o lugar já está ardendo em chamas. Alguns poucos são presos, os mais importantes da quadrilha conseguem fugir. Doyle então é instado pelo Chefe de Polícia a entregar seu passaporte e voltar para os Estados Unidos. 
Contudo, Barthelemy se arrisca e reincorpora Doyle à investigação (inclusive lhe entregando uma arma), que chega ao cais de Marseilles - onde houve um descarregamento de drogas em que os bandidos conseguem sumir com a droga e quase matar afogados os policiais, e daí surge uma implicação  do navio holandês e seu capitão no tráfico - que no entanto não é preso pois Popeye convence o policial francês que é melhor esperar em vez de prender o capitão, pois o pagamento ao marinheiro holandês pelo transporte da droga ainda não foi feito: follow the money. Monta-se uma tocaia, para esperar que algo aconteça, até que um dos comparsas de Charnier finalmente vem ao navio, e dali sai, iniciando-se uma grande perseguição a pé, com vários policiais envolvidos e agindo dissimuladamente pelas ruas de Marselha, cenas muito bem feitas, que criam uma ansiedade no espectador, pela resolução daquele conflito. 
Depois da longa perseguição (para mim, de longe a melhor parte do filme), conseguem os policiais chegar ao local em que a heroína é processada e embalada em latas de sopa, para ser remetida aos Estados Unidos. Mais uma vez, troca de tiros, mortes, prisões apenas dos operários do tráfico, mas Charnier consegue novamente se evadir. Mas, desta vez, Popeye não quer ser enganado como fora nos EUA, e vai em seu encalço. 
Charnier foge de táxi, de trolebus, enquanto Popeye corre, a pé, desesperadamente tentando evitar que Charnier desapareça de sua visão. Finalmente, o traficante consegue escapar em seu veleiro, e Doyle só o vê à distância, dando a impressão que sua presa escapou, uma vez mais. 
Contudo, enquanto o veleiro vai deixando o interior do porto, navegando lentamente, Popeye segue correndo pelas docas, acompanhando à distância a embarcação, tentando manter-se próximo de onde está o barco, sempre o visualizando. Por fim, extenuado, mas a uma distância não muito grande do barco, Popeye Charnier emergir na popa do veleiro. Saca sua arma e chama por seu inimigo, que o encara e quase não acredita na presença de seu perseguidor. Dois tiros finalmente põem fim a Charnier

Nota IMDB - 6.7. Vale muito mais. Um filmaço. Nota 8, pelo menos para mim. Popeye servindo como isca da polícia francesa para pegar Charnier, a adição em heroína, a rebordosa, a limpeza do organismo para Doyle se livrar do vício, além de algumas pitadas de bom humor - a piada do primeiro de abril que engana a polícia francesa com uma pista falsa de que haveria droga dentro de uma carga de atum -, além da ótima cena de tocaia e perseguição por policiais franceses à paisana fazem desse filme ótima diversão. Vale a pena.

sábado, 14 de abril de 2012

PÂNICO 4 (2011), de WES CRAVEN - 09.04.2012

Trata-se do retorno de Sidney Prescott (Neve Campbell) a Woodsboro, anos após os massacres anteriores, agora, em tese, liberta dos traumas daqueles acontecimentos, tendo purgado seus medos e escrevendo um livro sobre os incidentes. 
A fórmula é a mesma dos filmes anteriores, com algumas atualizações aos tempos modernos - as novas tecnologias - internet, smartphones, aplicativos - e os novos filmes de terror. A primeira hora de filme é interessante, depois perde bastante a graça.


Nada há de novo. O filme começa com as clássicos telefonemas em que a voz rouca de Ghostface anuncia que irá matar duas moças que atendem ao telefone. Mas, neste filme, tal prólogo é feito três vezes, dois falsos de STAB 6 e STAB 7 - dois filmes das várias seqüências baseadas dos massacres de Woodsboro - e um terceiro, que é o verdadeiro início de Pânico 4, em que duas jovens que assistem a STAB 7 são mortas, dando início a um novo massacre na cidade, exatamente quando Sidney está de volta para o lançamento de seu livro.
Várias são as mortes, segundo as novas regras dos novos filmes de terror -  as intermináveis seqüências -  nova voga atual do cinema de horror, em que nada de novo é feito, apenas mais e mais filmes com o mesmo título, e de novo, só a numeração. Há críticas a tais novas franquias, à violência explícita (Jogos Mortais, por exemplo), e menções às novas regras das mortes em tais filmes, e, por óbvio, às condutas que devem ser evitadas para preservar a própria vida.


Ao passo em que sucedem as mortes - a divulgadora do livro de Sidney, por exemplo, além dos policiais que davam segurança à heroína, entre outros - o sempre atrapalhado Dewey (agora xerife), a arrivista e wannabe ex-repórter Gale (casada com o Dewey, que deixou de ser repórter para ser dona de casa, mas que agora vê a possibilidade de retornar aos holofotes), a auxiliar de Dewey, Judy Hicks, e até mesmo Sidney (em cujo porta-malas são encontrados os primeiros corpos), tentam desvendar os crimes, segundo as novas regras cinematográficas do terror.


Há um núcleo de três amigas (Kirby, Jill - prima de Sidney, e Olivia) que serão perseguidas pelo Ghostface; há um núcleo de estudantes participantes de um clube de cinema na escola (Charlie e Robbie), que serão também vítimas e protagonistas (os assassinatos serão filmados, especialmente numa festa em que haverá uma maratona dos filmes STAB) desse morticínio. Uma vez mais, a solução dos crimes não tem muita lógica, os assassinos têm motivos não mais que prosaicos para o fazerem. 
No caso, um dos integrantes da turma do clube de cinema, Charlie,   e a prima de Sidney, Jill, são os assassinos. Charlie entra nessa, aparentemente, por seus interesses de cinema, para filmar assassinatos, etc, ao passo que Jill quer seus quinze minutos de fama, o quê chega a dizer expressamente a Sidney, pois esta, apesar de vítima, sempre fez sucesso em razão dos assassinatos. É isso que a nova assassina deseja - ser alguém, ser conhecida.
Jill mata seu parceiro criminoso Charlie para fazer sucesso sozinha, acredita ter matado Sidney, e após matar Trevor, arruma a cena do crime para parecer que este foi o responsável por tudo, e se fere para evitar desconfianças.
Contudo, no hospital, Dewey conta a Jill que Sidney sobreviveu à investida de Ghostface, e Jill precisa matar sua prima dentro do hospital para evitar que tudo seja descoberto. No entanto, Sidney, auxiliada por Dewey, Hicks e Gale, consegue "matar" a assassina com um desfibrilador. Na verdade, Jill ainda se levanta mais uma vez e aí, finalmente, com um tiro, Sidney a fulmina. "Don't fuck with the original". 


Nota IMDB: 6,3. Daria menos. Um 5. Algumas boas piadas - a do policial que está morrendo, com o Bruce Willis, que nunca morre; e  algumas frase interessantes sobre os filmes Pânico, a própria frase final de Sidney para Jill: don't fuck with the original. Diversão razoável. 

sábado, 7 de abril de 2012

POR UM PUNHADO DE DÓLARES (1964), de SÉRGIO LEONE - 20.02.2012

Filme integrante da Trilogia dos Dólares, do espetacular Sérgio Leone, junto a "Por uns Dólares a Mais" e "Três Homens em Conflito", e me parece que num crescente de qualidade, que redundará na obra-prima "Era Uma Vez no Oeste". 


O Homem Sem Nome (que chega a ser chamado de Joe, mas me parece que seria algo como John Doe, ou João-ninguém) chega à cidade de San Miguel - México, um lugar onde matar é a ocupação principal, as pessoas não trabalham, só matam umas às outras. A atividade principal (além de matar) é o contrabando de bebidas e armas para os EUA, mas o problema é que há duas turmas-famílias de contrabandistas - Rojos e Baxters - com a mesma atividade, o que gera eternos conflitos.
Ali, Joe espertamente vai oferecer seus serviços a ambas as famílias, e consegue tirar dinheiro de cada uma delas, vendendo segredos ou informações de uns para os outros, conseguindo incrementar o ódio recíproco entre os latinos Rojos e os americano-irlandeses(?) Baxters


É claro que tudo dá certo por um certo tempo, até que o líder dos Rojos (Ramón - Gian Maria Volonté) descobre a traição do forasteiro, e o dá uma surra homérica, mas não o mata, deixando-o preso no galpão das bebidas. John Doe consegue fugir, e se refugia até que possa se recuperar fisicamente, recebendo a  ajuda do coveiro da cidade e de o barman do saloon.


Essa recuperação é física - voltar a atirar, e espiritual, voltar para poder enfrentar Rojo. Há nesse último duelo uma cena clássica, a do pistoleiro de poncho que é alvejado, mas que usa uma chapa de metal sob sua pala, e assim, redivivo, mata aquele que lhe impusera o castigo físico. Como o "cavaleiro solitário" típico de faroeste e típico dos papeis de Clint Eastwood, Joe deixa a cidade, livre dos Baxters (que foram exterminados pelos Rojos) e dos Rojos, exterminados por ele mesmo.
Nota IMDB - 8. Vale. Talvez um pouco menos.

A ÚLTIMA ESTAÇÃO (2009), de MICHAEL HOFFMAN - 15.01.2012

Esse filme mostra, em tese, os dias derradeiros de Lev Tolstoi (na minha época de guri, todo mundo o chamava de Leon Tolstoi), o grande escritor russo nascido em 1828, autor de Guerra e Paz, Anna Karenina e A Morte de Ivan Ilitch (o único que li), em 1910 
Já bastante idoso, mas ainda muito lúcido - mas, para mim, imbecilizado no filme - Tolstoi, que em sua vida jovem fora uma pessoa de vida se não dissoluta, ao menos de vida livre, é agora um idoso nobre, já reconhecido por sua literatura - considerado o maior autor vivo, gozando da fama ainda em vida - mas que tem dúvida sobre sua vida, seu papel como escritor, tornando-se celibatário, asceta, vegetariano, abstêmio, e pregador de uma "reforma agrária", pode-se dizer.
O filme é centrado na conduta de Sofya Andreievna Tolstoy (Helen Mirren), esposa de Tolstói (Christopher Plummer), e sua contraposição às "novas" idéias de seu marido, seu ascetismo, sua intenção de dividir suas propriedades com os camponeses, a intenção de doar os direitos sobre sua obra, após sua morte, a Chertkov (Paul Giamatti), e por conseqüência, para o povo, pois que este pregava a importância de a obra de Tolstoi ser disseminada sem entraves jurídicos.
Os últimos dias realmente, ou seja, a sua viagem após deixar a sua casa, pelo interior da Rússia, me parece que seria um assunto ainda mais interessante, mostrando esse itinerário, o que houve nos poucos dias de sua viagem, seu encontro com o povo russo, etc. Em 28 de outubro de 1910 Tolstoi deixou Yasnaya Poliana e foi morrer em 20 de novembro do mesmo ano, em Astapovo
Assim, embora aparentemente Chertkov tivesse propósitos nobres - a disseminação do tolstoísmo, com ascese, sem apegos, e usar a obra em favor do povo - por muitas vezes vemos nos bastidores ações egoístas, 
O papel da única personagem em dúvida entre as posições de Chertkov e Sofia é representado por Valentin (James McAvoy), que adepto fervoroso do tolstoísmo (inclusive com castidade), vê-se seduzido pela defesa de Sofia em favor de sua família, da herança para os filhos (13 foram paridos, mas se bem me lembro, 5 já eram mortos), e entende a defesa do patrimônio familiar de Sofia
Tolstoi é levado a refazer seu testamento, por influência de Chertkov, deixando todos seus bens para o tolstoísmo. Depois de muitas discussões, embora haja amor entre marido e mulher, Tolstoi sai de casa, para viver seus últimos dias - ainda não sabia que seriam os últimos - sob o signo de suas novas convicções, excursionando pela Rússia. Logo cai enfermo, em Astapovo, com pneumonia, até em razão das viagens em vagões mais simples, passando frio. Os filhos e Chertkov, que ficam ao lado do velho, impedem Sofia até mesmo de vê-lo. Somente nos estertores, Tolstoi manda chamar sua esposa. O filme ainda termina com um texto explicativo, dizendo que somente depois de algum tempo a família consegue reaver os direitos autorais sobre a obra de Tolstoi, que tinha ficado em testamento para Chertkov


Nota IMDB - 7.0. Dou menos. 5, se tanto, embora Plummer e Mirren estejam bem. Giamatti já me cansou um pouco, com sua fala sempre sussurrada e com voz rouca, como que para emprestar drama e ênfase em cada linha  que declama no desempenho de seus papéis.  Acho que o filme assume um lado muito açodadamente, e alguns papeis são tendenciosos, para  que haja uma identificação com Sofia, uma antipatia por Chertkov, e uma "imbecilização" de Tolstoi - um velho quase incapaz de decidir por si só o seu destino, e não o maior escritor vivo na época. Os personagens são simplistas. Não gostei. O gênio era o Tolstoi, porra, e ele parece o menos inteligente de todos que estão no filme. 

O GRANDE GOLPE - THE KILLING (1956) - de STANLEY KUBRICK - 15.07.2011 e 05.04.2012

Um filme curto de Stanley Kubrick - o seu primeiro filme autoral - sobre um
O filme em inglês chama The Killing (ou a matança) e no Brasil pelo título dá-se a impressão de que o golpe será técnico, ao passo que o título em inglês dá outra impressão, ver-se-á, bem mais realista.


O belo início do filme, com a preparação de um páreo no hipóderomo, em fotografia preto-e-branco, com uma música de suspense, já dá uma ideia do que vem por aí. Marvin Unger (contador e senhorio de Johnnie Clay, e que gosta muitíssimo deste, como a um filho), num páreo importantíssimo pouco se importa como resultado, tendo apostado em todos os cavalos, apenas para travar contato com certas pessoas (o barman Mike O'Reilly e o atendente do guichê de apostas George Peatty) que participarão do golpe, para lhes entregar um certo endereço em que se realizará um encontro.


Uma narração em off traz à tona os demais personagens do golpe:
Randy Keenan, o policial se encontra com Leo (um bookmaker, talvez), e aparentemente tem problemas com jogo, e se compromete a pagar uma dívida em duas semanas.
Johnnie Clay ( Sterling Hayden), o mentor da turma, ex-presidiário por um pequeno golpe, acredita que agora é a hora de um grande, pois tanto os pequenos quanto os grandes têm as mesmas conseqüências. Ele tem uma namorada - Fay (vivida por Coleen Gray) que esperou durante os cinco anos em que Clay ficou no presídio. 
A apresentação em separado dos integrantes da quadrilha, suas motivações para participarem do esquema (a mulher doente do barman; o senhorio que gosta do líder do bando; a mulher ambiciosa e interesseira do caixa do hipódromo - Sherry, que o abomina em razão de não ter prometido as juras de riqueza; as dívidas do policial), funciona muito bem. Já temos os motivos. Basta a execução. 
A esposa do patético George Peatty (Elisha Cook), Sherry (Marie Windsor) consegue tirar de seu marido fraco as informações sobre o futuro golpe, e logo conta a seu amante, Val Cannon (Vince Edwards). Este ao contrário de Sherry, que apenas tencionava enganar seu pobre marido, logo tem a ideia de ficar com a bolada toda, de todo o grupo.


Então há o encontro dos cinco golpistas. Duas outras pessoas serão contratadas, mas não entrarão no rateio do butim. Suas incumbências serão, uma, de fazer um trabalho com um rifle; outra, de iniciar uma briga no bar. Prevêem que o golpe dê dois milhões de resultado, acertam que o assalto tem de ser realizado na hora da coleta do dinheiro, ao fim da tarde. Sherry tenta espionar o encontro, mas é supreendida, e Clay conversa com ela e a manda ficar quieta que terá a sua parte (ou melhor, poderá se aproveitar da parte de seu marido).
Três dias depois, em um clube de xadrez, encontra com Maurice, que será o que iniciará a briga no bar. Também contata o atirador - Nicky - para matar um cavalo.


No dia do golpe, tudo vai saindo dentro do planejado, a guarda das armas, a preparação da fuga pelo aeroporto, a infiltração da arma nas dependências do hipódromo, o tiro no cavalo que lidera a corrida, a participação de cada um dos comparsas. O mecanismo narrativo, de ir mostrando a preparação e o itinerário de cada um dos participantes do golpe, o seu dia, os horários em que fazem cada coisa, e a repetição, a cada mudança de personagem, do anúncio do início do sétimo páreo - a hora do golpe - é muito eficiente e cria um clima de suspense bastante bom.


Arranjada a briga no bar, desviando-se a atenção dos guardas, tudo começa. George franqueia a Clay o acesso ao interior das instalações em que fica o dinheiro, que é roubado e jogado janela afora, em que o policial do grupo espera para escapar com a grana. Cada um toma seu rumo para, mais tarde, se reunirem e dividirem a bolada. Johnnie Clay se atrasa um pouco, e nesse ínterim, Val Cannon e um parceiro chegam ao esconderijo para assaltar todo o grupo. O dinheiro ainda não está ali, e George, no exato momento da chegada do amante de sua esposa não está na sala. Ele já volta atirando e mata Val, dando início a um tiroteio em que restam todos mortos: três dos cinco participantes do assalto, Val e seu comparsa, além de George, mortalmente ferido. 
Este, contudo, ainda consegue deixar o covil, no exato instante em que Johnnie ali chegava. Conforme o combinado, se houvesse algo aparentemente errado, Clay deveria sair do local e a divisão do dinheiro seria feita apenas posteriormente. George vai para sua casa e ao chegar, sem vê-lo, Sherry o chama pelo nome do amante, e George a mata, morrendo também em conseqüência dos ferimentos.
Clay, com o dinheiro, precisa fugir. Compra uma mala bastante grande para acomodar o dinheiro que até agora estava no saco utilizado no roubo, mas a valise tem um problema na fechadura e não tranca. Vai para o aeroporto junto de sua companheira Fay, tenta levar a mala consigo, no interior do avião, mas não é possível pelo tamanho da valise, e é obrigado a despachar a "bagagem". No carrinho de bagagens, uma freada brusca faz a mala ir ao chão, abrir, e todo o dinheiro é espalhado pelas hélices dos aviões, sumindo o sonho do dinheiro. Ainda resta a Clay tentar escapar, mas na saída do aeroporto, alertados os policiais pelos gerente da companhia aérea, Clay é cercado. Fay diz que ele ainda deve tentar dar no pé, mas Johnnie vaticina que agora isso já não vale a pena, não tem importância. 
Nota IMDB - 8.1. Merece! Filmaço com uma montagem espetacular. 

quarta-feira, 4 de abril de 2012

A MORTE DO DEMÔNIO (1981), de SAM RAIMI - 27.03.2012

Sam Raimi, de quem assisti "Arraste-me para o Inferno" - e de que gostei bastante - fez esse filme de terror que, depois, virou uma trilogia. 
Cinco amigos - dois casais e mais uma amiga - alugam uma cabana no interior dos Estados Unidos, para passarem um feriado, por um preço ínfimo. 
Já no caminho há pequenos sinais de alguma atividade paranormal, com uma câmera como que fosse a visão do espírito/fantasma, que inclusive chega a quase causar um acidente no caminho para a cabana. 
Na chegada, igualmente, duas câmeras, uma acompanhando quem vai abrir a casa, e outra, à distância, filma os quatro amigos que ficam próximos ao carro. Um banco bate repetidamente contra a parede da cabana, e no momento exato em que um dos integrantes pega a chave para entrar na cabana, o movimento do banco cessa no meio, em cena bem feita.


A casa parece assombrada, e uma das integrantes do grupo logo começa a ouvir sussurros vindos dos fantasmas. 
Ao explorar a cabana, dois do grupo encontram um gravador, um punhal, e um livro com inscrições estranhas. Ao ouvirem a fita, o antigo morador da casa, um estudioso de antiguidades, revela que esteve em algum lugar - Kandar - escavando, e lá encontrou algo como um livro dos mortos, e que o recitar dos escritos do livro liberaria os demônios. Um ou outro dos cinco tenta impedir que a fita siga tocando, mas algum corajoso insiste em que a fita seja ouvida, e a invocação aos demônios é feita.
Então começam, um a um, os ocupantes da cabana a serem possuídos pelos demônios, e aqueles que são possuídos têm de ser combatidos por aqueles ainda não endemoniados. 
Seguidamente, primeira a mulher que não era parte de um casal. Depois, a namorada do coadjuvante, então o coadjuvante, depois a namorada do protagonista Ashley "Ash" Williams (Bruce Campbell). Todos eles atacam e vão sendo vencidos pelos não-possuídos, que até tentam deixar a casa, mas o caminho foi destruído - uma ponte velha foi destruída pelos demônios para impedir a fuga, restando apenas Ash, que consegue matar todos os demônios, sobrevivendo àquela "noite alucinante", que é o título do filme em português, com alguma violência explícita nas mortes, maquiagem interessante, algumas cenas que causam um certo horror. Na cena de encerramento, é como se o espírito ainda alcançasse Ash na manhã subseqüente, o que no entanto fica em aberto (e sabemos que houve outras noites alucinantes lançadas no cinema). Interessante, mas nada espetacular. Talvez eu devesse conhecer a evolução dos filmes de terror e de baixo orçamento, para saber se esse filme tem alguma relevância na linha evolutiva do medo. Os entendidos dizem que sim, até pelo lançamento de Sam Raimi.
Nota IMDB - 7,6. Pra mim, vale menos.

segunda-feira, 26 de março de 2012

O ARTISTA (2011), de MICHAEL HAZANAVICIOUS - 26.03.2012

Película vencedora do Oscar de Melhor Filme em 2012, esse filme mudo - e em preto-e-branco- é bem interessante, mas não achei essas coisas todas. 
George Valentin (Jean Dujardin) é um grande astro do cinema mudo, egocêntrico, acredita ser a razão primeira de todos os sucessos. Acidentalmente, após um grande sucesso, é fotografado junto a Peppy Miller (Berenice Bejo), uma aspirante à carreira de atriz, que logo começa a fazer figuração nos filmes mudos. 
Contudo, estamos às voltas com o surgimento do cinema falado, em 1927-1929, mas Valentin não acredita que tais filmes sejam o futuro, que tais filmes façam sucesso e se nega a participar desse "futuro", sendo, então, demitido pelo estúdio do qual era contratado, pois estes dizem que no "novo cinema", precisa-se de caras novas, de algo novo, e que os velhos astros precisam abrir passagem às novas gerações - uma tônica recorrente do cinema, em qualquer que seja a época, em que a idade, com raras exceções, fecha portas para os atores que envelhecem.
Valentin é rapidamente relegado ao ostracismo e à pobreza, mas se recusa a capitular e passar a participar do cinema falado - e o cinema falado também não parece ter nenhum interesse nele. 
Falência moral e financeira, mas o orgulho - burro - intacto (ou seria um homem de princípios?), Valentin vende todas as suas coisas, perde sua esposa (se recusa a falar com ela), perde sua mansão, tem de demitir seu motorista - e amigo de anos-, pois não tem mais como pagá-lo.
De outro lado, Peppy Miller surge como uma nova estrela do cinema sonoro, e conquista algo bastante semelhante ao que havia conquistado Valentin, mas não o esquece completamente, ao contrário do que fez o grande público. 
Peppy, por exemplo, compra a memorabilia de Valentin, e quando este tenta o suicídio, e a atriz é quem o salva (numa pegadinha interssante com a onomatopeia "bang" - um tiro e/ou uma batida de carro - e o leva para sua casa, para que este se recupere.
Ali, recebe a notícia de que Peppy conseguiu com o executivo do Estúdio que o demitira (Al Zimmer, vivido por John Goodman), uma nova chance para "o artista", que ao saber disso, somando-se ao fato de ele descobrir na casa de Peppy todos os seus objetos pessoais, comprados em leilão pela nova estrela - os empregados dela é que deram os lances -  é levado a uma grande sensação de impotência e resolve se matar, sendo salvo como acima descrito, por sua amiga. Nesse momento, Peppy consegue achar um meio-termo para que George volte a atuar, de uma forma em que ele não precise falar - dançando em musicais. 
O final mostra uma cena de metalinguagem, em que Valentin e Peppy estão filmando uma cena musical, a câmera vai se afastando e então há a filmagem da filmagem, em recurso que já vimos por aí, num curta do Jorge Furtado, em Persona (de forma radical), em Sunset Boulevard, Dirigindo no Escuro, e por aí vai. 
A cena em que George Valentim queima as películas de seus filmes mudos me parece bastante significativa, nesses tempos em que o filme 35mm está em extinção - deixará de ser produzido e só teremos projeções digitais, ou seja, a cena não representa apenas a a superação do cinema mudo, mas igualmente a dos filmes em película. 
Em preto-e-branco, mudo, com a música de acompanhamento - na sala em que assisti, achei a música um pouco alta, e o posicionamento da imagem na tela estava equivocado, cortando uma pequena parte da topo da imagem.


Nota IMDB - 8,3. Não é para tudo isso, na minha opinião. Um 7 tá bom. 

quarta-feira, 21 de março de 2012

MELODIA FATAL (1946), de ROY WILLIAM NEILL - 21.02.2012

Um dia depois de ver "Noite Tenebrosa", foi hora de ver Melodia Fatal (Dressed to Kill), mais um filme em que Basil Rathbone encarna Sherlock Holmes, ao lado de seu escudeiro Watson (Nigel Bruce). 
Aqui, três caixinhas de música, fabricadas na prisão por um homem que sabe alguma coisa importante (pois alguém chega nele e diz que ele poderia sair logo, se dissesse o que sabe), são colocadas em um leilão e vendidas aleatoriamente.
Um homem interessado nelas - Cel. Cavanaugh - mas que chega tarde para o leilão - vai à casa de vendas e paga para o leiloeiro fornecer o endereço dos compradores, mas pode identificar apenas dois deles pelos nomes e endereços, e uma terceira pessoa, uma mulher, apenas pelas suas características físicas.


O primeiro dos compradores, um senhor - Julian Emery - por acaso amigo de Watson, incidentalmente vai à casa de Sherlock e comenta que sofreu um furto estranho, lhe foi roubada uma caixa de música - e ele era colecionador delas - sem valor algum, e logo se descobre que foi furtada uma caixa parecida com a comprada no leilão. Sherlock o adverte de que os ladrões levaram a caixa errada, e podem voltar. Realmente voltam, e o matam para ter a caixa.
Para a segunda caixa, Hilda Courtney (Patricia Morison) - a líder do bando - se fantasia de empregada doméstica e consegue furtar a caixinha, escapando debaixo do nariz de Holmes
Mas quanto à terceira caixa, Holmes consegue se antecipar aos bandidos e obtê-la da compradora não identificada, frustrando temporariamente a intenção dos criminosos.
Durante a investigação surgem dois detalhes importantes: o fato de que as caixas foram construídas dentro de um presídio, e que o construtor delas foi um ex-diretor do Banco da Inglaterra, que roubou as placar originais para a impressão das cédulas de 5 libras, que nunca foram encontradas. Chegam à conclusão, então, que as caixas devem conter o segredo para a localização dessas placas.
Com o auxílio de um músico, que nota variações nas canções das caixas, e com uma sugestão inesperada de Watson, Sherlock consegue descobrir parte da mensagem. Os bandidos, igualmente, somente têm parte do código, e a luta passa então a ser para obter o código inteiro e, por conseguinte, as matrizes do dinheiro.
O detetive da Baker Street é atraído por Hilda Courtney à casa desta, que deixa propositalmente uma ponta de cigarro no apartamento de Holmes, que faria certamente o detetive chegar a ela, pois um estudioso das variedades de fumo. Lá chegando é preso e quase morto. 
Durante a prisão do detetive, Hilda se aproveita da estupidez de Watson, e consegue a terceira caixa de música, completando-se a mensagem, reveladora de que o objeto por todos desejado estava na prateleira de Samuel Johnson - ou seja, no museu deste renomado literato e dicionarista inglês do século XVIII.
Mais uma vez, Watson, sem querer, auxilia Holmes para que esse decifre a charada, e descubra a parte da mensagem que ainda não conhecia, citando, inadvertidamente, uma frase de Samuel Jonhson (cuja frase mais famosa deve ser que "o patriotismo e o último refúgio do canalha). Holmes rende a quadrilha dentro do museu. 


Nota IMDB - 6.9. Merecido. Gostei bem mais deste filme do que de  "Noite Tenebrosa". 

terça-feira, 20 de março de 2012

SHERLOCK HOLMES - NOITE TENEBROSA (1946), de ROY WILLIAM NEILL - 20.03.2012

Mais um dos muitos filmes de Sherlock Holmes com Basil Rathbone como o famoso detetive e Nigel Bruce como seu escudeiro Dr. Watson, feitos lá na década de 40.
Trata-se do furto do diamante "Star of Rhodesia", que carrega consigo uma maldição, de que todos que com ele tenham contato morrem violenta e repentinamente.
Sherlock Holmes está no trem, para acompanhar Margaret Carstairs, possuidora do Star of Rodesia, pois houve em Londres uma tentativa de furto da jóia, e há a aposta de que haverá nova tentativa de furto durante a viagem. Watson chega atrasado, quase perdendo a viagem, acompanhado do Maj. Duncan-Bleek, seu amigo militar.
Acho que já assistira a esse filme, e no primeiro contato de Holmes com a Sra. Carstairs, ele pede para ver o diamante, e sem que ninguém perceba, o troca por uma réplica, o que percebi facilmente porque me recordei do filme. E, PQP, lembrei do final.
Há vários suspeitos - as usual. O filho de lady Carstairs é morto, o diamante é roubado. Um professor velho e rabugento - Kilbane, um casal de meia-idade - os Shalcross, Vivian Vedder, uma femme fatale, o major Duncan-Bleek, além de Sherlock, Watson e Lestrade estão no vagão, e daí há de sair o responsável pelo furto e pelo assassinato. Vivian Vedder teve sua mãe morta, e a leva em um caixão de Londres a Edimburgo. 
Descobre-se que o caixão tinha um fundo falso, em que um ladrão veio oculto. Este trabalhava para o Cel Moran - que nunca aparecera na história, e surge quase inacreditavelmente apenas por dedução de Holmes, dados os hábitos de furto de jóias de tal personagem. 
Ao cruzarem a fronteira entre Inglaterra e Escócia, sobem ao trem policiais escoceses, que passam a interrogar os passageiros, e Holmes revela que o Maj. Duncan-Bleek é o Cel. Moran - e o artíficie de todo o esquema. O policial escocês então o prende e pretende levá-lo. Ocorre que Holmes percebeu que esse é um falso policial - por detalhes inacreditáveis, e numa confusão e briga generalizada, ele consegue (sabe lá deus como), fazer com que o falso policial leve Lestrade sob custódia (e este os prende após descerem do trem), recuperar - quase como um prestidigitador - o Star of Rodesia que aparentemente ficara sob custódia do falso policial, enquanto Sherlock tem Moran preso, e o leva para Edimburgo. Sucesso do detetive, fracasso do cinema.


Nota IMDB: 6.9 - Não vale tudo isso. Um filmezinho simples, curto, mas com bastante movimentação, as ações em ritmo frenético, mas a forma com que as soluções são apresentadas beiram o completo absurdo, mesmo considerando se tratar de Sherlock Holmes. Um 5 tá bom.

segunda-feira, 19 de março de 2012

A MANSÃO DO TERROR (THE PIT AND THE PENDULUM - 1961), de ROGER CORMAN, 18.03.2012

Quando se fala nos filmes de terror dirigidos por Roger Corman, esse The Pit and the Pendulum (O abismo e o pêndulo, ou no título brasileiro, A Mansão do Terror) sempre é citado com um dos melhores dos trabalhos do cineasta baseado nas obras de Edgar Allan Poe.
Mais uma película da American International Pictures, com os produtores James H. Nicholson e Samuel Z. Arkoff - grandes produtores do terror da década de 60 e 70. 


Francis Barnard (John Kerr) vai fazer uma visita à casa de sua irmã e de seu cunhado Nicholas Medina (Vincent Price), sabendo que algo de errado houve com sua irmã, que ela está morta, mas sem saber exatamente como isso se deu.
Lá chegando, toma conhecimento que ela já morreu há três meses, e que não há propriamente um túmulo, mas que ela foi enterrada dentro da própria mansão, seguindo um costume da família Medina, espanhóis - aparentemente. 
A mansão em questão, em que habitam  Nicholas e sua irmã Catherine Medina,   pertenceu ao pai de ambos, Sebastian, um nobre espanhol, presumo, que tinha como seu ofício pertencer e participar da Santa Inquisição (a história se passa no Século XVI), tendo no porão de seu castelo, uma masmorra para torturas no intento de obter as confissões da Inquisição. 


Ao se aprofundar na pesquisa das razões da morte de sua irmã, Barnard que inicialmente fora informado que uma doença no sangue vitimara o coração de Elizabeth, ao travar contato com o médico da família - Dr. León - é informado de que Elizabeth morreu de medo, de terror, que fez seu coração parar. Que a atmosfera pestilenta da casa, os horrores ali vividos e que impregnam as paredes, somada ao fascínio mórbido que a câmara de tortura exercia sobre Elizabete a levaram à morte
A infância e os temores de Nicholas vêm à tona, revelando-se que quando criança, viu seu pai Sebastian matar a esposa e o irmão, porque teriam um caso, e mais, em verdade, ele teria torturado sua esposa quase até a morte, tendo-a enterrado viva para aumentar o sofrimento. Esse fato causou em Nicholas um terror profundo, de que Elizabeth também poderia ter sofrido um "premature burial" - há um filme a que já assisti - link aqui, que trata também dessa questão - e essa possibilidade é que aflige Nicholas


Começam a haver manifestações espantosas, aparentemente de Elizabeth, e tanto para afastar os medos de Nicholas, como para se afastar a hipótese de Elisabeth ainda estar vagando pela mansão, resolvem exumar o corpo da morta, quando os piores temores se confirmam: Elizabeth foi enterrada viva.  
Nicholas, transtornado, pensa em se matar e fica purgando suas culpas, quando Elizabeth volta a lhe chamar, ele segue a voz até o túmulo, quando sua esposa se levanta de sua esquife, e passa a persegui-lo já transtornado, o fazendo cair escada abaixo, aparentemente morto. Nesse momento, Dr. León chega e se revela a verdade: Elizabeth e León eram amantes, e tramaram toda a farsa - cuja condução coube a este último, como amigo de Nicholas e quem atestou falsamente a morte de Elizabeth -  para, dado o passado de Nicholas, o dobrarem psicologicamente para então poderem viver seu romance adúltero. Elizabeth faz um discurso para o corpo de Nicholas, falando da infeliz sina deste: mãe adúltera, tio adúltero, esposa adúltera, melhor amigo adúltero.
Nicholas, no entanto, revive - ou sai do estado catatônico em que estava - mas agora assumindo a personalidade de seu pai, o torturador D. Sebastian. Ele então resolve torturar Leon e Elizabeth, como se fossem eles sua mãe e tio adúlteros (Isabelle e Bartholomé). Ele logo consegue prender Elizabeth na "dama-de-ferro", ou Iron Maiden, e passa a perseguir León, que cai em algum abismo, não sendo mais encontrado. 
Quando Francis Barnard vai ao encontro de Nicholas, este, paranóico, assume agora que Francis é León/Bartholomé, e o prende, levando-o ao "pêndulo" - outro instrumento de tortura - do título. Enquanto a lâmina se aproxima do corpo de Francis, finalmente Catherine e o empregado do castelo chegam, conseguem derrubar Nicholas/Sebastian no mesmo abismo em que já está o corpo de León, e param o pêndulo segundo antes de este estraçalhar Barnard
Enquanto deixam a sala de tortura, ao fechar a porta, Catherine diz que nunca mais ninguém botará os pés naquela sala, momento em que a câmera se dirige à "dama de ferro" e Elizabeth esta lá, viva, e seus olhos não podem expressar mais nada exceto o horror.


Nota IMDB - 7. É por aí mesmo. A seqüência final, em que Elizabeth aterroriza Nicholas após deixar seu "túmulo" tem um suspense muito bem construído, que vai num crescendo impressionante até a cena do pêndulo, e o final em si mesmo, com a  morta ainda em vida Elizabeth, adúltera e dissimulada, tudo isto cria um filme muito interessante. As histórias de Poe, filmadas com o grupo Corman-American-Arkoff-Nicholson, são bons de se ver, com uma estética parecida (e de filmes B, sem perder o interesse), e temas que parecem recorrentes, mortes simuladas, enterros prematuros, torturas, emparedamentos de pessoas vivas, etc. Vale o entretenimento.

sexta-feira, 16 de março de 2012

DESENCANTO (1945), de DAVID LEAN - 16.03.2012


Um filme do diretor de A Ponte do Rio Kwai, Lawrence da Arábia (não assisti a nenhum deles, falha minha), aqui estamos diante de um romance - ou da impossibilidade deste - em que Laura Jesson (Celia Johnson), uma dona de casa do subúrbio de Londres, com dois filhos e um marido bom, se apaixona por um estranho que conhece numa estação de trem (belas imagens em preto e branco, dos trens chegando e partindo, com a fumaça de suas chaminés) - o médico Alec Harvey (Trevor Howard), igualmente casado - e com ele inicia um flerte, depois encontros inocentes num crescendo, e por fim se entrega - brevemente - a essa paixão.
O filme inicia com uma aparente despedida entre Laura e Alec Harvey, interrompida por uma amiga falante de Laura, e esta então volta para casa, para seus encontros noturnos habituais com seu esposo, com conversa, leituras e palavras cruzadas com o marido boa-praça. Ali, ela começa a reviver, na memória, os encontros furtivos com Alec, e em monólogos internos, imaginariamente, explica a seu marido Fred o que houve, e lhe pediria desculpas se fosse possível. 
Nesse rememorar, revive o primeiro encontro, em que Alec a auxilia a retirar um cisco dos olhos (fuligem do trem), os encontros casuais em um restaurante, a primeira ida ao cinema juntos; os encontros posteriores, já combinados, e os últimos, já apaixonados, para enfim para consumar a traição - com o medo da retaliação da sociedade.
Enquanto o caso vai evoluindo, as culpas, os medos, o remorso, as mentiras para o marido, misturados à paixão, aos sentimentos dos amantes, indicam um caminho de difíceis escolhas. Ambos sentem que querem ficar juntos, que não querem se afastar, mas ao mesmo tempo têm certeza que o relacionamento não será possível, e que logo terão de se separar. Contra a vontade de ambos, Alec finalmente vê o modo de evitar a continuação daquela relação, aceitando uma proposta de emprego na África do Sul. 
O filme faz toda a retrospectiva do relacionamento, com Laura devaneando no sofá de sua sala, à frente de seu para trazer de novo às cenas iniciais, do último encontro com Alec na estação de trem, e onde vemos que realmente seus últimos momentos juntos, em que se despediam, e conversavam se voltariam a ser ver um dia, se um escreveria ao outro, as últimas palavras de amor são interrompidas pela amiga faladeira que enfastiava Laura, evitando que eles dissessem seus últimos sentimentos um para o outro. Ela ainda sai do bar para tentar ver Fred pela última vez, mas este já partiu em seu trem.
Corte para a sala residencial em que Laura permanece absorta em seus pensamentos quando seu marido Fred percebe que algo está errado, e mesmo sem saber exatamente o quê, percebe alguma infelicidade em Laura, e sente que ela esteve distante, e a agradece por voltar para ele. 
Esteticamente, tem-se uma fotografia em preto-e-branco muito bonita, muitas imagens refletidas, nos espelhos, nos vidros do trem. 
Nota IMDB - 8.1. Um bom filme, mas eu não daria tanto assim. Um 7, talvez.